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França

Cerca de 84 mil na França, “coletes amarelos” sobem o tom em Paris

media "Coletes amarelos" ajudam manifestante machucado por caminhão-tanque durante protestos no Arco do Triunfo em Paris, em 12 de janeiro de 2019. REUTERS/Christian Hartmann

Se no resto da França os protestos dos “coletes amarelos” foram relativamente tranquilos neste sábado (12), em Paris alguns manifestantes ameaçaram confrontos com as forças de segurança. Cerca de 84.000 “coletes amarelos” participaram de protestos em todo o país, contra os 50.000 da semana passada.

224 pessoas foram colocadas em prisão preventiva pela polícia em todo o território francês, e cerca de 102 foram detidas no local dos protestos, segundo o Ministério do Interior da França.

A polícia usou gás lacrimogêneo e caminhões-tanque com jatos de água para conter a multidão. As forças de segurança começaram a se dispersar a partir de 17h30 (hora local, 14h30 em Brasília) na Place de l’Étoile, palco principal de violências nas últimas semanas, no centro de Paris.

Os confrontos eclodiram neste sábado (12) no meio da tarde entre os manifestantes dos "coletes amarelos" e forças de segurança em Paris e no interior da França, depois de manifestações calmas na parte da manhã, confirmando os temores do Ministério do Interior de uma violência renovada.

Na capital francesa, vários grupos se reuniram diretamente na avenida des Champs-Elysées, sem participar do protesto oficialmente organizado a partir do meio-dia entre a Bastilha e a Place de l’Étoile. A tensão aumentou por volta das 14h30, horário francês, na avenida mais famosa do mundo, com o lançamento de gás lacrimogêneo e de jatos de água de caminhões-tanque pelas forças de segurança, que tentavam bloquear o acesso à praça de Concorde.

"Braçadeiras brancas"

Uma novidade deste “Nono Ato” dos “coletes amarelos” deste sábado foi a presença de manifestantes com braçadeiras brancas, uma espécie de tentativa de organização dos protestos, com o objetivo de garantir a segurança da manifestação, e de evitar confrontos e violências policiais. Eles são cerca de 40 voluntários e costumam caminhar à frente da multidão.

Perto do Boulevard Haussmann e das famosas Galerias Lafayette, eles fizeram um cordão para bloquear a passagem de manifestantes que queriam atacar a polícia estacionada em uma rua adjacente, e também dispensaram aqueles que queriam atacar as vitrines das lojas. Alguns dos coletes amarelos que vestiam as braçadeiras brancas foram atacados por manifestantes, que diziam que eles eram “escravos de Macron”, uma referência ao presidente francês.

Responsáveis pela segurança, os manifestantes com as braçadeiras brancas, no entanto, não saíram do lugar, apesar dos ataques. Nesta época da tradicional grande liquidação de inverno em Paris, quando as grandes marcas fazem descontos de até 80%, alguns gilets jaunes ironizaram ameaçando “fazer a festa” nas principais vitrines de Paris.

Rejeição à imprensa

Sinal da rejeição dos manifestantes à imprensa, que tem sido um dos alvos preferidos dos protestos, os “coletes amarelos” bloquearam neste sábado (12) a circulação de um jornal local do norte do país.

Os manifestantes barraram o depósito do diário La Voix du Nord, em Anzin, e impediram que 20 mil exemplares do dia fossem distribuídos. Cerca de 30 “coletes amarelos” ameaçaram incendiar o caminhão que havia recuperado os exemplares na gráfica e faria a entrega do jornal, conforme o diretor da publicação, Gabriel d’Harcourt. A publicação anunciou que entraria com queixa contra os manifestantes. Em dezembro, 180 mil exemplares do jornal Ouest-France foram bloqueados pelos manifestantes, em uma ação semelhante.

Na última segunda-feira (7), jornalistas da emissora BFMTV fizeram uma “greve de cobertura” da manifestação para protestar contra os ataques que os jornalistas têm recebido durante os atos dos “coletes amarelos”. A imprensa é acusada de imparcialidade, em um movimento que aposta nas redes sociais para ganhar adeptos.

Nesse contexto, as páginas dos “coletes amarelos” são inundadas de vídeos ao vivo durante os protestos – muitos manifestantes alegam que essa é a única maneira de transmitir informações verídicas sobre as manifestações. A circulação de fake news nas redes sociais do movimento também é comum.

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