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França

Milhares de estudantes marcham pelo clima buscando influenciar eleições europeias

media Jovens ostentam cartazes contra as alterações climáticas durante o protesto das "sextas-feiras" pelo clima, em Paris, no dia 24 de Maio de 2019, no âmbito da campanha mundial da juventude para as eleições europeias. Alain JOCARD / AFP

Milhares de estudantes saíram às ruas de várias cidades da Europa nesta sexta-feira (24) para marchar pelo clima. Em Paris, quase 15 mil jovens se reuniram na frente da Ópera. A dois dias das eleições europeias, vários candidatos desfilaram ao lado dos manifestantes.

No mais recente movimento a favor da luta contra a mudança climática, que começou com o apelo da jovem sueca Gréta Thunberg e que cresceu após a ação “Youthforclimate”, lançada no último dia 15 de março, os manifestantes querem influenciar os votos que acontecerão até domingo em vários países da Europa.

“Um, dois e três graus a mais, isso é um crime contra a humanidade”, gritavam os estudantes nas ruas de Paris. “Chegou a hora de se mexer e de tentar fazer com que as pessoas acordem. Muitos pensam que a ciência irá nos salvar, só que não”, explicou Solveig, de 17 anos. “Eu penso que até agora o engajamento não foi suficiente. É nosso futuro que está em jogo, e as pessoas não se tocam. No meu dia a dia, tento mudar os hábitos da minha família, mas vejo que os políticos não parecem medir a urgência da situação”, completou a adolescente Alyona.

Um ato de desobediência civil foi organizado por estudantes do ensino médio que foram até o prédio da subprefeitura do 19º distrito e roubaram um quadro com o retrato do presidente Emmanuel Macron que estava exposto em uma sala de cerimônias. A ação faz parte do apelo “Retirem Macron”, que convida a sequestrar os 120 retratos do presidente da República das prefeituras em todo país. Até o momento, 40 já foram subtraídos.

Cientistas apoiam a marcha pelo clima

Mais de 130 cientistas deram seu apoio ao movimento dos jovens pelo clima. “Nós, cientistas, somos solidários com os estudantes que estão se mobilizando. Como não se preocupar com o futuro do mundo? ”, alertou a climatologista Valérie Masson-Delmote, juntamente com outros pesquisadores do Instituto Pierre Simon Laplace (ISPL), especializado em ciências do meio ambiente.

“Há mais de 30 anos, o Grupo de Especialistas Intergovernamentais sobre a Evolução do Clima (GIEC) e inúmeros estudos científicos alertam sobre a importância da mudança climática (...), mas nada muda”, lamentou Masson-Delmote. “Em nosso país, onde o acordo de Paris foi assinado, algo altamente simbólico, os compromissos não foram respeitados”, completou.

“Apoiamos a mobilização das jovens gerações, que vão estar confrontadas a um mundo mais difícil, tudo por causa da inércia de hoje”, afirmaram os cientistas, que se disseram “disponíveis para ajudar a causa com toda expertise e conhecimentos necessários”.

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