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França

“Coletes amarelos” convocam novas manifestações após pronunciamento de Macron

media A pressão dos coletes amarelos sobre o presidente Emmanuel Macron não terminou: insatisfeitos com as medidas anunciadas ontem, os manifestantes preparam um quinto sábado de protestos no proximo fim de semana. REUTERS/Jean-Paul Pelissier

“Migalhas”. “Uma enganação”. “Um blefe”. Esses são alguns termos usados por “coletes amarelos” em toda a França após os anúncios do presidente francês, Emmanuel Macron, para tentar conter o movimento de insatisfação geral. Grupos do movimento no Facebook convocam a população para mais uma manifestação em Paris, no próximo sábado (15).

Os “coletes amarelos” denunciam medidas sem redistribuição de riquezas e criticam a ausência de um pedido de desculpas do presidente. “Cem euros não é nada, o poder aquisitivo vai aumentar? Então esse aumento não serve para nada, eu não vou parar”, escreve uma internauta no grupo A França revoltada, no Facebook, referindo-se ao aumento anunciado para o salário mínimo, a partir de janeiro de 2019.

Os manifestantes continuam cobrando medidas para diminuir drasticamente as desigualdades sociais, o que significa, do ponto de vista dos “coletes amarelos”, fazer com que grandes empresas, bancos e milionários franceses paguem mais impostos.

No discurso da véspera, o presidente declarou que empresas e bancos devem participar do esforço coletivo, mas descartou o restabelecimento do Imposto sobre a Fortuna (ISF), como pedem os “coletes amarelos” e a oposição de esquerda. Macron se justificou dizendo que a medida “enfraqueceria a França”, estimulando a evasão de capital.

“Não vamos ceder”, diz manifestante

“Vamos continuar a demonstrar nosso descontentamento”, disse o “colete amarelo” Vincent à RFI. “Não vamos mudar de opinião, queremos avanços, é preciso que a situação mude, não vamos ceder”, acrescentou.

O presidente recebe hoje no Palácio do Eliseu dirigentes de bancos e grandes empresas, para estimular o pagamento de um bônus de Natal aos empregados. Já o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, comparece às 15h (12h em Brasília) diante da Assembleia Nacional para detalhar as medidas anunciadas por Macron na véspera. Além do aumento do salário mínimo, o premiê também vai explicar a isenção de uma taxa para aposentadorias abaixo de € 2 mil e o pagamento de horas extras sem impostos, nem encargos.

As medidas anunciadas ontem vão custar aos cofres públicos de € 8 bilhões a € 10 bilhões e, provavelmente, agravar o déficit público se não houver corte de gastos.

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