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Empregados LGBT se organizam cada vez mais nas empresas francesas

Empregados LGBT se organizam cada vez mais nas empresas francesas
 
Matéria publicada na L'Obs apresenta associações LGBT nas empresas francesas Fotomontagem RFI

Nesse fim de semana de Parada do Orgulho Gay na França e de comemoração dos 50 anos da revolta de Stonewall, marco da militância da comunidade homossexual nos Estados Unidos, a revista francesa L’Obs traz uma matéria de duas páginas sobre a inclusão de empregados LGBTQI+ nas empresas do país. A reportagem mostra que é cada vez maior o número de associações de defesa e iniciativas contra a discriminação.

O texto começa relatando o trabalho da associação Flag, grupo que representa os policiais LGBT na França. A entidade tem uma ação de sensibilização nas delegacias e nos quarteis do país e tenta não apenas banalizar a presença de gays, lésbicas e pessoas trans na corporação, como também preparar os funcionários para o atendimento adequado em casos de queixas de discriminação e agressões de cunho homofóbico e transfóbico.

Além dos serviços públicos, L’Obs apresenta uma série de empresas privadas francesas que deram espaço para a criação de associações de funcionários LGBT, seguindo um conceito já desenvolvido no mundo anglo-saxão. A França criou até o seu primeiro prêmio para os 60 executivos de alto escalão mais implicados na causa no mundo corporativo.

Fazem parte do projeto, diretores de empresas como a montadora aérea Airbus, a rede de imobiliárias Foncia, ou ainda gigantes da tecnologia, como IBM e Accenture. Segundo os envolvidos na iniciativa, explica a revista, o objetivo é mostrar a presença de personalidades que provem ser possível ter uma carreira de sucesso sem ter que esconder sua orientação sexual ou sua identidade de gênero.

Empresas podem ser multadas

Mas a reportagem explica que essas iniciativas não existem apenas por uma questão conscientização das empresas. O mundo corporativo teme os três anos de prisão e os € 45 mil de multa aos quais são sujeitos qualquer forma de discriminação ligada a orientação sexual, à identidade de gênero ou a soropositividade na França. Além disso, continua L’Obs, “uma empresa tem a obrigação de garantir a segurança de seus funcionários diante dos riscos de assédio e deve provar que ela implementou as medidas de prevenção necessárias”.

O banco BNP Parisbas foi condenado a pagar uma multa de € 600 mil euros a um empregado, que se considerava vítima de discriminação na distribuição de bônus. Após o processo, a empresa implementou uma série de iniciativas e chegou a enviar uma delegação para o Gay Games, como prova de seu engajamento na causa LGBT. O banco também faz parte das 120 instituições que assinaram uma carta na qual se comprometem na luta contra discriminação.

Mas a reportagem também traz algumas estatísticas que mostram que ainda há um longo caminho pela frente. Segundo uma pesquisa anual da associação SOS Homofobia, 11% dos atos homofóbicos registrados na França em 2018 aconteceram no ambiente profissional. Além disso, um quarto dos homossexuais consultados constaram uma deterioração de suas relações profissionais após terem anunciado sua orientação sexual ou identidade de gênero. E mais da metade afirma não ter recebido nenhum apoio da empresa ou de seus superiores hierárquicos, aponta a revista francês L’Obs.


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