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França

“Antissemitismo surge com crise da virilidade”, diz rabina Delphine Horvilleur, best seller na França

media Delphine Horvilleur, grande rabina da França. Divulgação

Para a grande rabina da França, Delphine Horvilleur, é possível ser completamente crítico ao governo de Israel, sem questionar a legitimidade do povo judeu de estabelecer soberania sobre um território. “Podemos criticar o governo brasileiro sem sermos antibrasileiros”, argumenta. Feminista assumida, ela estabelece relações entre misoginia e antissemitismo, fenômeno que vê surgir dentro de uma “crise da virilidade” mundial. Em entrevista exclusiva à RFI, ela falou ainda sobre geopolítica, religião, psicanálise, guerra, futuro e história.

Imagino que nos últimos séculos nenhum rabino tenha saído em licença-maternidade”, disse Delphine Horvilleur ao assumir em 2008, grávida de 8 meses, o posto de primeira rabina mulher da França na sinagoga de Beaugrenelle, no 15° distrito de Paris. A declaração provocou risos e espanto, mas se tornou marca registrada desta rabina do Movimento de Judeus Liberais da França (Mjlf), escolhida pelo presidente francês Emmanuel Macron como interlocutora para combater a recente onda de antissemitismo de grupos neonazistas na França, país que concentra a maior comunidade judaica da Europa. Mãe de três crianças em idade escolar e autora de best-sellers sobre os judeus no Velho Continente e no mundo, a rabina se reivindica feminista convicta e imagina um mundo onde o livro sagrado não seja uma algema para raças, gêneros e religiões, mas um par de gigantescas asas através das quais todas as diferenças possam ser vislumbradas, respeitadas e somadas.

Ao chegar à sinagoga de Beaugrenelle, no último dia 8 de março, Dia Internacional da Luta pelos Direitos das Mulheres, a cena parecia improvável e saída de uma mistura de musical da Broadway com comédia de Woody Allen. No centro do palco, a rabina Delphine Horvilleur, 44, elegante, vestindo ainda o terninho azul com o qual havia aparecido, há apenas algumas horas, em todas as televisões francesas, discursando ao lado do presidente Emmanuel Macron, por ocasião da entrega do primeiro Prêmio Simone Veil, no Palácio do Eliseu. Ao lado dela, uma pequena multidão de crianças em gritos animados, seguidas por pais mais ou menos capazes de lhes acompanhar/acalmar, vestindo seus quipás e roupas de festa. Era o ofício das crianças, que antecedia, naquele Shabbat, a tradicional festa do Purim, marco do livro judeu. Os cabelos ruivos em cachos, os olhos verdes que fixam a audiência atentivamente, Madame Horvilleur capta a atenção das crianças em meio ao azougue da festa, relembrando o primeiro vilão antissemita do texto sagrado: o temível Haman. O “inimigo”, segundo ela, indissociável da concepção do judeu, ao longo da História.

A escola rabínica francesa ortodoxa não autoriza, no entanto, a formação de rabinas mulheres. Elas são hoje em dia apenas três em todo a França, e cerca de 700 pelo mundo. Delphine estudou o rabinato em Nova York, após desistir de uma carreira de médica em Israel, e uma breve mas promissora passagem como jornalista correspondente da emissora France 2, quando recusou um contrato neste que é o segundo maior canal da TV francesa para se tornar rabina.

A função do rabino não é equivalente à do padre católico. O rabino é considerado um erudito, o mais alto conhecedor da Torah, o livro sagrado dos judeus, e, portanto, capaz de ler nas entrelinhas desta exegese sagrada as interpretações de situações contemporâneas. Neste 8 de março, após ter participado ao lado do presidente da República dos principais jornais televisivos da França, Delphine Horvilleur encontrará no texto um episódio relativo à Rainha Esther para saudar o feminino na tradição judaica, com humor e sem hesitação. Uma sinagoga lotada de cabeças brancas a observará e ouvirá. Porque uma das funções de um rabino é cantar. E Delphine conhece suas canções de cor.

Sempre fui fascinada pela estranha ligação que existe entre a misoginia e o antissemitismo

RFI: O antissemitismo é patriarcal?

Delphine Horvilleur: Existem muitas formas de antissemitismo, mas o surpreendente e interessante é que, muito frequentemente, as ondas antissemitas costumam ressurgir na História quando a sociedade parece viver uma crise de virilidade. É inquietante e muita gente já escreveu sobre isso, como Élisabeth Badinter. Ela mostra, por exemplo, como no século passado, na Alemanha, no mesmo momento em que se desenvolvem os partidos antissemitas, surgem dentro desses mesmos partidos pessoas contrárias à emancipação das mulheres. O ódio aos judeus, neles, é simultâneo e concomitante a uma militância contra a emancipação feminina. No meu último livro [Réflexions sur la question antisémite, Grasset, 2019] tentei entender como o questionamento da virilidade pode ser acompanhado por uma tentação antissemita. Pode parecer surpreendente, mas houve momentos históricos onde este tipo de lendas sugiram. Por exemplo, na Idade Média, falava-se que os homens judeus menstruavam, que tinham menstruação todos os meses. Parece louco, delirante, uma verdadeira “fake news” da Idade Média, mas que diz muito sobre o jeito que percebemos o corpo judeu como um corpo não-viril, “aberto”, “poroso”, que sofre o risco de uma “penetração”, de ser invadido, o risco de que as fronteiras sejam porosas, que haja uma “contaminação”. Por exemplo, quando tentamos entender as motivações do assassino de Pittsburgh (2018), que entra na sinagoga nos Estados Unidos para matar judeus que rezam, descobrimos que esse homem diz que os judeus contribuem à entrada de caravanas ilegais de migrantes em território norte-americano e a “poluir” a nação. Esta ideia de um corpo poluente, de um corpo contaminante, de um agente que contribuiria à porosidade das fronteiras, ou dos espíritos, é algo que existiu durante toda a história do antissemitismo. Os nazistas criticavam os judeus exatamente por serem agentes contaminadores, assim como às mulheres. 

RFI: Isso teria a ver com a psicanálise, quando se diz que o corpo da mulher é “poroso”?

DH: Sim, Sigmund Freud dizia em uma nota de rodapé de um de seus estudos de caso mais famosos, o caso do pequeno Hans, que o ódio aos judeus tem a ver com o complexo de castração, assim como o ódio às mulheres. Freud estabelece uma ligação direta entre estes dois tipos de ódio, que questiona as fronteiras de quem exprime esse ódio.

RFI: Tradicionalmente o antissemitismo, ao longo dos séculos, se utiliza dos mesmos jargões machistas para, digamos, feminizar o judeu, numa tentativa de diminuí-lo. Era necessário enfim uma rabina mulher para começar a conter este antissemitismo em pleno século 21 na França?

DH: Eu não sei em que medida minha identidade feminina ou meu pensamento sobre o feminino me forçaram a tentar investigar estas questões. Mas eu sempre fui fascinada pela estranha ligação que existe entre a misoginia e o antissemitismo. E pelo fato que, na História, sempre condenamos os judeus pelas mesmas coisas que condenamos as mulheres: de não serem fieis, de serem “histéricos”, de gostarem de dinheiro ou do poder, exatamente tudo aquilo de que acusamos as mulheres. De possuir um conhecimento específico que cria um ciúme, uma inveja, que faz com que percebamos esse Outro como um perigo. Como um contaminante que possui algo que deveria ser nosso, que ele teria usurpado. Isso é uma particularidade do ódio aos judeus. Condenamos os judeus por algo que deveria ser nosso, ou que deveríamos nos tornar, essa inveja é uma especificidade do antissemitismo em relação a outros ódios racistas. Isso não torna o antissemitismo mais grave que os outros, é preciso combater o antissemitismo e o racismo simultaneamente, mas é preciso também estar consciente que o ódio aos judeus não é baseado exatamente no mesmo território mental. Existem proximidades inquietantes entre o antissemitismo e a misoginia, no sentido em que condenamos o judeu e a mulher de serem, ao mesmo tempo, “como eu e diferente de mim”. De ser “Outro”, mas de “parecer muito comigo”. E de me forçar a lembrar que existe muito de mim mesmo nesse Outro, ou seja, de representar uma ameaça à minha identidade, individual ou coletiva.

Na Idade Média, falava-se que os homens judeus menstruavam

RFI: Recentemente, o jornal Le Monde republicou uma entrevista de Simone de Beauvoir de 1975, onde ela fala sobre o conceito de mulheres-álibi, ou seja, aquelas poucas que a sociedade patriarcal deixaria ocupar lugares de poder para justificar seu próprio discurso. Você se considera uma delas? Como é ser uma das raras rabinas mulheres da França?

DH: Fiz meus estudos nos Estados Unidos, onde existem muitas mulheres rabinas e onde a feminização do rabinato é quase uma norma, e ser uma mulher rabina não surpreende mais ninguém. É uma profissão quase como outra qualquer. Quando voltei à França, depois dos meus estudos em Nova York, tive a impressão de fazer não uma viagem no espaço, mas no tempo. As pessoas me olhavam como uma atração de circo, uma espécie de “mulher barbada”. Como se eu representasse qualquer coisa de incongruente, impensável ou revolucionário. Mas em nenhum momento de minha função rabínica tive a sensação de ser uma rebelde. Ao contrário, na maior parte das vezes sempre tive a impressão de funcionar completamente dentro da tradição. A bem da verdade, não tenho a sensação de me inscrever em alguma coisa que seja contra o que foi feito nas gerações passadas. Agora, é claro que o fato de haver mulheres que chegam a esta posição muda muita coisa. A questão é complexa. Alguns podem achar que, por ser uma mulher, vou exercer o rabinato de maneira mais empática, doce, esse tipo de clichê de gênero. E isso não tem nada a ver. Existem rabinas mulheres até mesmo mais “bélicas” que seus colegas homens. No entanto, o que muda de verdade, é que quando as mulheres participam da discussão, da exegese, da intepretação do texto sagrado, todo pensamento religioso sai ganhando. Quando as mulheres assumem estas funções, os homens que exercem esta profissão o fazem, de repente, diferentemente. É como se a presença das mulheres ativasse, no centro do pensamento religioso, uma cumplicidade, e um pensamento do feminino. E o que é isso? O pensamento do feminino não é sempre produzido por mulheres, mas são as vozes alternativas do texto [sagrado], as vozes secundárias. É preciso desviar o foco para ouvir outras intepretações e é a presença deste Outro tradicional - a mulher -, que permite a essas vozes do feminismo de acordarem, às vezes até pela boca dos homens. É por isso que a chegada de mulheres a essas funções [de poder] muda tudo. Não é fácil mudar a mentalidade, a cultura. Ainda existe uma resistência muito forte à ideia de mulheres rabinas. É como se fosse uma transgressão, um tabu.

RFI: Mesmo dentro da sua comunidade em Beaugrenelle?

DH: Na minha sinagoga, após dez anos de rabinato, acredito que exista uma aceitação e até uma espécie de normalidade para as novas gerações que crescem na minha comunidade, que nunca conheceram outra coisa que uma rabina mulher. É a norma para eles. Mas existe ainda resistência nos meios mais conservadores, tradicionais, onde as pessoas estão dispostas a aceitar a erudição de uma mulher eventualmente, mas daí a chamá-la de “rabina”, é outra história... O título ainda é um problema para alguns, imagino que seja algo subversivo...

Quando as vozes conservadoras falam do feminino, elas o incensam para melhor aprisioná-lo

RFI: Você já viveu situações constrangedoras neste sentido?

DH: Regularmente as pessoas manifestam sua oposição, ou sua resistência a meu título, me escrevendo cartas. Ás vezes é sutil, as pessoas me chamam para falar em centros comunitários mas não querem que me título de rabina seja sequer evocado. Ás vezes passa pela linguagem. Ainda há essa reticência em algumas pessoas. O que é interessante para mim é que a resistência mais forte vem das mulheres. Na verdade, não é surpreendente, é um clássico. Acredito que para algumas mulheres que se inscrevem num modelo tradicional, muito conservador, a chegada de uma mulher à liderança religiosa, ou seja, política, na definição primeira do termo, fora da esfera doméstica, com esse acesso ao Logos, à linguagem, bem, isso significa para essas mulheres algo violento, acredito eu. É um questionamento do que elas escolheram como sendo seu território, um lugar exclusivo do feminino. Esse do interior, do lar, da esposa, da maternidade. E porque você decidiu explorar outra coisa, isso as envia a esse lugar excludente e excluído onde decidiram ficar. Quando as vozes conservadoras falam do feminino, elas o incensam para melhor aprisioná-lo: “as mulheres não precisam ser rabinas ou padres, porque são tão superiores a nós”, dizem, ironicamente. “Eles são naturalmente sensíveis, têm a consciência tão evoluída, que não precisam de fazer o que nós, pobres homens, precisamos fazer no dia-a-dia”. Esse discurso é totalmente hipócrita e apologético. Serve a prender as mulheres em uma gaiola especial, uma restrição à presença de seu corpo e de sua sabedoria, ou de sua palavra. Porque, em todos os momentos da História, a erudição feminina dá medo, e a melhor ilustração disso talvez seja a perseguição às “bruxas”. As feiticeiras, que com sua poção, tentam nos “contaminar”. É interessante também notar como a representação gráfica das bruxas se parece “surpreendentemente” com caricaturas antissemitas, mulheres com grandes narizes curvos.

RFI: Você se reivindica feminista?

DH: Sim. Penso que esse combate não apenas não terminou mas continua de maneira poderosa com a nossa geração, que vive uma situação inédita com a liberação do discurso feminino. Falamos bastante do “#MeToo”, e desta revolução em curso. Acredito vivermos um tempo inédito, histórico, de acesso das mulheres à palavra, mas precisamos nos perguntar juntas à que serve esse acesso. As mulheres devem ter a oportunidade de não serem definidas apenas pelo que contam delas, mas pelo que elas próprias contam sobre elas, se tornarem sujeitos de sua história. Sim, eu me reivindico feminista com muito orgulho, e acho uma pena que, para algumas pessoas, essa palavra tenha se tornado uma espécie de caricatura ou gozação. [O feminismo] é uma oportunidade para as mulheres, mas também, e muito intensamente, para os homens.

As pessoas me olhavam como um espetáculo de circo, uma espécie de “mulher barbada”

RFI: Em suas entrevistas à imprensa francesa, você menciona o medo atual de alguns pais judeus que suas crianças usem símbolos judaicos como a estrela de Davi. Isso me lembrou, em outro contexto, as mães de crianças negras em favelas ou regiões desfavorecidas brasileiras que pedem que seus filhos não usem capuzes ou coloquem as mãos nos bolsos. É preciso tomar esse cuidado no mundo de hoje?

DH: Existem muitas piadas sobre mães judias, que sempre fazem menção a um cuidado exagerado. Mas acredito que as mães judias, assim como outras mães na História, tiveram mais razão que outras de ficarem inquietas por seus filhos. Essa inquietude é compreensível. Não apenas do ponto de vista judeu, mas existem hoje muitas populações que sabem hoje a que ponto às vezes é menos evidente para seus filhos sobreviver, em relação às vezes aos filhos do vizinho, ou do outro bairro. É preciso estarmos atentos à modificação de comportamento que isso cria. Sou mãe de crianças pequenas e vejo como eu comportamento mudou, às vezes eu os convido, sutilmente, sem palavras, a serem mais discretos, a terem cuidado com o que eles dizem e mostram. Não tenho orgulho disso. Me chateia, pedir que eles sejam discretos em relação a possíveis indicadores de sua identidade judia. Eu sei de onde isso vem, é uma herança histórica.

RFI: Quer dizer que na França, o racismo atravessa a classe social...

DH: Na França, como em muitos países do mundo, existe o fenômeno do racismo e da discriminação. O antissemitismo tem certas especificidades, dentro dessas discriminações. Uma delas é que nós sempre criticamos os judeus tudo e seu contrário, de sermos, através da História, muito ricos ou muito pobres; muito discretos, ou não suficientemente discretos; de sermos como todo mundo, mas não exatamente; de sermos muito capitalistas, ou, ao contrário, muito revolucionários. Sempre criticamos uma mesma coisa e seu contrário, sem nenhuma coerência, e atacamos os judeus seja em bairros pobres ou burgueses. Existe algo que transcende toda categoria socioeconômica. O antissemitismo tem uma tal habilidade de se travestir, digamos, com figurinos diferentes, que lhe deu, infelizmente, uma capacidade ao longo da História de mudar constantemente, para continuar a atacar os judeus.

RFI: Como você vê a ocupação de Israel na Palestina?

DH: Fico impressionada de ver o lugar simbólico desde conflito e deste país [Israel] no espírito das pessoas. Desde país minúsculo em relação ao mundo, geograficamente. Ele libera e provoca paixões totalmente desproporcionais, que vemos também no tratamento deste conflito. Ele é tão presente na mídia, que fica difícil desdramatizá-lo. E, no entanto, é urgente fazê-lo. Eu me defino frequentemente como sionista, eu apoio a existência de Israel, país com o qual tenho uma relação afetiva extremamente forte, onde vivi longos anos. No entanto, sou muito crítica em relação à política israelense, como milhares de sionistas e israelenses. Basta passar um tempinho em Israel para perceber que existe uma oposição forte ao atual governo. É possível e necessário fazer essa distinção. Podemos apoiar a existência do Estado de Israel e ter, ao mesmo tempo, um olhar completamente crítico sobre sua política. Existe uma confusão quando as pessoas dizem que são “antissionistas”. Ninguém sabe mais o que isso quer dizer. Isso quer dizer o que? Que somos contra a política de Israel? Podemos sê-lo, sem a necessidade de criar um movimento, um termo. Podemos tranquilamente dizer que somos contra a política do governo brasileiro, por exemplo, ou contra a política de Trump, sem precisar criar um termo que diga que somos “antibrasileiros” ou “anti-norte-americanos”. É perigoso colocarmos questão a legitimidade do povo judeu de ter uma soberania em sua terra a partir do termo antissionismo. Como é possível que atualmente uma enorme quantidade de “antissionistas” sejam os primeiros a defender a possibilidade de qualquer minoria que possua uma legitimidade territorial, menos quando se trata dos judeus? O antissionismo, na verdade, tem servido nestes últimos anos para disfarçar um antissemitismo evidente. Muitas pessoas que não podiam mais moralmente se dizer antissemitas escolheram esse novo termo para se definir. Como se fosse uma espécie de verniz moral do antissemitismo. Acho que é urgente ressignificar esse termo, para desdramatizar o debate e voltar à razão.

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