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Coquetéis molotov e aplicativos que distorcem vozes: como os coletes "ultra-amarelos" planejam a "revolução"

Coquetéis molotov e aplicativos que distorcem vozes: como os coletes
 
Black blocs atacam agência bancária durante 18° ato dos "coletes amarelos", em Paris. REUTERS/Philippe Wojazer

Os "coletes amarelos" que viraram black blocs, manifestantes ultraviolentos que depredam o patrimônio público e símbolos do capitalismo, como agências bancárias, além de assediar policiais nos protestos, são tema de uma reportagem da revista L'Obs.

Dois jornalistas da publicação semanal francesa – Emmanuelle Anizon e Tomas Statius – acompanharam durante semanas um grupo de manifestantes que descambou para a violência. Alguns afirmam estarem dispostos a morrer pela "revolução", como passaram a chamar a causa dos "coletes amarelos". A maioria são franceses que antes de novembro passado nunca tinham participado de movimentos sociais, mas foram seduzidos pelos métodos de luta aprendidos na convivência com radicais de extrema esquerda.

O empreiteiro Marc, dono de uma empresa que emprega 15 pessoas no setor da construção civil, é apresentado como líder de um grupo de "coletes amarelos" radicalizados, os "ultra-amarelos", como se referem as autoridades. Ele conta que aderiu à violência depois de apanhar gratuitamente da polícia num protesto ocorrido em Paris no dia 8 de dezembro.

Segundo seu relato, ele e alguns amigos guardavam os coletes amarelos no porta-malas do carro, no final de um protesto, quando policiais surgiram e espancaram gratuitamente o grupo com matracas. Marc afirma que aquele momento foi um divisor de águas. Ele criou um grupo de militantes tão revoltados quanto ele num aplicativo de mensagens e passou a agir como um "black bloc". No dia 20 de abril, Marc participou do protesto em Paris com quatro coquetéis molotov na mochila, duas granadas, um martelo e outros instrumentos cortantes.

Extremo cuidado na comunicação

Do mesmo grupo fazem parte Anne, condutora de empilhadeira e mãe de uma menina de 3 anos; Fred, um jovem cigano; um trabalhador da indústria "de olhos azuis, temperamento tranquilo e fã de pesca", que ganha salário mensal de € 1.500, não identificado na reportagem; Marie, uma manifestante que se define como não intelectualizada; e Alice, 40 anos, "dreadlocks", macacão de estampa militar, vegetariana, há 20 anos sem TV em casa, com grande experiência em outros movimentos sociais de extrema esquerda. O ponto em comum entre esses "coletes amarelos" que se tornaram "black blocs" é a crença na "revolução".

Os "ultra-amarelos" se tornaram delinquentes fascinados pelos métodos de combate da esquerda revolucionária, escreve a L'Obs, capazes de suportar 72 horas de interrogatório sem delatar companheiros de luta, de resistir sem vomitar à ingestão de gases lançados pela polícia contra eles, confiantes que chegou a hora de uma "revolução". Mesmo se, para isso, tiverem de pagar com suas vidas.

Para fugir das escutas da polícia, eles se comunicam com linhas telefônicas de Israel e possuem em seus celulares aplicativos americanos que distorcem as vozes. O fato de o movimento dos "coletes amarelos" contar com fascistas e militantes de extrema direita não os incomoda; o importante é seguir a tendência da "revolução".

São esses "ultra-amarelos" que fazem tremer as bases do governo de Emmanuel Macron.


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