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França

Bacurau em Cannes: “Prêmio é resposta para quem diz que Brasil tem outras prioridades”

media Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (e) com o prêmio do juri de Cannes REUTERS/Regis Duvignau

Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles conversaram com a imprensa logo após o anúncio do prêmio do júri de Cannes entregue ao filme “Bacurau”. Para os diretores, o reconhecimento do festival francês é uma mensagem para lembrar da importância do cinema para o Brasil.

Enviado especial a Cannes

Após receberem o prêmio, compartilhado com o francês Ladj Ly, diretor do filme “Les Misérables”, os brasileiros comentaram a decisão do júri. Para Mendonça, a honraria “chega num momento maravilhoso do ponto de vista de expressão artística para falar sobre o Brasil”. O cineasta defende que “Bacurau” mostra um lado do cinema brasileiro menos conhecido.

Já Dornelles disse que o prêmio chegou num momento importante do ponto de vista social no Brasil, “pois nós estamos lidando com uma espécie de perseguição aos artistas, aos educadores e cientistas”. O diretor já havia feito várias declarações acusando o governo brasileiro de colocar obstáculos no mundo das artes, principalmente após os anúncios de cortes no orçamento da cultura do país.

“Esse prêmio é uma bela resposta irônica para aqueles que acham que o que a gente faz não é necessário, não é importante ou não deve ser feito porque o país tem outras prioridades”, lançou Dornelles. “Eu discordo disso completamente, porque a educação e a cultura são prioridades e sempre foram. São a identidade de um país. Além disso, o cinema gera empregos e traz comida na mesa das pessoas, assim como a educação e a ciência”.

O Brasil participou do 72° Festival de Cannes com sete filmes, entre produções e coproduções.

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