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Índios vão a Paris denunciar Bolsonaro como "inimigo número 1" dos povos indígenas

Índios vão a Paris denunciar Bolsonaro como O Congresso Mundial de Hidroeletricidade, organizado em Paris, foi palco de protesto de ambientalistas contra barragens. RFI

Uma conferência sobre energia hidráulica em Paris, nesta terça-feira (14), virou palco de um protesto contra hidrelétricas e barragens, acusadas de causarem danos ao meio ambiente e às populações indígenas. Cerca de 100 manifestantes se instalaram na porta do evento e aproveitaram para também denunciar a política ambiental do governo de Jair Bolsonaro, que desmonta os organismos de controle e ameaça a demarcação de terras indígenas.

Índios mundurukus vieram do Brasil para participar. “O presidente Bolsonaro é o inimigo número 1 dos povos indígenas, dizendo que não vai demarcar nenhuma terra indígena, ao bloquear 95% dos recursos do meio ambiente e não querer proteger a Amazônia”, afirmou Andressa Munduruku, porta-voz do grupo. “A gente precisa de ajuda do mundo todo sobre o que está acontecendo. Se ele nos exterminar, ele vai acabar com os animais, com a água e com toda a vida que tem na floresta.”  

Exploração de terras indígenas

Desmatamento, hidrelétricas, ferrovias e plantações de soja. As ameaças aos territórios mundurukus, no rio Tapajós, sempre foram muitas – mas, agora, parecem ser ainda graves. Bolsonaro é favorável à exploração das terras indígenas pela mineração e a agropecuária.

“Eu não sei o que acontece na cabeça dele. Não sabemos por que ele não gosta de nós. Por isso que a gente veio de tão longe para reivindicar. Os mundurukus, as mulheres, os pajés, as crianças: não vamos deixar que acabem com o nosso território”, ressaltou.

O protesto foi realizado por organizações internacionais como Planète Amazone, International Rivers e Rivers Without Boundaries, diante do Arco de la Défense, bairro financeiro de Paris onde acontecia o Congresso Mundial da Hidroeletricidade. O evento é promovido pela International Hydropower Association (IHA), que reúne os maiores atores da indústria de barragens.

Os manifestantes pediram para companhias francesas EDF e Engie pararem de construir barragens no rio Tapajós. As gigantes francesas da energia já finalizaram a hidrelétrica de Sinop, na Amazônia, que entrou em operação em janeiro.

Gert Peter Bruch, fundador da Planète Amazone, declarou que os ambientalistas foram recebidos pela EDF. A companhia respondeu que, “se não fossem eles, uma empresa chinesa” estaria executando os projetos.

Protesto pedindo a interrupção da construção de barragens no rio Tapajós RFI

“As barragens compilam tantos crimes, irregularidades e mentiras. A principal mentira é que as hidrelétricas são contra o aquecimento global e produzem uma energia verde e limpa. Estamos aqui para mostrar que é uma energia que derrama sangue em todo o mundo”, explicou Bruch. “No Brasil, por exemplo, tem a energia eólica que poderia ser mais desenvolvida. Vocês têm ventos muito fortes, que poderiam ser uma alternativa.”

Mortes de lideranças contra as barragens

Os mundurukus esperam ser recebidos pelas companhias nos próximos dias. “As usinas hidrelétricas têm impacto muito grande. A do Teles Pires, onde está a empresa EDF, é responsável por destruir locais sagrados dos mundurukus”, disse Andressa. “Trouxemos uma carta para as empresas, para reivindicar que elas não construam mais nenhuma barragem na nossa Amazônia.”

O protesto aconteceu durante o Congresso mundial de hidroeletricidade RFI

O combate às hidrelétricas e barragens já deixou vítimas em vários países latino-americanos. Os mortos foram lembrados no protesto em Paris. A última foi a de Dilma Ferreira Silva, coordenadora regional do Movimento dos Atingidos por Barragens no Pará, assassinada em março. As investigações da Polícia Civil apontam o fazendeiro Fernando Ferreira Rosa Filo como mandante do crime.

Juan Pablo Soler Villamizar, do Movimento Rios Vivos, da Colômbia, ressaltou que “água é sinônimo de vida, não de morte”. “As barragens da América Latina estão manchadas de sangue pelos assassinatos das lideranças indígenas e povos garimpeiros e camponeses, que estão sendo deslocados de suas localidades”, ressaltou.  

Militantes assassinados, como Dilma Ferreira Silva, foram lembrados no protesto. RFI

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