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França

Como a extrema direita se infiltra nos protestos dos “coletes amarelos” na França

media Ao centro, de boina vermelha, o ex-soldado paraquedista Victor Lenta, um dos líderes da ultradireita francesa, durante protesto dos "coletes amarelos" em Paris, em 5 de janeiro de 2019. Lucas BARIOULET / AFP

Uma reportagem investigativa de France Info publicada neste sábado (9) revelou os métodos usados por radicais de ultradireita na França para se infiltrarem nas manifestações dos “coletes amarelos” em todo o país. Segundo fatos apurados pela rádio, o movimento é extremamente cobiçado pela extrema direita francesa.

A matéria, publicada neste sábado (9) no site de France Info, começa descrevendo a reunião ocorrida no último 19 de janeiro entre personalidades conhecidas da extrema direita francesa e militantes radicais da ultradireita do país. “Na sala, à frente de cerca de 400 pessoas, tomam a palavra figuras bem conhecidas como Alain Soral, do Igualdade e Reconciliação, Hervé Ryssen, autor de várias obras antissemitas, e Yvan Benedetti, ex-Frente Nacional e ex-presidente da Obra Francesa, um movimento de extrema direita dissolvido pelas autoridades em 2013”, relata o artigo.

Segundo a rádio, Yvan Benedetti é um dos primeiros a falar, com um colete amarelo nas costas: "Não devemos tentar nos apropriar dos 'coletes amarelos', mas é necessário estimular o movimento, guiar o movimento, porque as revoltas são estéreis, apenas as revoluções salvam vidas, voltamos ao período revolucionário", diz o radical de ultradireita. France Info conta ainda que alguns palestrantes acrescentaram que estavam "prontos para morrer pelos 'coletes amarelos' e para derrubar o sistema".

A imprensa francesa sabe que esses pequenos grupos estão presentes quase desde o começo dos “coletes amarelos”. “Eles estão lá, mas discretamente: eles não aparecem como membros da extrema direita ou da ultradireita. Eles se destacaram, como Ryssen ou Benedetti, inclusive atacando jornalistas durante manifestações”, conta a reportagem.

Ideologia muito forte de extrema direita, favorável até a golpe militar

No total, de acordo com uma fonte policial, militantes da extrema direita mantêm cerca de 200 pessoas, regularmente presentes nas manifestações com seus coletes amarelos nas costas. Para alguns, eles até conseguiram até chegar ao núcleo decisório do movimento, montado em 12 de janeiro durante um protesto em Paris, “e no qual encontramos um certo Victor Lenta, ex-soldado paraquedista, boina vermelha na cabeça e medalhas penduradas em seu colete amarelo”, diz France Info.

Victor Lenta concedeu neste dia entrevistas para alguns meios de comunicação com o nome de "Anthony". Mas ele é um conhecido ativista da ultradireita francesa, com passagens pelo Bloco Identitário [na França, o termo “identitário refere-se frequentemente à extrema direita] e pelas Juventudes Nacionalistas. Ele também atuou como mercenário ao lado de tropas pró-russas na região ucraniana de Donbass, em 2014. Segundo a rádio francesa, trata-se de um homem conhecido pelos serviços de inteligência. Uma fonte policial descreve-o como alguém com "uma ideologia muito forte de extrema direita, favorável a um golpe militar".

Lenta foi muito falado no último sábado (2), durante a última manifestação dos "coletes amarelos" em Paris. Ele sempre se apresenta como membro do serviço policial. Quando os confrontos entre os manifestantes eclodiram, ele disse em um vídeo postado na internet: "Somos forçados a evacuar Jérôme Rodrigues, aparentemente os black blocs fizeram ameaças contra ele, mas a multidão os empurrou e eles não são mais aceitos nos 'coletes amarelos' ", afirmou na ocasião. Rodrigues ficou famoso após perder um olho durante confrontos dos “coletes amarelos” com a polícia na capital francesa.

Mas, segundo France Info, não se tratava ataque dos black blocs, mas, na verdade, de uma tentativa de manipulação de Victor Lenta, de acordo ativistas antifascistas, presentes em vários eventos, desde o início do movimento, em 17 de novembro de 2018: "De modo algum, Jérôme Rodrigues foi alvejado pelos black blocs ou antifas, isso não faz parte de nossas práticas. As pessoas que foram alvo foram os ativistas de extrema-direita, que geralmente atacam movimentos sociais e movimentos de esquerda, e também procuram manipular os 'coletes amarelos', para infiltrar os movimentos", disseram as fontes entrevistadas.

Para o veículo francês, Lenta e outras personalidades da extrema direita na França querem aparecer como líderes em seu próprio campo, porque a família da ultradireita seria, muitas vezes, dividida. Então ideólogos como Ryssen, Benedetti ou Lenta, em menor escala, esperam reunir em torno deles os mais jovens, que também são os mais violentos. É o caso de um grupo de extrema direita que se chama Zouaves, presente em todos os eventos desde 17 de novembro, que teve cerca de 60 membros ultraviolentos cercados pela polícia no protesto de 1º de dezembro, próximo ao Arco do Triunfo. Seis foram presos nessa ocasião, sentenciados a cinco anos de prisão.

Uma ameaça minimizada pelas autoridades

Diante desse fenômeno, as autoridades se dizem, oficialmente, preocupadas. Laurent Nunez, o secretário de Estado do Ministério do Interior da França, foi audicionado numa comissão de luta contra grupos de extrema direita na Assembleia Nacional, o Parlamento francês. Na ocasião, ele falou de um "flagelo" que usa eventos dos "coletes amarelos" para se espalharem. Nunez se referiu também a manifestantes da esquerda radical, com quem a extrema direita vem disputando espaço nos últimos protestos.

Mas, de acordo com uma fonte da polícia, que deseja permanecer anônima, a ameaça não é levada a sério o suficiente: "Há tempos que as autoridades nos alertam, mas tudo é minimizado. No Ministério do Interior, nos disseram que não é grave, mas tudo fica cada vez mais violento. O que tememos é que este seja um novo caso Meric, ou seja, que um membro da esquerda radical ou da extrema direita morra durante um protesto dos de 'coletes amarelos' ", disse.

Segundo uma fonte policial, entrevistada por France Info, existe uma ultradireita que quer tomar o poder, uma esquerda radical que se recusa a fazê-lo e, no meio, um movimento cuja posição apolítica é "insustentável": "Em um determinado momento, os 'coletes amarelos' serão forçados a escolher seu lado".

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