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França

Um “couchsurfing” só para mulheres? Brasileiras comentam nova ferramenta francesa

media La Voyageuse coloca em relação mulheres que viajam sozinhas com pessoas confiáveis de todo o mundo através de um serviço único e seguro de compartilhamento de acomodações. Pixabay

Na Europa, a experiência é conhecida e apreciada de todos os “globe-trotters”, como são chamados os viajantes solitários em busca de novas aventuras em torno do globo. “Dormir na casa de moradores locais é, sem sombra de dúvida, uma das melhores maneiras de descobrir uma nova cultura, um novo país ou mesmo um novo continente”, afirma a taiwanesa Christina Boixière-Chu, 36, criadora do La Voyageuse (A Viajante, em português), plataforma de viagens exclusiva para mulheres que gostam de explorar o mundo sozinhas. Brasileiras que costumam viajar utilizando serviços como o Couchsurfing, por exemplo, divergem no entanto em relação à nova ferramenta. Elas contaram em entrevista à RFI suas primeiras impressões sobre a plataforma.

O site La Voyageuse.com, espécie de couchsurfing exclusivo para mulheres, lançado oficialmente por Christina Boixière-Chu em abril de 2019, na França, vem cobrir uma lacuna importante na experiência de viajantes que se aventuram sozinhas em rotas variadas pelo planeta: a segurança na hora de dormir na casa de estranhos, ou de receber estrangeiros em sua residência, especialmente se eles forem do sexo masculino.

Atualmente 350 anfitriãs francesas, inscritas na ferramenta, abrem as portas de suas casas às viajantes solitárias de todo o mundo. A inscrição anual custa € 119 (cerca de R$ 530), mas o serviço é gratuito. Segundo a Organização Mundial do Turismo, o número de turistas mulheres solitárias aumentou de 59 milhões para 138 milhões, apenas entre 2014 e 2017.

As anfitriãs do recém-lançado La Voyageuse são compostas em 100% pelo público feminino, que se inscreve no aplicativo para acolher outras mulheres em suas residências, garantindo a tranquilidade das turistas. A experiência se inspira, é claro, no site norte-americano Couchsurfing (Surfando no sofá, em tradução livre), conhecido de 10 entre 10 viajantes solitários do planeta. A ideia é simples: ao dormir num cantinho da casa de um morador (ocasionalmente, um sofá), as chances e as possibilidades de viver experiências mais autênticas e reais podem aumentar consideravelmente. Os turistas compartilham não apenas um espaço na sala de seu cicerone, mas também seus hábitos, sua visão de uma cultura e seus pontos turísticos favoritos. Experiências e anfitriões são avaliados posteriormente através de um sistema de notas online, muito conhecido por usuários de serviços 3.0, como o Uber e o AirBnb.

No serviço no La Voyageuse, todos os perfis de mulheres inscritas são conferidos, com verificação da cédula de identidade, do endereço residencial e dos documentos enviados, mas também por telefone: uma entrevista é essencial para completar a inscrição no aplicativo criado por Boixière-Chu. “Fazer as mulheres se emanciparem, é isso que me motiva. A viagem inspira a liberdade e a independência, fazemos frequentemente descobertas maravilhosas que nos transformam para sempre, declarou a taiwanesa à imprensa francesa. Estatísticas mostram que as mulheres orientais são as mais receosas na hora de se lançarem em projetos turísticos solitários.

O serviço da nova ferramenta é gratuito, como no Couchsurfing. Pixabay

Antes da aventura do La Voyageuse, Christina, que mora em Bordeaux, no sul da França, acumulou uma experiência de 17 anos viajando sozinha, estilo mochileira. A plataforma é projetada especialmente para “tranquilizar” as mulheres. “Acho que as asiáticas têm mais medo de viajar por causa da língua”, analisa a brasileira Bárbara Brecht Pocciotti, guia turística e diretora de turismo que mora há quatro anos em Paris. “As mulheres brasileiras são um pouco mais corajosas. Por outro lado, acho que nós não temos uma cultura muito forte de viagem. Sinto que não temos essa coisa de querer estar sempre viajando. E quando a brasileira viaja, ela quer sempre uma companhia. Você não vê muitas brasileiras viajando sozinha”, afirma.

“Existe a falta de cultura da viagem, mas também a falta de conhecimento dessas ferramentas das quais podemos desfrutar, como o próprio Couchsurfing e o aplicativo de carona, o Bla Bla Car. Existe também um pouco de medo de viajar sozinhas, por não terem tido muitas experiências”, diz Pocciotti.

A guia turística aprova a iniciativa da nova plataforma francesa. “Acho uma boa. Justamente, uma das maiores preocupações de mulheres que fazem couchsurfing é a segurança. Mas, ao mesmo tempo, essa questão nunca me impediu de realizar esse tipo de turismo. A partir do momento em que você pode ver os reviews [notas no sistema] dos anfitriões, no caso, dos homens, isso dá um pouco de tranquilidade pra gente, como também acontece no AirBnb, e mesmo em hotéis”, contemporiza.

“Para mim é mais difícil avaliar, porque sou do tipo que me laço facilmente neste tipo de aventura”, diz Bárbara. Mas sei, por exemplo, que existem brasileiras que nunca viajaram sozinhas. Quem dirá dormir no sofá na casa de um homem [desconhecido, em um país estrangeiro]. Sempre dá um medinho, principalmente quando o anfitrião é homem, e a maioria o é, porque também tem este lado: sendo homem, é muito mãos fácil receber as pessoas, do que uma mulher abrir o apartamento para um desconhecido homem, por exemplo”, conta. “É diferente, a gente não se sente segura. Mas a maioria dos anfitriões são homens, sempre fiquei na casa deles. Uma experiência muito legal que tenho para contar foi na Noruega, numa grande casa de estudantes, e os caras fizeram churrasco, eles me levaram para a apresentação de trabalhos deles na escola, foi muito interessante. Só homens”, relata.

“Acho que poderia ajudar as mulheres a viajarem mais, porque mesmo o custo fica mais baixo, uma vez que a gente tira do orçamento a hospedagem, geralmente um item muito caro da viagem”, analisa. “Não só na Europa, mas nos Estados Unidos, se você vai para Nova York, São Francisco, Los Angeles, é muito caro! E esse tipo de plataforma salva a vida da gente, já me aconteceu de ter minha reserva subitamente cancelada em um hotel, e, fui ajudada pelas pessoas via Couchsurfing, é um sistema onde as pessoas ajudam as outras, acho isso interessante”, diz.

Experiências esquisitas

No entanto, nem tudo são flores no país dos sofás alheios. Bárbara Brecht Pocciotti conta que já usou muito esse estilo de turismo, “mais quando eu era mochileira, hoje posso pagar”, diz, entre risadas. A experiência mais “estranha” que ela teve, foi, no entanto, na Dinamarca. “Em Copenhague, o anfitrião que escolhi, muito bem cotado no sistema, me passou o endereço. Quando cheguei na casa dele, ele me avisou que havia recebido uma menina em urgência, que não teve coragem de dizer não porque senão ela dormiria na rua. Ela já estava dormindo e, segundo ele, ele não queria fazer barulho enchendo o colchão de ar, então disse que eu deveria dormir na cama com ele. Eu gelei”, lembra.

“Como dormir na cama com um estranho que nunca vi na vida? Dormi de roupa, nem me troquei, graças às inúmeras boas notas e comentários que ele tinha no sistema. Fiquei num canto da cama morrendo de medo, mas foi tudo tranquilo. No dia seguinte, fui pra sala. Era tudo aberto, ele dava a chave e tudo. Faltou um pouco de comunicação, porque o legal no couchsurfing é você se relacionar com o lugar através das pessoas”, analisa.

A professora de português Joseane Moura, também brasileira, mora em Paris e utiliza esse estilo de viagem há mais de sete anos. “Sempre usei e continuo usando. Sempre que viajo, uso, aliás. Gosto do modo de vida, para mim é muito mais do que uma troca de hospedagens, é um estilo de vida, é uma maneira de viajar”, avalia. “Acredito bastante no perfil desta comunidade. Viajo bastante sozinha. Acho importante ter medo, para tomar algumas precauções. Confesso que a maioria das vezes que me hospedei foi com homens, porque a oferta de meninos é muito maior. Pela própria segurança, acho que mulheres tendem a ter mais medo”, diz.

“Já fiz couchsurfing em países que são considerados problemáticos, como a Índia, o Marrocos”, relata. “A única experiência negativa que tive foi na minha última noite no Marrocos. Fui dormir na casa de um anfitrião que tinha mais de 300 críticas positivas no site e, quando cheguei na casa dele, ele morava com outros três caras. Cheguei à noite e eles iam fazer uma festa, e o cara não me avisou”, conta a professora.

“Eu disse que não me sentia confortável com a situação e ele mesmo agendou um hotel, por volta de 22h, na cidade dele. Fui para o hotel no dia seguinte nos encontramos, ele me apresentou a cidade. Uma outra vez, em Paris, recebi um francês que dizia que era do mundo do teatro, mas que não sabia me dizer um endereço básico de um teatro conhecido. Desconfiei e decidi pagar uma noite de hotel para ele, porque havia aceito que ele dormisse em casa, mas não me senti confortável. Nesses casos, é sempre bom ouvir a intuição”, conta Joseane.

Quanto à nova plataforma francesa, exclusiva para mulheres, a brasileira acha “restritiva”. “Eu utilizaria a ferramenta, com certeza, mas acho uma experiência restritiva, e não acho que substitui a plataforma que hoje já existe [com anfitriões homens]”, avalia Joseane. “Seria uma outra opção. É claro que existem mulheres que ficam muito mais confortáveis apenas com mulheres e por isso será maravilhoso ter essa opção, mas eu particularmente não deixarei de usar o Couchsurfing e não deixaria de me hospedar na casa de algum menino, por causa do seu perfil, do que ele tem para me dizer ou me mostrar, independentemente de ser homem ou mulher”, afirma a professora brasileira. “Não é o conforto do lugar nem o sexo da pessoa que fazem a gente se decidir por um anfitrião neste tipo de plataforma, mas a experiência de vida dele, o que tem para compartilhar, para nos oferecer”, conclui a sergipana.

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