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França

Profissionais pedem "prudência" na reconstrução de Notre Dame, que Macron pretende acabar em 5 anos

media Operários trabalham na proteção do prédio da catedral, nesta segunda-feira (29) REUTERS/Gonzalo Fuentes

Em um artigo publicado no jornal Le Figaro nesta segunda-feira (29), 1.070 restauradores, arquitetos e professores dizem estar preocupados com o prazo determinado pelo governo para reconstruir a catedral Notre-Dame e pedem “calma” ao presidente francês, Emmanuel Macron. O monumento foi parcialmente destruído em um incêndio, no dia 15 de abril.

O projeto de lei foi adotado em caráter excepcional no Conselho de Ministros francês e não obriga a entidade criada para reconstruir a catedral a respeitar as regras de proteção do patrimônio e “ outras prerrogativas legais”. O objetivo é facilitar a execução da obra. A decisão provocou surpresa e causou preocupação entre os profissionais do setor em todo o mundo.

No texto, os profissionais lembram que a catedral não é somente um monumento dos “católicos, parisienses, franceses ou europeus”, mas um legado para a humanidade que deve ser protegido. “Essa proteção só pode existir acompanhada de uma deontologia que se impõe a todos que trabalham para a conservação e a restauração desses monumentos”, diz.

A catedral é protegida desde 1862 por uma legislação específica aos monumentos históricos. Quase um século depois, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) também incluiu a Notre-Dame na lista do Patrimônio Mundial da Humanidade, que define critérios de preservação precisos.

Operação dos bombeiros evitou queda da catedral

A França é pioneira na questão e é signatária da Carta de Veneza, elaborada em 1964, que define regras internacionais para as operações que envolvem a conservação, a restauração e a reconstrução dos monumentos, ainda que parcialmente. “A excelência da França na área patrimonial pôde ser constatada na intervenção exemplar dos bombeiro na Notre-Dame, cuja ação permitiu evitar um desastre pior, e também nas ações que permitiram a evacuação de várias obras de arte durante a semana que sucedeu o incêndio.Temos consciência de ter escapado de um desastre maior: a queda da catedral e com ela os 850 anos de história que conserva”, lembra o texto.

Infelizmente, lembram os profissionais, essa excelência francesa na gestão do patrimônio foi esquecida pelos governos anteriores, que diminuíram os recursos dedicados ao setor. Os fundos votados pelo Executivo tiveram queda entre 2010 e 2012, antes de se estabilizarem em 2013. “Há muito tempo os alertas se multiplicam sobre a insuficiência orçamentária e sobre o privilégio dado às reformas urgentes, como a que ocorrerá na Notre-Dame, em detrimento de medidas preventivas”, sublinha o texto.

“Sabemos que o calendário político incita a agir rapidamente e sabemos como a imagem de uma Notre-Dame mutilada pesa sobre a França. Entretanto, a importância dessa reforma ultrapassa mandatos políticos e gerações”, cita a o artigo. "É preciso esperar pelo diagnóstico do canteiro de obras, dando o tempo necessário para que a reconstrução da Notre Dame seja feita como se deve", afirmam os signatário.

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