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França

Festival de Avignon 2019: o teatro se inspira no passado europeu para questionar o futuro do continente

media O Festival de Avignon acontece de 4 a 28 de julho. Fotomontagem RFI/ Fotos de De Lage/Muzard/Stam/Camacho

A conturbada história do velho continente e seus desafios atuais, como a crise migratória e a ascensão dos nacionalismos e da intolerância, estão no centro da programação do 73°edição do maior festival de teatro da França, que começa nessa quinta-feira (4) no sul do país.

Para abordar o presente, os dramaturgos se inspiram em textos clássicos como a Odisseia de Homero, fio condutor do espetáculo da carioca Christiane Jatahy, um dos destaques do Festival.

Entre os questionamentos de cerca de 40 peças da programação oficial, as razões do enfraquecimento das potências democráticas, o fim das utopias e as alternativas para o futuro. A peça inaugural, “Architecture” de Pascal Rambert, encenada como é tradição no suntuoso Palácio dos Papas, parte da história da decadência de uma família de pensadores e artistas na Viena no início do século 20, destruída por violências e conflitos, em plena ascensão do nazismo. Uma metáfora do que ocorreu com a Europa no século 20.

Estimular o debate

Uma das características marcantes da curadoria desse ano é a escolha de autores e diretores franceses, relativamente jovens, que utilizam a História como ponto de partida de seus textos. Não se trata de um “teatro documentário”- muito presente em Avignon nos últimos anos – e sim de um teatro contemporâneo que se alimenta do passado para estimular o debate das questões do presente.

O diretor Laurent Gaudé, apresenta o espetáculo “Nous, l’Europe, banquet des peuples” (Nós, a Europa, banquete dos povos – em tradução livre), adaptação do seu livro homônimo, que retraça as etapas da construção europeia a partir de 1848. Catorze atores e atrizes e 40 cantores amadores do coro da Ópera de Avignon atravessam os países e os eventos políticos do velho continente durante mais de um século. Um canto nostálgico da utopia que construiu a Europa e que se perdeu com o tempo. O encenador convida os espectadores a um “grande banquete da esperança”.

O jovem autor e diretor francês Clément Bondu, de 31 anos, reúne num quarto de hotel os “exilados do mundo” no espetáculo “Dévotion, dernière offrande aux dieux morts” (Devoção, a última oferenda aos deuses mortos, em tradução livre). Uma peça cheia de referências literárias e cinematográficas do continente, “uma maneira de convocar os fantasmas da Europa” – como ele mesmo define a sua proposta.

Também autora e diretora, a romena radicada na França, Alexandra Badea, centraliza a sua peça “Points de non-retour” (Pontos sem retorno, em tradução livre) no colonialismo francês, na Guerra da Argélia e no massacre dos argelinos em 1961 em Paris. Badea se inspirou no que ela chama de “zonas sombrias da História da França” para criar esse espetáculo que transforma o teatro “em um lugar de reconciliação”, segundo ela.

“Odisseia” de Christiane Jatahy cria expectativa

A brasileira Christiane Jatahy sai das fronteiras da Europa para abordar a questão dos refugiados. Ela apresenta em Avignon o espetáculo “O Agora que Demora”, segunda parte do seu projeto “Nossa Odisseia “, para o qual ela percorreu vários continentes filmando e recolhendo testemunhos de refugiados. Durante seis meses ela viajou pela Palestina, Líbano, Grécia e África do Sul, finalizando sua “epopeia” com os Kayapós na Amazônia brasileira.

Inspirando-se no poema épico do século 9 a.C, do grego Homero, Jatahy foi em busca dos “Ulisses modernos” que relatam suas histórias de exílios. Ela parte de um texto ancestral, que conta as aventuras do herói Ulisses em sua viagem de retorno à Ítaca após a Guerra de Troia, para fazer uma reflexão sobre a nossa relação com o exílio, com a liberdade e com a alteridade.

Presente na cena europeia de vanguarda, a brasileira utiliza mais uma vez o recurso da mistura da linguagem teatral e cinematográfica. A peça, que estreou na capital paulista em abril passado, foi coproduzida pelo Sesc SP e pelo Teatro Nacional de Bruxelas. A primeira parte de seu projeto – que é a peça “Ítaca” – fez uma temporada de sucesso no ano passado no Teatro Odéon de Paris. “O Agora que Demora” é um dos espetáculos mais aguardados do Festival de Avignon

Partindo também da Odisseia e da interminável viagem de Ulisses, a francesa Blandine Savetier cria para essa edição do Festival uma espécie de série teatral dividida em 13 episódios de 50 minutos cada um, encenadas ao ar livre em um dos jardins da cidade medieval. A diretora propõe ao público a epopeia de Homero rodeada de suspense. Buscando uma “diversidade de vozes”, à imagem e semelhança do herói Ulysses, popular e mítico, ela mistura artistas profissionais e amadores da região.

Além da programação oficial, o Festival inclui também o circuito paralelo, o chamado Avignon Off, que conta com um número cada vez maior de espetáculos de todos os gêneros. Para essa edição, participam 5920 artistas em 1592 espetáculos. A previsão é de que cerca de 3,5 milhões de ingressos sejam vendidos esse ano.

O Festival de Avignon acontece de 4 a 28 de julho.

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