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França

Antissistema? Coletes amarelos esquentam eleições europeias com anúncio de candidatura

media “Coletes amarelos” apresentam lista às eleições europeias REUTERS/Charles Platiau

Eles parecem ter sido seduzidos pela famosa “mosca azul do poder”. Fortalecidos por uma campanha de protestos e manifestações que balançou a estrutura sócio-política da França, e que deve deixar marcas indeléveis no país, os coletes amarelos podem estar de olho em algumas vagas do Parlamento europeu, um pleito que acontecerá em 26 de maio de 2019, e que é decisivo para o futuro do Velho Continente. Uma pesquisa desta quarta-feira (23) mostra que eles estariam em terceiro lugar na preferência dos franceses.

Uma primeira lista com nomes de dez possíveis candidatos dos coletes amarelos foi publicada nesta quarta-feira (23) por meio de um comunicado, sob a liderança de Ingrid Lavavasseur, uma cuidadora francesa de 33 anos que rapidamente se impôs, no fim de 2018, como uma das figuras mais midiáticas do movimento. Os coletes amarelos são conhecidos por criticarem fortemente o funcionamento do sistema político, dos partidos e instituições tradicionais da França.

Lavavasseur se tornou, segundo o jornal Le Monde, uma espécie de porta-voz dos coletes amarelos, que devem se apresentar sob a sigla RIC, “Ralliement d’initiative citoyenne”, algo como “Adesão à iniciativa cidadã”. O grupo apresentou uma lista inicial de apenas 10 candidatos, com o objetivo de conseguir apresentar os 79 nomes exigidos no fim de fevereiro, segundo um de seus responsáveis, em entrevista à imprensa francesa.

Para o jovem Hayk Shaninyan, "a ideia é que essa lista seja realizada por pessoas que fizeram essa mobilização desde o começo nas ruas, não os tecnocratas. Já recusamos grandes personalidades que queriam aderir ao movimento para esta eleição", disse Shaninyan ao jornal Le Figaro. Para o jovem, a candidatura de coletes amarelos será possível tanto em eleições locais, quanto legislativas.

A primeira lista dos coletes amarelos contém candidatos entre 29 e 53 anos, representantes de várias profissões, como gerente de pequenas empresas, motorista, advogado, dona de casa ou funcionário público, segundo informações da rádio francesa RTL.

Ingrid Levavasseur, le 15 janvier 2019 à Grand Bourgtheroulde. CHARLY TRIBALLEAU / AFP

Terceiro lugar na intenção de voto dos franceses

De acordo com uma pesquisa do Instituto Elabe publicada nesta quarta-feira (23), uma lista de coletes amarelos é creditada com o terceiro lugar na preferência dos franceses, com 13% dos votos, atrás do partido presidencial, República em Marcha (LREM), e do Reagrupamento Nacional (RN), de extrema direita, mas à frente da direita clássica dos Republicanos ou da esquerda radical da França Insubmissa.

Um possível sucesso de uma lista de coletes amarelos na votação para as eleições europeias prejudicaria principalmente o grupo da extrema direita (RN), de acordo com o Elabe. A pesquisa, no entanto, baseia-se no pressuposto de uma lista definitiva de coletes amarelos, e não especificamente na lista provisória.

Quais seriam as consequências da irrupção de uma lista de coletes amarelos às eleições europeias? Para Emmanuel Rivière, diretor-geral da Kantar Public France, entrevistado pelo Le Monde, “isso traria às urnas muitos franceses que haviam desistido de votar. Bastar ir às rotatórias, onde se concentram os coletes amarelos, para entender que ali se encontram abstencionistas de todos os tipos”, afirmou.

Para alcançar seus objetivos e poder apresentar sua lista oficial para as próximas eleições europeias, a RIC diz que pretende lançar um apelo por doações, com o objetivo de recolher as centenas de milhares de euros que faltam para atingir os € 700.000 a € 800.000 necessários para que as candidaturas sejam efetivadas. O jornal Le Monde revela em sua edição desta quarta-feira que o partido dos coletes amarelos lançou uma convocação aberta a todos os franceses, com o objetivo de completar lista com 79 nomes que deve ser apresentada para as eleições europeias.

Críticas internas

Mas nem só de flores vive a candidatura dos coletes amarelos às eleições europeias. As críticas internas começam a viralizar nas redes sociais, um dos instrumentos de mobilização notoriamente mais importantes do movimento cidadão. No início da noite desta terça-feira, um facebook live seguido ao vivo por quase 4.000 pessoas, e visto mais de 50.000 até o fim da noite, acusava Ingrid Lavavasseur e Hayk Shaninyan de serem “oportunistas”: “Não sei o que deu em você, Ingrid, mas você está traindo milhares de pessoas que confiaram em você”, acusa um dos internautas.

As eleições europeias parecem prometer ainda muitas emoções, pelo mesmo em território francês.

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