Ouvir Baixar Podcast
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 17/06 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 17/06 15h06 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 17/06 15h00 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 17/06 09h57 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 17/06 09h36 GMT
  • 09h30 - 09h36 GMT
    Jornal 17/06 09h30 GMT
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 16/06 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 16/06 15h06 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.
França

Seis meses após título, franceses não encontram camisas com duas estrelas da seleção. Erro estratégico da Nike?

media Paul Pogba com a famosa camisa com duas estrelas da seleção francesa. REUTERS/Carl Recine

Ela deveria ter sido um dos presentes mais aguardados para este natal. No entanto, milhões de franceses não irão conseguir a tão esperada camisa com duas estrelas da seleção campeã do mundo. A revista semanal Le Point conversou com um ex-dirigente da principal concorrente da Nike que afirmou ver no planejamento da empresa americana um menosprezo quanto a imagem de marca que a França teria na venda de camisas no mercado mundial. Com isso, o público francês começa a se irritar com a situação.

“Os fãs estão raivosos”, diz o jornalista Antoine Grenapin. No site da Federação Francesa de Futebol (FFF), é possível encomendar a camisa que tem previsão de entrega somente para 30 de março de 2019. “Sei que é embaraçoso para os pais que prometeram a camisa para os filhos neste natal”, reconhece Noël Le Graët, presidente da FFF. A revista diz que tentou contato com a Nike, que não quis se manifestar sobre o assunto.

“É uma catástrofe e me parece cada vez mais um imenso erro estratégico”, diz Pierre Arcens, ex-diretor da Adidas, em entrevista ao Le Point. Ele trabalhava para a principal concorrente da Nike em 1998, quando a marca das três listras patrocinava a vitoriosa seleção francesa, vendendo 800 mil camisas após o primeiro título. Enquanto Le Graët fala de “um navio um pouco atrasado” para descrever a situação, Arcens prefere falar em erro. “Após gastar milhões de dólares para conseguir se tornar patrocinadora de uma seleção campeã do mundo, me parece absurdo não aproveitar da vitória para vender camisas”, avalia o ex-diretor da Adidas.

Somente 30 mil camisas foram colocadas à venda

Para Pierre Arcens, vários motivos podem explicar a falta de estoque. Ele não afasta, por exemplo, “problemas envolvendo matéria prima ou falhas de logística”. Mas para ele, a dificuldade em se encontrar uma camisa com duas estrelas nas lojas pode ter uma explicação mais estratégica. “Se o Brasil tivesse conquistado a sexta estrela, você acha realmente que a Nike teria se contentado em colocar somente 30 mil camisas à venda? Ao meu ver, a marca considerou talvez que o título dos Bleus não criaria um aumento expressivo nos pedidos a nível mundial”, afirma.

Em agosto, Pierre Arcens já havia sido entrevistado pelo Le Point e havia afirmado que a Nike poderia ter vendido mais de 1,6 milhão de camisas. Agora, esse objetivo é “totalmente inalcançável”. “É preciso levar em conta que o momento de empolgação após a vitória, que poderia ter sido reaquecido no período natalino, vai terminar”, explica Arcens. Com isso, mesmo se a camisa estiver disponível em março ou abril de 2019, um número menor de clientes estará interessado na compra.

Federação evita atritos

Em sua última coletiva de imprensa, Noël Le Graët não quis criticar a Nike, que paga € 50,5 milhões por ano à FFF. “É um parceiro leal e de grande qualidade”, diz o presidente da federação. Ele ressaltou também a importância da venda de outros produtos derivados, como bonés, cachecóis, capas de celular, vendidas pela French Football Merchandising, empresa da FFF, autorizada pela Nike. Mas, “entre a venda de dois ou três produtos derivados e a de camisas oficiais de jogo, há uma grande diferença financeira”, lembra Pierre Arcens.

Desde a vitória da França, algumas empresas aproveitaram a falta de camisas com duas estrelas no mercado. A marca regional Breizhizou, que vende camisas temáticas com símbolos da região da Bretanha, oeste da França, lançou uma camisa azul com um pássaro local no lugar no tradicional galo e, claro, duas estrelas. As lojas do Paris Saint-Germain (PSG) também observaram um aumento na busca por camisas de jogadores campeões do mundo. “Eu queria comprar a camisa da seleção com o nome do Mbappé, mas como não encontro, de jeito nenhum, comprei a do PSG”, diz a francesa Lorianne, entrevista pelo Le Point na loja situada no estádio do clube parisiense, o Parque dos Príncipes. A revista semanal conclui comparando o estoque de camisas do PSG, que ao contrário da de duas estrelas da seleção, é vendida em todas as lojas do país e saem “como pãezinhos”. O que deve equilibrar o faturamento da Nike, já que ela também é a fornecedora oficial do clube francês, lembra Le Point.

Sobre o mesmo assunto
 
O tempo de conexão expirou.