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França

Governo francês é pressionado por petição em defesa do clima assinada por 1,7 milhão de pessoas

media Reprodução da matéria publicada pelo jornal Le Parisien/Aujourd'hui en France nesta quarta-feira (14). Reprodução/Le Parisien

A imprensa francesa desta quarta-feira (26) destaca o sucesso de uma petição na internet, criada por quatro ONGs contra o governo francês pela falta de engajamento climático. Em apenas uma semana, o documento foi assinado por mais de um milhão e 700 mil pessoas na França.

"O problema do século" é o nome do documento disponibilizado na internet por quatro ONGS, entre elas, o Greenpeace e a Oxfam. Essas organizações decidiram, em nome do interesse dos cidadãos, processar o governo francês para que ele respeite os compromissos climáticos.

O sucesso do engajamento dos franceses em prol desta causa é destacado pelo jornal Les Echos, que lembra que uma petição nunca conseguiu reunir tantas assinaturas no país. Entrevistada pelo diário, Audrey Pulvar, presidente da Fundação Pela Natureza e Pelo Homem, uma das ONGs que idealizaram o movimento, diz que a grande quantidade de assinaturas - mais de de um milhão e 700 mil - mostra que "as questões ligadas ao aquecimento global e à biodiversidade estão no centro das preocupações dos franceses".

No documento, as quatro ONGs se dirigem ao primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, e seus doze ministros, dizendo que as emissões de gases de efeito estufa aumentaram na França desde a Assinatura do Acordo de Paris, na COP 21, em 2015. "As mudanças climáticas estão aí: elas já afetam as nossas vidas e não poupam ninguém", diz o texto da petição, destacando que "os Estados e os atores econômicos permanecem surdos aos apelos desesperados de cientistas e associações", enquanto os "investimentos necessários para remediar essa catástrofe deveriam ser financiados majoritariamente pelos mais abastados", mas "é a classe média e os mais desfavorecidos que mais contribuem hoje".

Ministro francês critica petição

A reação do governo francês à petição estampa a capa do jornal Le Parisien/Aujourd'hui en France desta quarta-feira, que entrevistou o ministro da Transição Ecológica, François de Rugy. "Não é no tribunal que vamos fazer com que as emissões de gases poluentes baixem", é a manchete que destaca uma das declarações do ministro.

François de Rugy se diz a favor da mobilização pelo clima, mas acredita que a justiça não tem o poder de forçar o governo a respeitar as leis: "não é essa a função de nossas instituições", afirma. No entanto, o ministro reconhece que as emissões de gases poluentes tiveram um aumento em 2017, segundo ele, devido à "recuperação econômica" do país.

Na entrevista, o ministro critica o movimento dos "coletes amarelos" e diz acreditar que o sucesso da petição está relacionado com a mobilização que, em suas palavras, "trata a ecologia como se fosse um problema". François de Rugy tenta justificar o aumento sobre o imposto sobre a transição ecológica - alvo da revolta dos "coletes amarelos" e que foi cancelado antes de começar a ser aplicado.

O ministro afirma que a medida deveria engajar os franceses que querem lutar contra o problema e diz que o debate que o governo pretender iniciar em 2019 sobre a questão climática vai decidir as escolhas coletivas a serem feitas em prol do clima.

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