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Movimento de "coletes amarelos" faz vendas de final de ano despencarem na França

Movimento de
 
Pichação e vitrines quebradas num café Starbucks no dia seguinte aos protestos dos "coletes amarelos", em Paris. REUTERS/Piroschka van de Wouw

Em Paris, o comércio varejista é o setor que mais sente os impactos dos protestos. A queda nas vendas pode ser medida pelo comportamento dos consumidores. Um terço dos franceses reduziu ou simplesmente desistiu das compras de Natal por causa do fechamento de lojas ou por medo de violência.

Às vésperas do Natal, lojistas, restaurantes e redes de supermercados da capital francesa viram os clientes desaparecerem depois de quatro sábados consecutivos de protestos e confrontos nas ruas de Paris.

Para evitarem saques e depredações, as principais lojas de departamento da cidade – Galeries Lafayette, Le Bon Marché, BHV e Printemps estão preferindo fechar as portas, em meio à época mais importante para o comércio do ano. A famosa avenida Champs-Elysées, local dos principais atos dos "coletes amarelos" na capital francesa, é a região mais afetada.

"Estamos no mês de dezembro, o que corresponde a 25% dos negócios anuais. Até o momento, nós fechamos todos os sábados do mês, o que significa que nós vamos encolher até 5% nas vendas totais do ano", afirmou Edouard Lefebvre, diretor da associação de comerciantes da Champs-Elysées.

O ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, considerou a situação como uma "catástrofe para o comércio".

Consumidores franceses mudam de comportamento

Uma pesquisa realizada pelo instituto Opinion Way mostra que 56% dos franceses vão mudar o hábito de consumo neste final de ano por causa do fechamento de lojas e por medo de atos de violência. Os dados revelam que 29% dos consumidores não vão frequentar as lojas físicas e 43% vão privilegiar as compras pela internet.

Nas ruas de Paris, não é difícil encontrar pessoas preocupadas com os efeitos negativos das manifestações.

“Os protestos particularmente não me incomodaram porque eu estava trabalhando mas, sinceramente, eu acho uma pena. Os confrontos criaram um ambiente um pouco triste e deprimente. Aos sábados é um pouco complicado e vamos ter que nos organizar de forma diferente”, lamentou a parisiense Murielle Carpentier.

Mãe de duas crianças, Audrey Aivry também decidiu comprar menos neste Natal e priorizar apenas quem mais importa na hora de comprar o presente. “Na verdade, nós fomos obrigados a tomar cuidado e nos privarmos um pouco. A gente faz as compras para as crianças e não para a gente", contou a dona de casa.

Turismo também é afetado pelos "coletes amarelos"

Além do comércio, o setor do turismo também sofre com a queda de clientes. Em alguns hotéis, a redução no número de reservas chega a 50%, em relação ao mesmo período do ano passado. Os profissionais do setor estão tendo que se adaptar para manter os quartos cheios nesse final de ano.

“A região ficou agitada. Para os clientes que já estavam hospedados antes, nós os prevenimos e eles não quiseram ir embora. Eles mantiveram as reservações até depois do protesto e tudo passou bem”, contou Dominique Lemare, gerente de um hotel no centro de Paris.

Apesar das medidas anunciadas pelo presidente Emmanuel Macron para tentar conter os "coletes amarelos", novos atos estão previstos para o próximo sábado (15), o que deve acentuar ainda mais as perdas do comércio neste final de ano turbulento na França.


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