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Famílias rivais Bourbon e Orléans apoiam coletes amarelos apostando em retorno da monarquia na França

Famílias rivais Bourbon e Orléans apoiam coletes amarelos apostando em retorno da monarquia na França
 
Reportagem da revista "Le Point" sobre as duas familias reais - Bourbon e Orléans - que disputam o trono da França. Fotomontagem RFI

A revista Le Point traz esta semana uma reportagem divertida sobre a disputa pelo trono francês, até poucos dias atrás protagonizada por três rivais que se consideram herdeiros da monarquia francesa, abolida em 1792. A revista mostra que desde o surgimento do movimento dos coletes amarelos, repleto de simpatizantes do retorno da coroa, as famílias Bourbon e Orléans foram tomadas por um frenesi e passaram a enviar mensagens de apoio aos manifestantes pelas redes sociais.

Um dos pretendentes, Henri d'Orléans, conde de Paris, não terá seu sonho realizado. Ele morreu no dia 21 de janeiro, aos 86 anos. Mas até sua morte, ele enviou pelo Twitter dezenas de mensagens aos seus 10.400 seguidores reconhecendo como "legítima" a revolta dos coletes amarelos. Mais moderado, de acordo com a Le Point, seu filho Jean, duque de Vendôme, 53 anos, divulgou um comunicado compreensivo em relação aos coletes amarelos, logo depois que eles destruíram uma estátua de Marianne, ícone dos valores republicanos, durante a invasão do Arco do Triunfo na manifestação de 1° de dezembro.  

Se por um lado os Orléans, também na linha de sucessão da coroa brasileira, apoiam abertamente os coletes amarelos, seu primo distante Louis de Bourbon, duque de Anjou, 44 anos, nascido e residente em Madri, na Espanha, observa essa agitação à distância com uma certa preocupação.

De acordo com a árvore genealógica dos descendentes de Louis XIII, o espanhol, que também tem a nacionalidade francesa, é o legítimo herdeiro do trono francês. Louis de Bourbon é chamado de Louis XX por seus admiradores. Vendo seus concorrentes tomarem a dianteira ao lado dos coletes amarelos, Louis XX, que é banqueiro em Madri, divulgou um comunicado, sem citar o nome do movimento, para expressar sua "solidariedade e profunda compaixão por aqueles que sofrem e que não têm outra forma de se rebelar senão unidos como um só homem".

"Sempre se detestaram", destaca Le Point

A revista Le Point escreve em tom jocoso que os monarquistas franceses retornaram ao ringue. Para falar a verdade, faz três séculos que as duas famílias - Orléans e Bourbon - se detestam e se abandonam a provocações com admirável obstinação.

Quando Louis de Bourbon ainda era menor de idade , o conde de Paris recém-falecido, Henri de Orléans, chegou a entrar com um processo nos tribunais republicanos para ter o direito de usar o sobrenome Bourbon, mas perdeu a ação em todas as instâncias. Sem se dar por vencido, em 2004, Henri de Orléans se autoproclamou herdeiro do trono francês.

No enterro do octagenário, no início de fevereiro, escreve a Le Point, Louis de Bourbon, ou melhor, Louis XX, o verdadeiro herdeiro da coroa francesa, desfilou toda a sua fleuma espanhola na capela real de Saint-Louis, na cidade de Dreux, a 88 km de Paris.


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