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França

Paris acolhe órfãos de jihadistas franceses

media Carros transportam órfãos de jihadistas após aterrissagem no aeroporto de Vélizy-Villacoublay Geoffroy VAN DER HASSELT / AFP

Doze órfãos franceses oriundos de famílias jihadistas, que estavam em campos de deslocados no nordeste da Síria, chegaram a Paris nesta segunda-feira (10). Eles foram entregues aos serviços sociais.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, as 12 crianças, "todas órfãs, isoladas e particularmente vulneráveis", haviam sido entregues pelas autoridades curdas na Síria no domingo (9) a uma delegação francesa. Ainda segundo Paris, a mais velha do grupo tem apenas dez anos e algumas delas estão "doentes e desnutridas". Dois órfãos de pais holandeses, que retornaram ao mesmo tempo, também foram entregues a representantes da Holanda.

O Ministério francês das Relações Exteriores agradeceu a cooperação das autoridades sírias, que tornaram a operação possível. “A decisão foi tomada diante da situação dessas jovens crianças, que estavam particularmente vulneráveis”, declarou a diplomacia francesa em um comunicado.

Segundo grupo de filhos de jihadistas

Os órfãos estavam vivendo em dois campos controlados pelas forças curdas, onde foram acolhidas milhares de pessoas que fugiram das ofensivas contra a última fortaleza do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) na Síria. De acordo com o procedimento padrão criado excepcionalmente para essa situação, os 12 expatriados foram deixados no serviço de proteção da infância, sob autoridade do procurador da República e da proteção judiciária da juventude. Eles também devem passar por exames médicos.

Esse é o segundo grupo de filhos de jihadistas que são expatriados numa operação do Ministério francês das Relações Exteriores. No dia 15 de março, cinco crianças foram trazidas para a França.

As autoridades curdas administram no nordeste da Síria vários campos de deslocados superlotados, especialmente o de Al-Hol, onde as condições de vida são precárias. Para aliviar a pressão no campo de Al-Hol, os curdos permitiram no início de junho que cerca de 800 mulheres e crianças sírias voltassem para suas casas.

De acordo com o Quai d'Orsay (diplomacia da França), cerca de 450 cidadãos franceses ligados ao grupo EI – homens, mulheres e crianças – estão presos ou em campos de deslocados internos na Síria.

Franceses condenados à morte

A situação dos adultos é mais complexa. Paris se recusa a repatriar e julgar seus cidadãos ligados ao grupo EI detidos no Iraque ou na Síria. Onze franceses afiliados aos jihadistas foram transferidos no começo do ano da Síria para o Iraque, onde foram recentemente condenados à morte.

Contrária à pena capital, a França assegura que intervém para impedir que seus cidadãos sejam enforcados, embora ressalte que seus julgamentos foram realizados "em boas condições".

(Com informações da AFP)

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