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França

MP francês abre investigação após “coletes amarelos” mandarem policiais se suicidar

media Policial contém avanço de "coletes amarelos" na Praça da República, neste sábado (20), em Paris. REUTERS/Gonzalo Fuentes

O Ministério Público de Paris abriu uma investigação sobre incitações ao suicídio feitas por manifestantes “coletes amarelos” a policiais neste sábado (20). As palavras foram pronunciadas dois dias depois de um relatório revelar que um policial tira a própria vida a cada quatro dias na França, em especial depois do início dos protestos realizados em todo o país.

Na sexta-feira (18), a categoria realizou uma manifestação para pedir melhores condições de trabalho, a fim de evitar novas mortes. As duas últimas ocorreram na véspera, quando uma policial de 48 anos foi encontrada morta em sua casa, em Montpellier, e, à tarde, outro de 25 anos suicidou-se na região parisiense.

Neste sábado, durante os protestos em Paris, dezenas de “coletes amarelos” gritaram “Suicidem-se! Suicidem-se”, em direção aos policiais que participavam do esquema de segurança das manifestações. Vídeos mostrando as cenas circularam nas redes sociais.

Protesto se transformou em palco de conflito na Praça da Repáblca, em Paris 20/04/2019 REUTERS/Gonzalo Fuentes

Aumento dos casos de suicídio após “coletes amarelos”

Os conflitos entre manifestantes e policiais se tornaram frequentes desde o início do movimento, em novembro. Desde o início deste ano, 28 agentes atentaram contra a própria vida no país, contra 35 nos 12 meses de 2018.

Neste contexto, diversos sindicatos da categoria, além de políticos, exigiram medidas rigorosas para punir as declarações. O secretário nacional do sindicato Unsa Police, David Michaux, pediu que os autores sejam “identificados, detidos e condenados”. “É preciso uma resposta forte ao que aconteceu, crimes que podem ser punidos com três anos de prisão e € 45 mil de multas”, disse, à emissora France Info.

Manifestante tenta afastar policial de um "colete amarelo" caído no chão, na Praça da República. 20/04/ 2019 Anne-Christine POUJOULAT / AFP

Medidas do governo

Outro sindicato, o Alternative Police CFDT, declarou no sábado à noite que as frases são “um verdadeiro apelo ao ódio aos policiais”, enquanto o ministro do Interior, Christophe Castaner, deu “apoio total aos policiais mobilizados e às suas famílias”. A investigação aberta pelo Ministério Público é por “desacato a autoridade pública em grupo”.

Para combater o problema, o governo instalou um setor específico para monitorar a questão, além de prometer acelerar um plano de prevenção contra o suicídio de policiais, lançado no início de 2018.  Um relatório do Senado francês, publicado em junho, indicou que, na época, o índice de suicídios entre policiais era 36% maior do que o da população em geral – uma taxa que, hoje, provavelmente é superior.

Além dos conflitos com manifestantes, a pressão sobre a categoria aumentou a partir de 2015, quando os terroristas do grupo Estado Islâmico designaram os policiais como alvos na França. Desde então, vários deles foram feridos ou mortos em atentados, que muitas vezes visavam especificamente as forças de ordem.

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