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França

Em encontro 'mítico' em Paris, Pelé afirma que Mbappé é um jogador de estilo latino

media Pelé durante encontra com Kylian Mbappé em Paris. REUTERS/Christian Hartmann

Apresentados como dois ícones do futebol, Pelé e o francês Kylian Mbappé foram reunidos pela primeira vez na noite desta terça-feira (2), em Paris. Na conversa, eles trocaram elogios e o Rei sugeriu um desafio ao prodígio do futebol francês: bater o recorde de seu pai, que marcou cinco gols de cabeça em uma só partida.

O encontro apresentado como “mítico” e promovido pela marca de relógio que os escolheu como “embaixadores” pelo que representam para a história do futebol, gerou muita expectativa na França. Depois de um primeiro cancelamento no ano passado, devido ao estado de saúde do Rei Pelé, o encontro finalmente foi realizado diante de dezenas de jornalistas do mundo inteiro, que não puderam fazer perguntas.

Pelé e Mbappé só reponderam aos dois apresentadores da cerimônia e começaram com uma troca de elogios. Emocionado ao lado do jogador considerado o melhor da história do futebol, Mbappé comentou sua admiração pelas qualidades técnicas do brasileiro, principalmente as finalizações, “o que mais me marcou”.

Pelé se referiu a Mbappé como um jogador veloz e destacou como sua maior característica a capacidade de se movimentar em campo com rapidez.

"Pena que ele não joga no Santos"

O brasileiro havia expressado pelas redes sociais sua admiração pelo francês durante a Copa do Mundo, antes mesmo da França ir ao final. “Se o Mbappé continuar a igualar os meus recordes assim, eu vou ter que tirar a poeira das minhas chuteiras novamente”, escreveu na época o brasileiro que imortalizou a camisa 10. 

O mesmo tom de brincadeira permeou muitas declarações de Pelé no bate-papo em Paris, que se mostrou muito mais descontraído. Questionado sobre o estilo do jovem Mbappé, ele declarou que o francês tem um “estilo latino, bem brasileiro, pena que não joga no Santos”.

Lembrado que Mbappé se tornou, na Copa da Rússia, o segundo jogador com menos de 20 anos a marcar na decisão de um Mundial e levantar um troféu de campeão, Pelé disse sorrindo: “Ele é invejoso”. Na sequência, opinou que é bom para o esporte ter jogadores jovens que se destacam e fazem história.

Diferenças e desafios

Aos 78 anos, Pelé comentou ainda as diferenças que observa no futebol de sua época e no atual. O “Rei” disse que o futebol, antes “mais aberto, se tornou mais difícil e agressivo, dificultando a tarefa principalmente para os atacantes. Ficou futebol de pressão e marcação, essa é a grande diferença”, destacou.

Pelé ainda comparou o estilo da seleção francesa campeã na Rússia com o mesmo estilo do Brasil de 1962. Mas ainda considera a seleção que ganhou o tri no México como a melhor de todos os tempos.

Mbappé disse ainda estar escrevendo a sua história e se inspirar em grandes nomes do futebol, entre eles o craque brasileiro. "Os grandes me inspiram e Pelé faz parte deles, está no topo do mundo. Mas tento escrever minha própria história”, destacou, sem esconder suas ambições de títulos e recordes individuais e com a seleção francesa. “Estou contente de ter vencido uma Copa do Mundo. Mas não vou ficar contente só com isso. Nossa equipe pode ganhar outras conquistas”, afirmou.

Questionado sobre um conselho para dar ao jovem francês, Pelé disse que Mbappé não precisava de dicas, mas destacou que o importante é cuidar da parte física para corresponder as grandes expectativas depositadas pelos torcedores.

Mbappé afirmou que o encontro com Pelé vai ficar gravado como um dos grandes momentos de sua trajetória, e reagiu em tom de brincadeira ao possível desafio de quebrar o recorde de 1235 gols marcados por Pelé em sua carreira. “É possível, se você contar a Play Station”, disse sorrindo, antes de emendar: “É complicado, mas tenho que tentar e vou continuar trabalhando, não custa tentar”.

Os apresentadores do evento já se despediam da cerimônia quando Pelé pediu a palavra para lembrar um recorde que, segundo ele, ainda não foi batido. “Meu pai fez cinco gols de cabeça em uma só partida. Esse recorde permanece até hoje”, lembrou o Rei em tom de desafio ao francês considerado seu possível sucessor nos gramados.

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