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França

Bolsonaro lançou “cruzada ideológica contra o sistema educativo”, denunciam historiadores franceses

media A política de Jair Bolsonaro em termos de educação é criticada por historiadores franceses REUTERS/Ueslei Marcelino

Os historiadores franceses Anaïs Flechet e Sébastien Rozeaux publicaram nessa quarta-feira (27) uma tribuna nas páginas do jornal Libération na qual criticam as medidas tomadas pelo presidente brasileiro Jair Bolsonaro em termos de política educativa. Eles denunciam um início de censura que está levando alguns professores a deixar o país.

Os intelectuais franceses, que tem o Brasil entre seus temas de estudos e conhecem bem o país, se mostram preocupados com os rumos que toma a educação brasileira desde a chegada de Jair Bolsonaro ao poder. Eles explicam como o novo governo tenta se livrar do que qualifica de “marxismo cultural”, controlando o conteúdo dado nas salas de aula e os temas das pesquisas universitárias, em nome “da pátria, da ordem social e de valores cristãos”.

Co-fundadores do RED.Br (Rede europeia pela democracia no Brasil), Flechet e Rozeaux explicam aos leitores franceses o movimento Escola Sem Partido e descrevem algumas medidas anunciadas pelo governo, como os cortes de funcionários, principalmente em universidades federais do interior do país. Uma estratégia que, segundo eles, coloca em risco “toda a política de democratização do ensino implementada pelo governo Lula”, mas também a herança de pedagogos de renome, como Paulo Freire, que defendiam a educação popular.

Favorecer ensino privado

Os historiadores também denunciam o que chamam de uma guinada reacionária e neoliberal. “Cortes orçamentários e denúncias dos ‘inimigos da pátria’ avançam de mãos dadas, permitindo favorecer ao mesmo tempo os interesses dos grandes grupos de ensino privado e dos grupos evangélicos e mais conservadores”, lançam os pesquisadores franceses. “Campo de batalha tradicional da extrema direita brasileira, a educação se tornou a ponta de lança da cruzada ideológica encampada por Jair Bolsonaro desde sua chegada ao poder”, afirmam.

“A promoção da educação domiciliar e dos colégios militares, julgados mais propícios à reprodução de valores tradicionais, a volta do hino nacional durante as cerimônias filmadas nas escolas, e a delação de professores de esquerda anunciam o retorno ao obscurantismo”, alertam os historiadores.

Todas essas medidas, apontam Anaïs Flechet e Sébastien Rozeaux, cria um clima de tensão e medo entre os professores, que já começam a pedir ajuda aos colegas europeus. Segundo eles, o RED.Br já recebeu desde janeiro, quando foi criado, dezenas de mensagens de pesquisadores que temem por sua liberdade de trabalho e integridade.

“Nós não podemos continuar insensíveis diante dessa situação. É urgente agirmos ao lado dos que ousam defender no Brasil uma escola republicana, inclusiva e emancipadora”, concluem os historiadores nas páginas do jornal francês Libération.

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