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França

Le Monde retrata o medo dos brasileiros que vivem perto de barragens em Minas Gerais

media Reportagem conta realidade de famílias que convivem com o medo de mais uma tragédia Reprodução Site Le Monde

A edição desta segunda-feira (4) do jornal Le Monde traz uma reportagem da jornalista Anne Vigna sobre a difícil realidade dos moradores de cidades próximas a barragens no estado de Minas Gerais. A matéria destaca não somente a falta de controle da segurança destes locais, como o descaso com a população e a oferta de dinheiro como simples tentativa de “reparação” às vítimas de Brumadinho.

A reportagem do jornal Le Monde traz entrevistas com famílias que perderam não somente seus entes, como suas casas e seus plantios que, em muitos casos, eram a única fonte de renda que tinham. “Não poderemos nunca mais replantar. Era uma empresa familiar, com empregos informais. Não éramos ricos, mas também não éramos miseráveis mas, agora, vamos nos tornar”, disse Salvador Ursini, de 55 anos, morador de Brumadinho. 

A jornalista Anne Vigna também esteve presente na primeira “reunião informativa” entre a empresa e a comunidade de Brumadinho, organizada dentro de uma tenda em um campo de futebol. O procurador André Sperling tenta convencer a população a se mostrar firme frente à mineradora. “A Vale vai tentar dividir vocês e dar migalhas. Vocês devem permanecer unidos nessa luta que será longa”, disse.

“Um plano de emergência, revelado pela imprensa, existia para a barragem de Brumadinho, mas as sirenes foram levadas pela lama e os responsáveis que deviam alertar as autoridades foram as primeiras vítimas”, escreve a correspondente do Monde. “Esse plano indicava que os prédios da mina seriam engolidos imediatamente, mas a Vale não preparou uma mudança de local. E, sobretudo, ninguém viu esse plano, nem as autoridades, nem os serviços de socorro, nem os habitantes.”

O momento em que Edivaldo Braga, encarregado de fazer a mediação entre as comunidades locais e a Vale, se dirige às vítimas é descrito pela jornalista como “cheio de um profundo silêncio”. “Obrigado pela recepção, apesar do momento delicado. Nós também perdemos nossos colegas e sentimos a dor de vocês, está bem? Saibam que nossa empresa se mobilizou inteiramente para solucionar o problema, que não é fácil para ninguém. Anotei suas necessidades e voltarei o mais rápido possível para informar o que faremos”, disse o funcionário da mineradora.

Comunidade indígena afetada

A matéria se torna extremamente dramática ao contar a dura realidade dos índios da comunidade Pataxó, dependentes do rio Paraopeba, contaminado pelos rejeitos do mar de lama. A destruição é confirmada, segundo a repórter, pelo cheiro de peixe em decomposição.

A população indígena não poderá mais beber a água do rio, nem comer os peixes, nem regar as plantações, por causa da presença de metais pesados. Em resposta à proposta de compensação financeira oferecida pela Vale, o cacique Hayó Hã-hã-hãe disse: “Que eles limpem o rio com esse dinheiro sujo que destrói tudo, incluindo seu próprio futuro!”

Tragédias anunciadas em série

A matéria termina lembrando que as tragédias anunciadas nessa região de Minas Gerais não acabaram. “O presidente [da Vale] não anunciou nenhuma mudança nas cidades saturadas de minas, como Itabira, a três horas de viagem de Brumadinho. (…) Atualmente, as instalações da empresa – quatro minas, oito barragens e um trem – se estendem sobre quatorze quilômetros de circunferência de tecido urbano, gerando uma poeira fina e provocando uma série de problemas respiratórios para os 120.000 habitantes [de Itabira]”, afirma Anne Vigna. 

Os conflitos estão longe de acabar, segundo Le Monde, já que a Vale pretende aumentar o muro de contenção da barragem de Itabiruçu de 71 a 85 metros de altura, perto de onde se situam “uma prisão, um batalhão da polícia, uma universidade e uma zona industrial”, de acordo com o geólogo Everaldo Gonçalves.

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