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França

Pivô de escândalo sexual que causou cancelamento do Nobel de Literatura pede recurso contra condenação

media Jean-Claude Arnault, no tribunal da Estocolmo, 19 de setembro de 2018. Jonathan NACKSTRAND / AFP

O francês Jean-Claude Arnault, pivô do escândalo sexual que causou o cancelamento do prêmio Nobel de literatura em 2018, fez um pedido de recurso na Suprema Corte sueca, segundo anúncio feito nesta segunda-feira (27). Uma das figuras mais influentes do meio cultural da Suécia, ele foi condenado em 3 de dezembro a dois anos e seis meses de prisão por estupro.

Jean-Claude Arnault pediu para que a Suprema Corte rejeite inteiramente o veredito. O órgão deu até o dia 28 de janeiro para que o francês traga novos argumentos para reforçar seu pedido.

Arnault é casado com Katarina Frostenson, que faz parte da Academia Sueca e se pronunciou raramente desde o início do escândalo. O episódio eclodiu em novembro de 2017, um mês após o surgimento de acusações de estupro e abuso sexual contra o magnata de Hollywood, Harvey Weinstein. Na época, o jornal sueco Dagens Nyheter publicou os depoimentos de 18 mulheres que alegavam ter sido estupradas, agredidas sexualmente ou assediadas por Arnault.

O francês dirigia o clube do Fórum, que ele fundou em 1989 como local de encontro da elite cultural, e era popular entre os aspirantes a jovens autores que esperavam fazer contato com editores e escritores.

A Academia Sueca, que financiou seu clube por anos, tem 18 membros e Arnault frequentemente se referia a si mesmo como o "19º". Ele chegou a vazar os nomes dos vencedores do Nobel para amigos.

“Cultura do silêncio”

As revelações deixaram a prestigiosa instituição profundamente dividida sobre como administrar seus laços com Arnault e sua esposa, com alguns membros deixando a Academia. Seus acusadores afirmam que a Academia estava ciente do comportamento de Arnault, mas garantiu que "uma cultura de silêncio" reinou nos círculos culturais.

Desacreditada e sem quórum para tomar decisões importantes, a Academia adiou o anúncio do Prêmio Nobel de Literatura de 2018 pela primeira vez em 70 anos. Várias alegações contra Arnault foram retiradas devido à falta de provas ou porque o estatuto de limitações expirou.

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