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França

Sobreviventes do Holocausto estão preocupados com aumento de agressões contra judeus na França

media Os atos antissemitas aumentaram na França REUTERS/Benoit Tessier

Sobreviventes judeus da Segunda Guerra Mundial, que deixaram a Europa para buscar refúgio em Israel durante os anos de perseguição, observam com preocupação, à distância, o aumento de casos de atos antissemitas na França. “A situação me faz pensar nos anos 1930, estou realmente inquieta”, disse Sammy, 78 anos, que escapou do “Vél d’Hiv”, maior operação de captura de judeus feita dentro do território francês e um episódio traumático da história nacional.

Samy Gryn tinha apenas 2 anos quando foi detido com sua mãe e irmã, antes de ser adotado e escondido por uma família cristã até o fim do conflito. Seu pai foi enviado a um campo de concentração em Auschwitz, na Polônia ocupada, onde foi morto. “Eu deveria ser deportado, mas fui salvo, não sei o porquê”, afirma o homem, que vive há quase 50 anos em Israel. Samy decidiu ir embora da França quando seu filho foi chamado de “judeu sujo” na escola – os casos recentes de antissemitismo no país são, para ele, um assunto difícil e preocupante.

A França viu aumentar em 74% o número de atos antissemitas em 2018, segundo dados governamentais. O presidente Emmanuel Macron falou de um fenômeno “sem dúvida inédito” desde a Segunda Guerra. Diversas ocorrências deixam um sentimento de insegurança para a maior comunidade judaica da Europa: profanação de cemitérios, pichações, agressões verbais e até assassinatos.

“A história não está se repetindo, mas estamos indo na direção errada”, afirma Samy Gryn, que faz parte da Aloumim, associação israelense de crianças que se esconderam durante o Holocausto, que conta com 600 membros. “O aumento de atos antissemitas na França mexe com os que escaparam.”

“Não tenho raiva dos franceses”

Berthe Badehi, 87, que trabalha como voluntária no Yad Vashem, o memorial do Holocausto em Jerusalém, explica a diversos grupos escolares seu percurso de jovem judia forçada a se esconder durante a Segunda Guerra. “Meus pais, de origem polonesa, eram resistentes comunistas e, em 1941, minha mãe preparou uma mala para mim e me deixou com uma família não-judaica em Savoie”, conta. Ela tinha 12 anos quando seu pai finalmente voltou para recuperá-la em setembro de 1944.

Em Israel, Berthe Badehi diz se sentir decepcionada ao ver o retorno do ódio contra os judeus, “como durante minha infância”. Mas “não tenho raiva dos franceses, devo minha vida a eles. Estou preocupada, mas não acho que o que aconteceu durante a guerra possa se reproduzir”, acrescenta.

Colóquio sobre Holocausto perturbado na França

O governo francês pediu nesta sexta-feira (1) que as autoridades polonesas manifestem publicamente um “distanciamento” dos atos antissemitas ocorridos durante um colóquio em Paris sobre o Holocausto na Polônia. O evento aconteceu na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), nos dias 21 e 22 de fevereiro, e foi perturbado por pessoas que poderiam estar sendo apoiadas pelo Estado polonês.

“Tendo em conta os incidentes inaceitáveis e suas consequências na comunidade universitária francesa, uma declaração clara com o objetivo de isentar o governo polonês me parece necessária para acalmar os ânimos”, disse a ministra francesa do Ensino Superior, Frédérique Vidal, em uma carta às autoridades da Polônia.

Com informações da AFP.

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