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França

França tem expertise para fazer restauração idêntica da Catedral de Notre-Dame

media Catedral de Reims em 1914, após os bombardeios e depois de restaurada, em 2006 bodoklecksel / anonymous C.C

As imagens da catedral de Notre-Dame ardendo em chamas chocaram o mundo e emocionaram particularmente os especialistas em patrimônio histórico. O incêndio provocou perdas irreparáveis, mas a boa notícia é que a França está certa de poder reconstruir uma cópia idêntica do telhado que desabou. Pode levar 10, 20 ou 30 anos: a silhueta de Notre-Dame será reerguida, asseguram historiadores, arquitetos e restauradores.

O país já mostrou que não teme obras majestosas como essa em várias ocasiões na história recente. A catedral de Estrasburgo se recuperou de um violento incêndio no século 19 e de bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Há três anos, a catedral de Nantes também foi alvo de chamas no telhado, semelhante ao que ocorreu à Notre-Dame de Paris, e os trabalhos de restauração já se iniciaram.

Catedral de Estrasburgo depois do bombardeio de 1944 e agora. Archives Municipales /archi-wiki.org

O caso mais emblemático é o da reconstrução da catedral de Reims. Palco das coroações de 31 reis da França, inclusive Luis 14, o monumento foi destruído por bombardeios e incêndios na Primeira Guerra. As obras de reconstrução duraram quase 40 anos: do lado de fora ou do interior, tudo foi refeito à imagem do projeto original. A diferença está em alguns materiais utilizados, observa a arquiteta Camille Bretas, especialista em restauração do patrimônio histórico que trabalhou nas obras do Palácio de Versalhes.  

“A estrutura do telhado da catedral de Reims foi reconstruída em concreto armado. Ou seja, a estrutura não é idêntica mas a silhueta externa, a aparência, é a mesma”, indica.  

Soluções alternativas para suprir matéria-prima desaparecida

Bretas avalia que, no caso da Catedral de Notre-Dame, outras soluções técnicas terão de ser estudadas para restaurar telhado, que virou cinzas nesta segunda-feira (15). Mais de 210 toneladas de carvalho foram utilizadas para montar a estrutura original – uma matéria-prima impossível de reunir hoje em dia.  

“Com relação à experiência e savoir-faire, não resta a menor dúvida de que a França é capaz de reconstruir a catedral tal qual ela era. Por outro lado, no quesito material, não”, pontua. “Não será possível porque não existem mais troncos de árvores com as dimensões necessárias para refazer a estrutura de madeira da cobertura.”

A estrutura da Catedral Notre-Dame feita com carvalhos filmada em julho de 2018 Captura de vídeo France 2

Incêndio em catedral que “atravessou os séculos”

A restauradora ressalta que o fogo e a água sempre foram os maiores inimigos dos monumentos históricos. Benjamin Mouton, ex-arquiteto-chefe da catedral de Notre Dame, sublinha que a preocupação com o fogo permeia qualquer projeto de restauração. A famosa catedral parisiense estava em obras desde 2018, um trabalho que se estenderia até 2030.

“É claro que temíamos isso, mas jamais imaginamos, em nem um único instante, que isso poderia acontecer”, destaca o arquiteto, em entrevista à RFI. “Era um edifício que milagrosamente atravessou os séculos e tínhamos uma credibilidade para pensar que ela aguentaria sempre. Mas não: desmoronou ontem.”  

Apesar da surpresa com a violência e a rapidez com que as chamas se propagaram, Mouton também não tem dúvidas de que os trabalhos de renovação serão longos, porém de uma qualidade exemplar. Fundos não faltarão: poucas horas após o incêndio, quase € 700 milhões em doações já haviam sido anunciados.

“Os melhores profissionais estão mobilizados. Isso não vai faltar e não haverá falhas para confirmar o savoir-faire francês, em especial nessa área de sustentação de telhados e coberturas”, constata.

Ser igual por fora significa ser o mesmo prédio?

A competência técnica e os meios sofisticados para restaurar monumentos históricos danificados são incontestáveis, mas, ainda assim, muitos especialistas torcem o nariz para o resultado final. Eles argumentam que, apesar das aparências, o prédio original nunca mais será o mesmo. É o que pensa Philippe Plagnieux, professor de história da Idade Média da Universidade Paris 1 Sorbonne.  

“A agulha será refeita, idêntica, mas a verdadeira não existe mais. O telhado, que data dos séculos 12 e 13, também não existe mais”, lamenta. “É como uma pessoa que perdeu um braço: ela pode colocar uma prótese e ganhar de volta os movimentos, mas perdeu uma parte da sua carne, da sua substância”, compara Plagnieux.

Nesta terça-feira, os especialistas concordavam sobre a complexidade da obra, porém divergiam quanto ao tempo necessário para restaurar a Notre Dame de Paris. Alguns falavam em menos de 10 anos, enquanto outros acham que os trabalhos poderão levar até quatro décadas.

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