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Incêndios e barricadas substituíram greves como forma de protesto na França, diz especialista

Incêndios e barricadas substituíram greves como forma de protesto na França, diz especialista
 
O economista Thomas Coutrot, chefe do departamento de condições de trabalho e de saúde do Ministério do Trabalho da França. Captura vídeo

Os “coletes amarelos” começaram bloqueando rodovias importantes na França, antes de chegarem aos protestos violentos vistos em várias cidades, incluindo a capital. O fechamento de áreas de transporte público, acompanhado de enfrentamento direto da polícia, deve se tornar regra entre os manifestantes franceses, de acordo com análise do economista Thomas Coutrot, entrevistado pela RFI.

Chefe do departamento de Estatística do Ministério do Trabalho na França, Thomas Coutrot é conhecido também por ser um dos fundadores da famosa associação militante cidadã Attac France. Ele afirma que antigas formas de protesto não têm mais efeito e deixaram de se impor como “ferramenta de negociação com o capital”.

Coutrot lembra que é a primeira vez que a França assiste a uma mobilização nacional que trabalha essencialmente com a questão dos “bloqueios”. “Eles barram o acesso às cidades, aos pontos de gasolina, supermercados, lojas, estradas. Ataca-se a mobilidade. Interrompem-se os fluxos de carros, ônibus e caminhões, a principal forma de circulação de mercadorias na Europa. É interessante, porque os ‘coletes amarelos’ não bloqueiam a produção [como as greves], eles bloqueiam a circulação. Mas os efeitos são similares: uma paralisia da economia”, destaca.

“Tornou-se muito difícil bloquear a economia através dos movimentos grevistas, como foi feito em Maio de 68, ou em 1995 e 2003. Agora está muito difícil para os trabalhadores fazerem greve, com a precarização do trabalho, pelo medo de perder o emprego, acho que isso explica a forma que tomou esse movimento”, explica.

Organização online

Para o economista, outro ponto de evolução é “auto-organização dos protestos”, em grande medida independentes das mobilizações sociais tradicionais. “Eles não se sentem considerados e lançam movimentos auto-organizados, espontâneos, partindo da base, sem nenhum tipo de organização prévia”, analisa. Neste contexto, as redes sociais se tornam a ferramenta de convocação primária deste tipo de mobilização social.

Os “coletes amarelos” devem produzir consequências profundas no cenário político francês, mesmo que não seja a curto prazo, de acordo com Coutrot. “Macron é muito rígido na concepção que tem do poder. Em sua ignorância sobre os anseios da população. O movimento deve conseguir paralisar o governo nas próximas reformas. A lição que os franceses aprenderam com os ‘coletes amarelos’ é que a única maneira de bloquear as ações deste governo é ‘tacar fogo’ na rua, fazer barricadas.”


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