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França

Best seller francês, Houellebecq antecipou “coletes amarelos” em novo livro

media O escritor francês Michel Houellebecq. AFP

Ele é considerado visionário na França. Seu romance “Submissão” (lançado no Brasil pela Alfaguara, da Cia das Letras), lançado no dia do atentado à redação do jornal satírico Charlie Hebdo em Paris, em 2015, falava sobre a chegada ao poder de um muçulmano no país. Seu novo livro, “Serotonina” (“Sérotonine”, no título original em francês), lançado nesta sexta-feira (4), antecipa, segundo a imprensa, o surgimento dos “coletes amarelos” na França. Michel Houellebecq, eterno enfant terrible da literatura francesa, já é o número 1 de vendas em todas as livrarias e sites especializados do país.

No site da Amazon na França, o livro já era o número 1 de vendas nesta sexta-feira (4), no meio da tarde. "É simples, todas as minhas vendas se concentraram neste livro esta manhã!", exclamou um atendente da livraria Delamain, perto do Palais Royal, em Paris.

Até na livraria Les Halles, em Niort, cidade descrita no livro como "uma das mais feias que existem" pelo autor, os leitores têm comprado: metade do estoque disponível (100 cópias) já foi vendido. "Desde esta manhã, temos um desfile de jornalista e câmeras por aqui, Houellebecq adiciona um pouco de tempero à vida cotidiana", entusiasmou-se um livreiro local, Antoine Pasquereau.

O mais lido escritor francês contemporâneo observa, segundo sua editora, "uma rígida dieta midiática", não concedendo entrevistas. Mas seu romance é um evento do inverno literário na França, e também na Europa, onde as vendas começarão na próxima semana. Será lançado em alemão em 7 de janeiro, em espanhol no dia 9, em italiano no dia 10 e em inglês em setembro.

A editora Flammarion planejou uma circulação excepcional de 320.000 cópias de “Serotonina” (a circulação média de um romance na França é de cerca de 5.000). Na Alemanha, sua editora planejou uma impressão igualmente excepcional para um livro estrangeiro: 80.000 cópias. Na Espanha, a primeira edição é de 25.000 exemplares.

Niilista, mas ancorado na realidade

Na livraria Le Divan, em Paris, Chantal, de 67 anos, veio pegar o livro logo no início das vendas. Ela conta que fazem "vários dias que (ela) espera", porque ama este escritor "relevante, ancorado na realidade," mesmo com seu lado "niilista e escuro." "Há muito poucos autores que têm uma visão da sociedade", declarou.

A poucos passos de distância, Antoine Jourdan, aposentado de 76 anos, disse, ao contrário, estar cansado da profusão midiática em torno do novo livro de um escritor que considera "cínico". "Eu não vou ler, a menos que alguém me convença ...", disse.

O romancista não havia publicado mais nada desde o polêmico "Submissão", publicado há quatro anos, no dia do ataque terrorista contra o Charlie Hebdo. Contabilizando todas as suas edições, o livro vendeu quase 800.000 cópias no mundo francófono. Na Alemanha, "Submissão" ultrapassou as 520.000 cópias.

O sétimo romance de Michel Houellebecq, de 62 anos, mergulha seus leitores no coração da França rural e sofredora. Escrito meses antes do aparecimento de "coletes amarelos", o romance parece ter antecipado esse movimento, que nenhum político tinha visto chegando.

Sobre o novo best seller

A serotonina, substância escolhida por Houellebecq para ser título do livro, é um “neurotransmissor associado à felicidade”, de acordo com os sites médicos. Ela está presente no cérebro, no sangue, nos intestinos e nos tecidos do corpo humano, além de ter impacto na administração do sono, da agressividade ou da depressão.

O nome não poderia ser mais apropriado para a sétima obra de Michel Hoellebecq, que conta a história de Florent-Claude Labrouste, de 46 anos, funcionário do ministério da Agricultura – e totalmente deprimido. O site da rádio FranceInfo classicou o livro como o mais “houellebecquiano” de todos, a começar pelo fato de que o herói é um “protótipo perfeito” do autor.

O livro também funciona como crítica da sociedade francesa e ocidental, como foi o caso em suas obras passadas. A fórmula de uma descrição afiada e dura da “geografia social” parisiense funcionou bem para outros autores contemporâneos, como Virginie Despentes, que criou o fantasmagórico universo de Vernon Subutex.

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