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França

Libération critica visão de Macron que transformou faculdade em artigo de luxo

media O jornal Libération traz em manchete o aumento dos custos da universidade francesa para estudantes estrangeiros. Fotomontagem RFI

O aumento explosivo dos custos do ensino superior público na França para estudantes estrangeiros não europeus, que entrará em vigor no ano que vem, volta às manchetes com uma reportagem de sete páginas nesta terça-feira (18) no jornal Libération. Em alguns cursos, o valor da matrícula será multiplicado por 15, uma quantia que torna a universidade inacessível para milhares de estudantes.

"Primeiro o cartão de crédito, depois o CV", diz com ironia a manchete do Libération. A França é 4° país no mundo que mais acolhe universitários estrangeiros, atrás do campeão Estados Unidos, seguido por Reino Unido e Austrália. Em 2015, de acordo com os dados publicados pelo jornal, 239 mil estudantes estrangeiros estudavam nas faculdades públicas francesas. Chineses, marroquinos e argelinos eram os mais numerosos.

Os brasileiros, de acordo com os dados do Libération, eram 4.311 alunos em 2015. Reportagem da RFI mostrou que vários brasileiros vão desistir de seus cursos por não ter condição financeira de arcar com o reajuste das matrículas.

Em seu editorial, o jornal de esquerda considera "louvável" a justificativa do governo para aumentar o valor das inscrições na graduação dos atuais € 170 para € 2.770, enquanto as do mestrado e do doutorado subirão para € 3.770, contra € 243 e € 380 atualmente. O objetivo declarado é melhorar a credibilidade do ensino francês nos rankings internacionais.

O fato de as universidades serem praticamente gratuitas acabou criando a ideia distorcida de que elas não teriam cursos de qualidade e levando muitos talentos a buscar as caras universidades americanas, britânicas e australianas pela reputação de estudos de excelência. Mas este argumento é paradoxal, afirma o Libé.

O jornal questiona se tudo o que é barato ou gratuito de fato não é atraente. E critica a decisão do governo de levar para o ensino o conceito do "luxo", como faz com os perfumes. "Perfume barato cheira mal, enquanto perfume caro é a certeza de levar um cheiro gostoso para casa", ironiza o jornal. A verdadeira questão para o Libération é que estudar não é um "luxo"; tornou-se uma necessidade absoluta num mundo cada vez mais populoso e competitivo.

Na opinião do diário, o governo deveria ser transparente e assumir que está aumentando a arrecadação das universidades "nas costas dos estrangeiros", uma vez que falta dinheiro público para investir nessas instituições.

Falta consenso entre reitores

A medida divide os reitores. Eles constatam que os jovens africanos serão os mais penalizados. Estudantes de várias unidades se rebelaram e fizeram bloqueios às aulas no mês de dezembro.

Os estrangeiros não europeus se sentem profundamente discriminados, apesar de o governo ter prometido triplicar as bolsas de estudos. O ex-presidente François Hollande descartou o aumento durante seu mandato por considerar uma medida injusta e que acentua as desigualdades.

O problema de Emmanuel Macron, observa Libération, é que a lógica do chefe de Estado é sempre voltada para os primeiros da classe. "O restante dos alunos, mesmo que sejam a maioria, que se virem", conclui o Libé.

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