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"Body positivism" conquista cada vez mais as francesas gordinhas

 
Positivismo corporal: "Eu gosto do meu corpo como ele é", dá em título a revista francesa Fotomontagem RFI/ Les Echos Week-End

A revista semanal francesa Les Echos – Week-End traz essa semana uma reportagem sobre o “body positivism”. A publicação explica como essa tendência, que consiste em valorizar todos os tipos de morfologias, tem levado as mulheres a mostrar seu corpo, independentemente do peso, inclusive nas redes sociais.

A reportagem conta a história do termo body positive, que começou a ser usado nos Estados Unidos em 1997, quando uma associação de luta conta distúrbios alimentares tentava sensibilizar adolescentes que queriam ter o corpo das modelos nas revistas. “O movimento se ampliou progressivamente e passou a denunciar todas as formas de estigmatização ligadas ao peso e aparência física”, continua o texto, lembrando da importância de nomes como Beyoncé ou Rihanna, estrelas da música que lançaram linhas de roupas para todos os tamanhos. Sem esquecer atrizes como Julia Roberts ou Kate Winslet, que se deixaram fotografar sem maquiagem, ou a influência de modelos ditas “plus size”, como Ashley Graham.

“Mas além das celebridades, o movimento body positive se manifesta nas redes sociais por batalhões de anônimas que não pensam duas vezes antes de se mostrar em poses sexy, celebrando suas formas no Instagram”, continua a reportagem. Inclusive com hashtags que incitam as gordinhas a se mostrarem. A revista ouviu sobre o assunto a psicanalista Catherine Grangeard, autora do livro Comprendre l’Obesité (Entender a obesidade), que diz que, para muitas dessas mulheres, esses canais de comunicação se tornaram “um meio de sair finalmente da invisibilidade na qual a sociedade às tinha isolado”. Além disso, muitos veem no movimento um ato feminista, continua a texto.

Apropriação comercial

No entanto, pondera a reportagem, esse body positivism também encontra críticas, inclusive entre os que denunciam uma espécie de apropriação do termo com fins comerciais. Daria Marx e Eva Perez-Bello, autoras do livro Gros n’est pas un gros mot (Gordo não é um palavrão) reclamam por exemplo do fato de que muitos coachs esportivos que reivindicam uma aceitação do corpo apresentam silhuetas perfeitas, enquanto as influenciadoras que usam o hashtag #bodypositive no Instagram raramente vestem manequim acima de 40.

Além disso, continua o texto, há quem diga que esse fenômeno valoriza apenas as gordinhas sexy, excluindo aquelas que não entram em um padrão “aceitável”. Sem contar que muitas marcas investiram o conceito de forma nem sempre honesta. “Mas as que são apenas oportunistas se expõem às criticas”, ressalta a revista, lembrando que o exemplo da marca de lingerie francesa Princesse tam-tam, que lançou uma coleção “para todas”, mas que disponibilizava peças que iam apenas até o manequim 44.


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