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França

Análise: Macron sua a camisa em 7h de debate com prefeitos para superar crise dos coletes amarelos

media Emmanuel Macron no centro da arena: debate com 653 prefeitos questionou as ações do governo. REUTERS/Philippe Wojazer/Pool

O presidente francês, Emmanuel Macron, literalmente suou a camisa no lançamento oficial do "grande debate nacional", destinado a construir soluções para a crise denunciada pelos coletes amarelos. Macron debateu nesta terça-feira (15) durante 7 horas com 653 prefeitos, principalmente de povoados da zona rural, reunidos na localidade de Grand Bourgtheroulde, na Normandia.

O centrista de 41 anos fez o que melhor sabe fazer: falar com franqueza, exalando uma energia sem limites (7h em pé), a ponto de opositores e imprensa descreverem o encontro como "um show de stand-up americano". O presidente tem talento para a comunicação.

"A França não é um país como os outros", disse Macron logo que tomou o microfone, fazendo alusão ao fato que encontrar um consenso entre os franceses, habituados a discordar de tudo, é uma tarefa difícil. Pedindo aos prefeitos que falassem de forma clara e "sem tabu", da maneira mais direta possível, Macron tentou quebrar a distância que ele mesmo criou depois de chegar ao Palácio do Eliseu, impondo um poder vertical.

O chefe de Estado respondeu a mais de 40 questões apresentadas pelos prefeitos. Em vários momentos, Macron arrancou aplausos, risadas e murmúrios da plateia. Ele ouviu, principalmente, que o Estado precisa diminuir suas despesas para reduzir a carga tributária. Mas deve fazer isso sem diminuir os serviços públicos, que dão coesão social e protegem os franceses ante as desigualdades. As famílias que moram em zonas rurais viram nos últimos anos governos sucessivos fecharem agências de correio, escolas, maternidades e tribunais de proximidade, gerando uma sensação de abandono do Estado em relação a essas populações periféricas.

Questionado se iria restabelecer o Imposto de Solidariedade sobre a Fortuna (ISF), abolido parcialmente no início de seu mandato e ainda no topo das reivindicações dos coletes amarelos, Macron rejeitou novamente a ideia, argumentando que o país não estava melhor quando o tributo era cobrado. Utilizando expressões populares, o presidente afirmou que propor a volta do ISF era uma "enganação", arrancando risadas. "É preciso combater as causas das desigualdades e, na minha opinião, a desigualdade de destino é a pior de todas. Isso o ISF não vai corrigir", argumentou. Países que estão bem são aqueles que apostam no crescimento e na criação de empregos, enfatizou.

Oposição vê oportunidade de recuperar protagonismo

Acuado por mais de dois meses de manifestações dos coletes amarelos, e agora pela oposição, que vê nessa crise uma oportunidade de ressurgir das cinzas, depois de ser dizimada pelos jovens macronistas nas eleições de 2017, Macron colocou os prefeitos no centro do grande debate nacional. Os eleitos municipais, ainda apreciados e respeitados pelos franceses, foram encarregados de recolher as demandas dos cidadãos e fazer a ponte com o presidente, visto por muitos como um monarca arrogante e desconectado do povo.

Os debates girarão em torno de quatro vastos temas e devem durar até março. São eles: habitação, mobilidade e aquecimento (das moradias), no âmbito da transição ecológica; tributação mais justa, eficaz e competitiva; evolução da democracia; e como tornar o Estado e os serviços públicos mais eficientes e próximos dos franceses.

A disposição demonstrada por Macron no debate de ontem surpreendeu, sobretudo pelo exercício de democracia horizontal. Resta saber se ele irá acolher as demandas dos franceses e atender às reivindicações, como prometeu. A França, com seus 35.357 municípios, não parece mesmo um país como os outros.

O diário econômico Les Echos disse que o país mergulhou num processo de terapia coletiva. "Para que o debate funcione, ele deve ser atraente e as pessoas devem poder se expressar. Macron fez tudo para que isso aconteça ontem à noite, estima Les Echos. "Avançar pelo consenso, como passou a apostar o presidente, é uma forma diferente de fazer política e mais fácil do que pelo enfrentamento", diz o editorial assinado por Cécile Cornudet.

Para Thomas Legrand, respeitado editorialista de política da rádio France Inter, ao recorrer aos prefeitos, Macron se reaproxima dos corpos intermediários, que havia afastado das decisões de governo. Sindicatos e associações são convidados a participar do debate. "São eles que exercem a democracia no cotidiano", observa o jornalista. Depois do grande debate, virá o tempo da ação. "Aí veremos se o novo Macron é mesmo consistente", concluiu Legrand.

O presidente que se cuide: o Partido Socialista lançou um abaixo-assinado que está quase obtendo a união da esquerda (socialistas, comunistas, ecologistas, extrema esquerda) para impor uma nova votação sobre o ISF na Assembleia, apesar da maioria macronista. A direita conservadora do partido Os Republicanos lançou, por sua vez, um contra-debate na internet para esvaziar a iniciativa de Macron.

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