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França

Ministra dos Esportes da França se revolta após ato racista no campeonato francês

media Zagueiro Prince Gouano do Amiens se aproxima da arquibancada para conversar com torcedores do Dijon, 12/04/2019 JEFF PACHOUD / AFP

Neste sábado (13), a ministra dos Esportes da França, Roxana Maracineanu, condenou o ato racista visto na véspera, durante a 32º rodada do campeonato francês, na partida entre Dijon e Amiens. O jogo foi palco de mais uma cena lamentável que vem ocorrendo com certa frequência em gramados de futebol europeus. Desta vez a vítima foi o zagueiro Prince Gouano, capitão do Amiens, que decidiu sair de campo após ouvir gritos imitando macacos na arquibancada. No entanto, o jogador decidiu não prestar queixa.

A partida foi interrompida aos 32 minutos do segundo tempo pelo árbitro Karim Abed a pedido de Prince Gouano que, irritado, começou a sair de campo dizendo para o banco de reservas de seu time: “Acabou, não jogaremos mais, vou levar meus jogadores para o vestiário”. Apesar da declaração, o capitão da equipe de Amiens decide, junto com outros jogadores, se aproximar da torcida rival para conversar.

Após alguns minutos, os técnicos dos dois times, Antoine Kombouaré e Christophe Pélissier, conversaram com o árbitro Abed que pediu para que uma mensagem fosse anunciada nos alto falantes do estádio: “Se voltar a acontecer, a partida será encerrada”.

No fim do jogo, Gouano falou aos microfones da Radio France Bleu: “Comecei a escutar barulhos, gritos de macaco. Sinceramente, na hora, fiquei chocado. Estamos em pleno século 21 e pensei que não era possível. Olhei para a arquibancada e vi um homem fazendo esses barulhos. Olhei para ele pensando em dar uma segunda chance, dizendo ‘O que você está fazendo? É para mim que você está fazendo esses barulhos? ’ Ele acenou que sim e continuou com os gritos”.

“Depois disso achei que era inadmissível. Disse que não podíamos mais jogar. Pensei que tínhamos que fazer com que esse tipo de atitude não passasse mais em branco. Isso precisa parar. Não falo só por mim, mas por todos os atletas que passam por isso”, afirmou Gouano.

O autor dos gritos foi identificado. Ele teria passagem pela polícia e estaria em liberdade condicional. “Este senhor, que me chamou de macaco, é ele que estava em uma jaula. Você vê? Essa é a moral da história”, completou o zagueiro. “Sou religioso e decidi perdoa-lo, por isso não vou prestar queixa, mas quero que isso sirva de lição”, finalizou.

Justiça

Mesmo se Gouano afirma ter perdoado o torcedor, o autor dos insultos ainda pode ser processado. O presidente do clube de Dijon, Olivier Delcourt, afirmou que vai prestar queixa contra “o indivíduo que fez esse ato inaceitável”. Já a Liga de Futebol Profissional (LFP), que possui uma parceria com a Licra (Liga Internacional contra o Racismo e o Antissemitismo) disse que vai estudar as possibilidades jurídicas a serem usadas no caso. Já a comissão disciplinar da LFP anunciou que vai analisar todos os fatos na quarta-feira (17).

Dois ministros franceses reagiram rapidamente para condenar o ocorrido. No Twitter, a ministra dos Esportes, Roxana Maracineanu disse “apoiar totalmente Prince Gouano e todos os jogadores que têm a coragem de denunciar ataques e insultos racistas”. Ela também disse, falando à rádio FranceInfo neste sábado (13), achar “reconfortante ver todos os jogadores reagirem, times se indignando e reagindo de forma coordenada”. “É preciso definir ações concretas a serem tomadas nesses casos. Saber se interrompemos as partidas, se as cancelamos. Não se pode continuar assim”, completou a ministra.

O ministro do Interior, Christophe Castaner, denunciou “gritos repugnantes contrários aos valores transmitidos pelo esporte”, que “insultam a República”. O técnico de Dijon, Antoine Kombouaré, disse também esperar sanções contra “o idiota que fez isso”. “É preciso encontrar soluções, tomar medidas concretas pois não é mais aceitável”, completou o treinador, que nasceu em Nova-Caledônia e já sofreu com o racismo.

Incidentes na Europa

Em dez dias, diversos incidentes racistas aconteceram em várias partidas europeias. Na última quinta-feira (11), os clubes ingleses Liverpool e Chelsea deploraram os cantos de torcedores em um vídeo dizendo que o craque egípcio dos Reds, Mohamed Salah, era um “terrorista colocador de bombas”.

O conteúdo viralizou antes da partida entre Chelsea e Slavia Praga na Liga Europa. Três pessoas identificadas no vídeo foram proibidas de entrar no estádio. O diretor esportivo do Liverpool, Jürgen Klopp pediu à justiça que eles sejam banidos dos estádios para sempre.

Na terça-feira (2), o campeão do mundo francês Blaise Matuidi e o jovem italiano Moise Kean também foram alvo de gritos racistas durante a vitória da Juventus em Cagliari.

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