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França

Filha de mafioso sanguinário que inspirou Coppola causa polêmica com restaurante em Paris

media Lucia Riina, 38, filha do último grande chefão da máfia siciliana, Toto Riina. Reprodução Facebook

A italiana Lucia Riina, 38, filha do último chefão da máfia siciliana, Toto Riina, que morreu em 2017, reagiu à polêmica causada pela abertura em Paris do restaurante "Corleone by Lucia Riina", criado por um dos seus amigos. Seu pai inspirou o mítico filme de Francis Ford Coppola, “O Poderoso Chefão”, com Marlon Brando no papel principal.

Entrevistada pelo jornal Le Parisien no restaurante Corleone, onde trabalha, Lucia Riina disse que desejava acabar com a polêmica, rodeada por um cenário onde constam fotos da aldeia de Corleone na parede, um emblema da Sicília bordado no chão e garrafas de vinho italiano nas prateleiras. A casa afirma que deseja promover a atmosfera da autêntica cozinha siciliana, com produtos de alto nível.

Olhos azuis e rosto sério, Lucia Riina nunca mergulhou nos assuntos da família da máfia, mas não renegou seu pai, como o Estado italiano lhe impunha. Pascal Fratellini, dono do restaurante "Corleone de Lucia Riina", na rua Daru, perto do Arco do Triunfo, em Paris, afirmou que "as crianças de mafiosos não precisam pagar pelos erros de seus pais".

Pintora instalada na capital francesa há vários anos, a filha do último poderoso chefão criou um site na internet para vender suas obras, através do qual conheceu Fratellini, dono de casas noturnas em Paris e um dos herdeiros do famoso trio de clowns, originários de Florença, na Itália. “Vendi quadros para ele e simpatizamos durante uma troca de e-mails. Ele me contou a história de sua família. No início, ele se ofereceu para organizar uma exposição. Então ele teve a ideia deste restaurante em Paris”, contou Riina ao Le Parisien.

“Ele veio me ver em Corleone, na Sicília, nós o visitamos pela primeira vez, em março, em Paris. Ele ofereceu a mim e a meu marido a oportunidade de trabalhar neste restaurante e também vender minhas pinturas, oferecendo uma pequena oficina. Estamos lá há três meses e o restaurante foi inaugurado no dia 5 de novembro de 2018”, revelou a artista.

Oportunidade para “mudar de vida”

Lucia disse ainda que recepciona os clientes no restaurante, toma conta do bar e “aprende a profissão”. “Não há lavagem de dinheiro, não temos uma mala de dinheiro, como fomos acusados. Tudo é transparente. Pascal fez um empréstimo no banco. Ele nos colocou um pequeno apartamento no bairro onde moramos com minha filha de dois anos. É uma oportunidade para mudar minha vida e vender minhas pinturas, mesmo que eu sinta saudade do meu país”, declarou.

Perguntada se o nome do restaurante não seria um pouco “provocativo”, Lucia responde que viveu desde seus 12 anos em Corleone, na Itália, até que seu pai fosse preso. “Eu tive uma vida normal lá. Hoje eu sou pintora e mãe de uma garotinha. Meu pai teve sua história, eu tenho a minha”, respondeu Riina.

Sobre sua infância, Lucia Riina prefere não comentar. “Tenho muito poucas lembranças, e não tenho vontade de falar sobre elas. Enquanto meu pai era procurado pela polícia, eu frequentava o colegial, passei no vestibular e comecei meus estudos de contabilidade. Não quero mais estar associada à imagem de meu pai, nem de nada que seja mafioso. Quero sair desta armadilha”, afirmou.

Quem foi o “Poderoso Chefão”?

Morto em 2017, ele inspirou "O Poderoso Chefão", o filme mítico de Francis Ford Coppola em que Marlon Brando desempenha seu papel. Toto Riina é o último chefão da máfia siciliana. Nascido em uma família pobre de camponeses, em Corleone - nome dado a Toto Riina no longa-metragem - ele escalou os degraus da Cosa Nostra ao liquidar seus inimigos, um após o outro.

Investigado por mais de cem homicídios, incluindo os de mulheres e crianças, o poderoso e sanguinário líder, "Toto U Curtu" (o pequeno) por seu tamanho (1m58) reinou sobre a máfia siciliana até sua morte na prisão, em 2017, aos 87 anos de idade. Procurado durante 24 anos pela polícia, ele foi traído por sua família e preso em 1993, condenado várias vezes à perpetuidade.

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