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França

Polícia francesa procura “serial killer” de coelhos

media Coelhos mortos encontrados na residência dos L'Hévéder, em 23 de outubro de 2018. Facebook Instinct Animal et Spirituel

A morte misteriosa de uma centena de coelhos tem causado alarde na região de Côtes-d’Armor, na Bretanha, nordeste da França. Mais de cem animais foram abatidos em dez meses e as autoridades pedem ajuda dos moradores para identificar o assassino.

Os cadáveres dos coelhos são simplesmente deixados para trás em Minihy-Tréguier e outras comunidades vizinhas. Desde março, 62 animais foram mortos na cidade de 1.200 habitantes e outros 60 em cinco aldeias próximas. Depois de uma pausa de quase dois meses, sete novos cadáveres foram encontrados em Minihy-Tréguier em meados de dezembro, revivendo o fantasma de um "serial killer” de coelhos.

A investigação aberta pelas autoridades locais ainda não deu frutos: a polícia tem dificuldade para identificar o autor dos ataques que vêm tirando a paz dos moradores. Por instrução dos policiais, o casal Eugène e Marie-Françoise L'Hévéder anotam as placas de todos os carros que passam em frente à casa deles, mesmo os de visitantes anunciados.

Desde que seus 20 coelhos foram mortos em circunstâncias misteriosas nos últimos dez meses, os aposentados vigiam a pequena estrada que leva à sua residência. Sinais de "propriedade privada" acabam de ser instalados para marcar a entrada de suas terras.

Suspeitas

Tudo começou em março passado, quando Eugène L'Hévéder encontrou dois de seus coelhos mortos ao lado de suas gaiolas. Em maio, mais três coelhos foram mortos. No início de setembro, ele descobriu os cadáveres de uma coelha e seus nove filhotes espalhados pela propriedade. "Eu os encontrei na frente da gaiola, em um hangar vizinho pertencente a um agricultor e na estrada em frente à minha casa", conta o aposentado.

Inicialmente, o casal suspeitou que se tratasse de um animal predador. Porém, um telefonema, no início de outubro, finalmente os levou a prestar queixa sobre o caso: o homem que lhes vendera os coelhos queria saber se os animais estavam bem, após muitos clientes terem sofrido perdas inexplicáveis.

Poucos dias depois, a história se repete na casa dos L’Hévéder, só que desta vez, em plena luz do dia: entre 9h e 11h da manhã, enquanto os aposentados faziam compras. Quando Eugène e Marie-Françoise voltaram para casa, eles encontraram os seus últimos cinco coelhos mortos no chão.

Caçada começou nas redes sociais

Foi quando a polícia de Côtes-d'Armor resolveu publicar uma mensagem nas redes sociais explicando o ocorrido e buscando por testemunhas. "Desde o final de agosto, um indivíduo entra em propriedades privadas de Minihy-Tréguier em que estão instaladas gaiolas de coelhos. Elas são abertas e, em seguida, os animais são mortos friamente, sendo que os cadáveres são deixado para trás. A polícia abriu um inquérito judicial ", diz o texto.

Sem sinais de sangue

"O procedimento é sempre o mesmo", explicou à FranceInfo Jean-Yves Fenvarc'h, prefeito de Minihy-Tréguier. "Quando observamos os coelhos, percebemos que eles não têm ferimentos e nem sinais de sangue," descreve.

"Não havia nenhum vestígio de sangue, nada anormal," relatou Jean-Yves Bénech. No início de outubro, o morador encontrou onze de seus coelhos mortos, espalhados pelo chão, em frente às gaiolas, onde ele os havia alimentado antes de sair para o trabalho. O relato é feito com lágrimas nos olhos.

Uma "psicose permanente"

"Quando as pessoas vêm ao meu encontro na prefeitura ou eu as encontro na rua, nós não falamos sobre a meteorologia," brinca o prefeito de Minihy-Tréguier. O assunto é sempre o mesmo: "e o matador de coelhos, você o encontrou?", pergunta a comunidade, inquieta. "Não, ainda não", responde Jean- Yves Fenvarc'h. "A psicose hoje é permanente e está crescendo", diz ele.

O próprio prefeito consultou a lista de moradores em busca de um perfil suspeito. Mas "não há ninguém que possa ser um assassino em série", diz. As conversas giram em torno dos muitos artigos publicados na imprensa local, como Ouest-France, Le Télégramme ou Le Trégor. "É claro que se a manchete for sobre os coelhos, vende", diz o jornaleiro da cidade.

O caso chegou aos olhos da imprensa nacional francesa. Questionada sobre o assunto pelo canal de televisão M6, a criminologista científica da polícia, Sylvia Bréger, chegou a mencionar um risco de escalada criminal entre humanos.  "Em algum momento, é possível que não seja mais suficiente matar animais e que o assassino possa se voltar para os seres humanos: crianças, mulheres, homens”, diz o trecho da entrevista reproduzida no Télégramme.

Após a exibição da reportagem, o prefeito de Minihy-Tréguier, que estava em férias na Espanha, recebeu dezenas de mensagens preocupadas em seu telefone. "Isso não é coisa que se diga", lamentou. "Todo mundo pensa sobre isso, mas ninguém quer ouvir," completou o prefeito.

Como resultado, alguns moradores temem por sua segurança. "Não estamos tranquilos, felizmente eu tenho meu cachorro", disse à Franceinfo Monique, que vive em Minihy-Tréguier. "Minha mãe, que tem 88 anos e mora sozinha, também está com medo", continuou ela.

Desvendando o caso

Até o momento, os policiais estão na trilha de um carnívoro. A revelação foi feita à imprensa local em 18 de dezembro. Segundo os investigadores, "os exames e a autópsia realizada nos coelhos encontrados mortos mostraram que as lesões observadas eram causadas por mordidas de carnívoro ". Foi a primeira vez que o major Dominique Flury, de Tréguier, falou sobre o caso.

O assassino, então, seria um cachorro?

"Eu não ficaria surpreso, há muitos cães errantes por aqui e eles são mais espertos do que pensamos", disse Bernard, morador da cidade vizinha de Plougrescant.

Porém, em Trégor, essa declaração da polícia não foi bem recebida. "Deve ser uma brincadeira", disse Florence, morador de La Roche-Derrien, onde o assassino também atacou. Para Jean-Yves Bénech, a hipótese de um cão que teria conseguido abrir as gaiolas não se sustenta. "Como ele poderia ter removido as travas?", pergunta.

"Um ou mais cachorros são perfeitamente capazes de abrir as gaiolas por conta própria e retirar coelhos para matá-los", disse à Franceinfo o veterinário François Boulange, cuja clínica em Tréguier foi contratada duas vezes para fazer as autópsias. "Dois veterinários realizaram esses exames e, sem consultar um ao outro, concluíram em todos os casos que se tratava de mordidas de cães", explicou o veterinário. François Boulange acrescenta que "o fato de abandonar cadáveres no local é comum no caso de cães, que matam diversos animais".

Os veterinários são afirmativos e não têm dúvidas sobre a responsabilidade dos cães vadios. Para ter certeza, contudo, os policiais instalaram uma armadilha ao lado das gaiolas de um proprietário que comprou coelhos como isca para o tal cachorro assassino. Por enquanto, ela permanece vazia.

No entanto, os investigadores não excluem o rastro de uma intervenção humana nessas mortes. E pediram a todos os proprietários de coelhos da região que "reforcem o sistema de segurança de suas gaiolas para excluir ou confirmar a ação humana".

O mistério, por enquanto, continua.

 
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