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França

Com caderno de queixas, começa hoje o Grande Debate Nacional na França

media O presidente francês Emmanuel Macron está ao lado de Vanik Berberian (à direita), presidente da AMRF (Associação que reúne prefeitos de áreas rurais) e do Secretário Geral da AMRF, Michel Fournier, em Paris, França, 14 de janeiro de 2019 Ludovic Marin/Pool via Reuters

É no ginásio do pequeno município de Grand Bourgtheroulde, diante de 600 prefeitos normandos, que Emmanuel Macron dá, nesta terça-feira (15) o pontapé inicial do Grande Debate que deve responder à crise dos "coletes amarelos" e permitir ao presidente reavivar o seu quinquenato.

Esta primeira aparição pública do chefe de Estado na região depois de um mês será realizada sob alta segurança, enquanto os "coletes amarelos" e sindicatos convocaram demonstrações no local.

Qualquer demonstração é proibida no município até quarta-feira. Em Rouen, a cerca de 30 quilômetros de distância, mais de 2.500 "coletes amarelos" marcharam no sábado, no centro da cidade, uma mobilização que levou a confrontos com a polícia e ataques a jornalistas.

Como vai funcionar?

Dois meses de debate, quatro temas principais propostos pelo governo, participação de ministros e eleitos locais e garantia de independência: estas são as modalidades do Grande Debate organizado na França, uma vasta consulta nacional crucial para o executivo que espera acalmar a ira do "coletes amarelos".

Os temas, pré-definidos pelo governo, são: habitação, mobilidade e aquecimento (das moradias), no âmbito da transição ecológica; tributação mais justa, eficaz e competitiva; evolução da democracia; e como tornar o Estado e os serviços públicos mais eficientes e próximos dos franceses.

Desta terça-feira, 15 de janeiro a meados de março, em toda a França e em múltiplas formas: debates em prefeituras, mercados ou locais de trabalho. "Todo mundo pode organizar um debate, na vizinhança, na comuna, na região, numa associação com a ajuda de um kit para realização do debate”, afirma a Comissão Nacional do Debate Público, que preparou o kit.

Uma plataforma online irá recolher contribuições a nível nacional e serão organizadas conferências de cidadãos em cada região "para discutir análises e propostas", afirma a Comissão.

Cadernos de queixas

Justiça social, a eliminação de impostos, ecologia... Há mais de um mês, os franceses tomaram a palavra, entre a raiva, humor e paixão, nos cadernos de queixas deixados à sua disposição nos municípios rurais.

Milhares de pedidos e protestos já foram entregues a Emmanuel Macron na segunda-feira (14), aguardando o Grande Debate que se inicia oficialmente hoje.

Muitas mensagens dizem respeito à necessidade de equidade social e redução de impostos. Mas a França rural permanece razoável: "Basta de taxas, impostos, a maioria dos coletes amarelos está certa, mas também não é o caso de uma revolução", escreveu Ernest.

Os colaboradores às vezes se identificam com cuidado. Outros textos não carregam as assinaturas nos cadernos apresentados segunda-feira pela Associação de Prefeitos Rurais da França.

François du Cheix-sur-Morge (Puy-de-Dôme) quer reduzir os gastos: "Diminuição de gastos públicos para a manutenção do Estado. Presidente, governo. Diminuição do orçamento para o Exército. Remoção de impostos de todos os tipos. Supressão da ideia de construir uma linha TGV [trem de alta velocidade] Clermont-Paris".

"Desconcentrar! E descentralizar! E pôr fim às ‘monarquias republicanas’ em todos os níveis do município para o Estado. Não podemos desperdiçar a presente oportunidade para redefinir a governança", defende um colaborador anônimo.

Um habitante de Tubersent, no Pas-de-Calais, mostra o desejo por ordem: "Parar os gastos púbicos e diminuir os impostos. [Pela] volta da ordem em nosso país, dando poder à polícia e outros. Excluir as comunidades de municípios que são um poço financeiro ".

Um amante do mar chama o "Capitão Macron": "O mar está agitado na França, os franceses estão nas ruas, os migrantes estão no castelo. Você perdeu a bússola, difícil de manter o curso".

Mas o que querem os franceses?

Os franceses desejam ver abordados prioritariamente os temas de poder de compra e tributação no Grande Debate Nacional, que se inicia nesta terça-feira (15) em resposta à crise de "coletes amarelos", segundo pesquisa do Elabe feita para TV BFM.

No entanto, apenas 40% dos entrevistados dizem que pretendem participar do debate oficial, iniciado hoje no departamento do Eure por Emmanuel Macron.

Ouvido no dia seguinte à publicação da carta enquadramento do Presidente da República, um pouco menos da metade (49%) dos entrevistados citou o poder de compra como um dos três temas que eles desejam ver abordados em prioridade, e 46% citaram os impostos e taxas. Então vêm as desigualdades e injustiças sociais (29%).

Os seguintes temas são o nível de despesas públicas (27%), aposentadorias e pensões (26%), emprego (22%), imigração (19%) e meio ambiente (18%). A laicidade é mencionada por apenas 3% dos entrevistados.

Solicitados a responderem partir de uma lista de propostas, 53% dos franceses entrevistados escolhem a remoção dos "benefícios do representantes eleitos", e 45%  querem "diminuir o número de deputados e senadores ". Cortes do imposto sobre os produtos de necessidades básicas vem em terceiro, com 41%.

As propostas aprovadas posteriormente são a re-indexação das pensões sobre a inflação (35%), a restauração do imposto sobre a riqueza (34%), aumento do salário mínimo (33%) e maior tributação das multinacionais de tecnologia ("Gafa") (32%).

O referendo de iniciativa dos cidadãos (RIC) e a abolição do limite de velocidade a 80 km/h são mencionados apenas por 19% e 18% dos franceses, respectivamente.

De acordo com uma pesquisa da Opinion Way divulgada segunda-feira (14), mais de dois terços dos franceses (67%) dizem querer uma reforma institucional ao final do grande debate.

A pesquisa Elabe foi realizada em 14 de janeiro pela internet, com de uma amostra de 1.006 pessoas representativas da população francesa com 18 anos ou mais.

(Com informações da AFP)

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