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França

Le Monde questiona se Brasil de Bolsonaro corre risco de se tornar uma “idiocracia”

media Le Monde diz que Bolsonaro “tem uma obsessão por temas fálicos, em detrimento do avanço nas reformas cruciais”. REUTERS/Adriano Machado

O jornal francês Le Monde publicou em seu site nesta sexta-feira (7) uma reportagem realizada pela correspondente no Brasil, que destaca o debate recente sobre a inteligência de Jair Bolsonaro. O vespertino fala do “caos alimentado pelo presidente”, que “tem uma obsessão por temas fálicos, em detrimento do avanço nas reformas cruciais”.  

A correspondente parte da polêmica lançada pelo artigo publicado em 31 de maio no jornal Folha de S.Paulo, de Hélio Schwartsman, intitulado “Bolsonaro é inteligente?”. Segundo Le Monde, essa questão, “colocada de maneira brutal e sem precaução semântica”, é uma pergunta que “atormenta a intelligentsia brasileira há meses”.

A jornalista relata que, desde que tomou posse em 1° de janeiro, Bolsonaro “alimenta polêmicas fúteis e vulgares nas redes sociais” e relembra episódios como o vídeo do Golden Shower no twitter, ou ainda a preocupação do chefe de Estado com o suposto risco de amputação do pênis por falta de higiene. “Diante de uma oposição inexistente, Bolsonaro faz sua oposição sozinho, dando a impressão de explodir seu próprio mandato”, afirma a correspondente.

39% dos brasileiros duvidam da inteligência do presidente

Le Monde tenta analisar a situação e se questiona: “será que trata-se de uma estratégia pensada ou o chefe de Estado se deixa guiar pelos temas aos quais é confrontado conforme eles surgem ?” Sem ter uma resposta concreta, o vespertino lembra que as pesquisas de opinião já começam a levar em conta a capacidade intelectual de Bolsonaro. A reportagem reproduz os números de um estudo da Datafolha segundo a qual 39% dos brasileiros duvidam da inteligência do presidente.

A correspondente continua relatando a declaração de Olavo de Carvalho – apresentado como o guru intelectual de Bolsonaro – que lançou no Twitter a hipótese de que a Terra seria plana. Esse tipo de declaração, continua a jornalista, certamente “reforçou as interrogações sobre a bagagem intelectual do chefe de Estado”, e o risco de que o Brasil esteja “ao ponto de cair em uma idiocracia”. A expressão, explica Le Monde, faz referência ao texto de ficção científica homônimo, “que deriva de uma sociedade movida pelo anti-intelectualismo, o mercantilismo e a degradação do meio ambiente”.

Bolsonaro bem abaixo da média

“Bolsonaro é inculto, mas é esperto”, afirma o filósofo José Arthur Giannotti nas páginas do Le Monde. Mas “é delicado medir a noção de inteligência”, pondera o psicanalista Christian Dunker, também citado pela correspondente.

Dunker explica que vários critérios podem ser levados em conta quando se fala de inteligência. No entanto, continua o psicanalista, “se nos concentrarmos nas qualidades esperadas de chefe de Estado, como a capacidade de se integrar em um contexto institucional, distinguir a esfera pública da esfera privada ou a inteligência verbal, mostrando o domínio de um linguajar tácito ou explicito, Bolsonaro é, de forma evidente, bem baixo da média”, avalia Dunker. E para aqueles que falam de algo arquitetado para se substituir à oposição, o psicanalista defende: “se há alguma estratégia dentro do governo, ela vem certamente de seus próximos e não dele mesmo”.

Independentemente de ser uma postura estratégica ou fruto de uma suposta incapacidade intelectual real, Le Monde avalia que por enquanto nada está funcionando. “A economia patina, os escândalos de corrupção continuam alimentando a imprensa, a esperada reforma da aposentadoria, que deveria aliviar as contar públicas, não avança, e a popularidade do chefe de Estado despenca”, conclui a correspondente do principal jornal francês.

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