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França

“Canetas vermelhas”: após “coletes amarelos”, ira de professores se alastra na França

media Os "canetas vermelhas" ("stylos rouges") já são mais de 50 mil, apenas no Facebook. Reprodução Facebook

Depois dos "coletes amarelos", os "canetas vermelhas": no Facebook, mais de 50.000 professores que se consideram "esquecidos" pelo governo, querem, por sua vez, ser ouvidos e exigir uma reavaliação de seus salários, e de sua profissão.

O movimento nasceu no dia 12 de dezembro de 2018, dois dias após o discurso do presidente francês Emmanuel Macron, que tentou acalmar a ira dos "coletes amarelos" anunciando uma série de medidas sociais, incluindo um aumento de € 100 no salário mínimo.

De um punhado de membros iniciais, os “canetas vermelhas” contabilizavam, já no início de janeiro de 2019, quase 50 mil pessoas, principalmente professores, mas também psicólogos e consultores educacionais do ensino público na França.

"Inicialmente, criamos esse grupo no Facebook, 'Canetas vermelhas com raiva', porque tivemos a sensação de sermos esquecidos pelo presidente", diz Jennifer, uma de suas fundadoras, uma professora da Normandia, no norte da França, que não desejou dar seu nome completo. "Expressamos nossas reclamações por anos, gostaríamos que ele também fizesse anúncios que favorecessem a Educação Nacional, porque o Estado é o nosso empregador", constatou.

Mais do que aumento de salário

Em um manifesto postado no Twitter, os professores "irritados" pediram ao governo francês um aumento nos salários. Mas se no início as demandas do grupo eram essencialmente "salariais", elas evoluíram desde então, segundo informou a professora Jennifer. As reivindicações dos professores expressam agora      um "profundo desejo de renovar a Educação Nacional" e de “ver seu trabalho revalorizado”.

"Pedimos um respeito real para com nossos alunos, com matrícula limitada na sala de aula para 20 alunos do ensino fundamental, 25 no ensino médio e 30 no colegial", disse a profissional.

Reivindicações

A lista de queixas não pára por aí: os professores desejam, em particular, o fim das supressões de vagas, o fim do dia de carência, uma rediscussão da reforma do ensino médio com todos os envolvidos, formas e instrumentos mais humanos para ajudar os alunos em dificuldade e a criação de uma medicina do Trabalho dedicada à Educação Nacional, uma verdadeira instituição na França.

Mais do que os "coletes amarelos", os professores acreditam que foram galvanizados pelo movimento "#pasdevague" (“sem onda”, em tradução livre): com essa hashtag, milhares de professores contaram no Twitter a violência sofrida diariamente em suas classes, após a transmissão em vídeo nas redes sociais, de outubro de 2018, de um estudante apontando seu professor com uma arma fictícia.

"O ministro [da Educação] Jean-Michel Blanquer está constantemente falando sobre a ‘escola de confiança’, mas nós não sentimos essa confiança", diz Sam, um professor em Seine-Saint-Denis, na periferia de Paris, e um dos fundadores do grupo no Facebook.

O orçamento francês para 2019 prevê a eliminação de 2.650 cargos em faculdades públicas e escolas secundárias. Quanto à reforma do ensino médio, introduz a supressão das séries (ES, S, L), que devem entrar em vigor em junho de 2021.

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