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Manifestação de "coletes amarelos" fecha lojas, museus e cancela eventos em Paris

Manifestação de
 
Lojistas da avenida Champs Elysées protegem suas vitrines com tapumes para evitar depredações durante manifestação dos "coletes amarelos". REUTERS/Philippe Wojazer

Neste sábado (8), os "coletes amarelos" farão a quarta jornada de mobilização no território francês. Em Paris, depois das depredações da semana passada no Arco do Triunfo e ruas adjacentes, o comércio e restaurantes vão estar fechados na avenida Champs Elysées, próxima do Palácio do Eliseu, sede da presidência. O clima não está para festas de fim de ano, com o país atravessando uma grave crise política e social.

Temendo um novo fim de semana de distúrbios, as autoridades francesas decidiram fechar uma dezena de museus e teatros da capital – Louvre, d'Orsay, Museu de Arte Moderna, Museu do Homem, Ópera, entre outros. As principais lojas de departamento da cidade – Galeries Lafayette, Le Bon Marché, BHV e Printemps –, assim como a Torre Eiffel, não abrirão as portas ao público neste sábado.

Agências bancárias, cinemas, lojas, cafés e restaurantes cobriram suas vitrines com tapumes e placas de fibra de vidro para se proteger de atos de vandalismo dos manifestantes. Várias estações de metrô vão estar fechadas, principalmente na linha 1, que dá acesso a importantes pontos turísticos.

Natal comprometido para comerciantes

Depois que o movimento dos "coletes amarelos" ganhou um contorno violento, com quebra-quebra, linchamento de policiais e ameaças de morte a parlamentares e ao presidente Emmanuel Macron, as festas de fim de ano passaram para um segundo plano. Mesmo dentro do movimento indivíduos mais agressivos fazem ameaças de morte a militantes moderados.

Os franceses que ainda pensam no Natal fazem compras pela internet, uma situação que se torna dramática para o comércio de rua. Em várias cidades as lojas estão às moscas, seja porque manifestantes impedem o acesso a zonas comerciais ou simplesmente porque um clima de grande apreensão tomou conta do país. As pessoas se perguntam se Macron e seu primeiro-ministro, Edouard Philippe, vão sobreviver à crise.

Jogos do Campeonato Francês e outros eventos cancelados

Por medida de segurança, seis jogos da 17ª rodada do Campeonato Francês foram cancelados neste fim de semana e adiados para outras datas: PSG-Montpellier, Toulouse-Lyon, Monaco-Nice, Saint-Etienne-Marseille, Angers-Bordeaux e Nîmes-Nantes. A polícia não tem tropas suficientes para garantir a segurança dos torcedores perto dos estádios e proteger, ao mesmo tempo, as ações dos "coletes amarelos". Os presidentes de clubes aceitaram a imposição aliviados.

O tradicional Téléthon, programa de TV que recolhe doações para financiar a pesquisa científica de doenças raras, também programado neste fim de semana, está mantido, mas cancelou eventos nas ruas. O palco de transmissão, inicialmente previsto na praça da Concórdia, ao lado do Palácio do Eliseu e da Assembleia Nacional, foi transferido para um estúdio, longe dos protestos.

Outro evento cancelado foi o Natal dos Animais, que aconteceria neste fim de semana na praça da República, mais um local simbólico das instituições francesas na mira de militantes radicalizados. O presidente da Associação de Proteção dos Animais disse que não se sentiu seguro para organizar essa feira de adoção de bichos abandonados. Mercadinhos de Natal que deveriam começar a funcionar neste sábado também foram cancelados.

Marcha em Defesa do Clima vai rivalizar com protesto

Por outro lado, a Marcha em Defesa do Clima prevista em 140 cidades francesas está mantida. Em Paris, houve apenas uma mudança de trajeto. Como se trata de um evento mundial, programado em 17 países em paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24), na Polônia, os organizadores decidiram manter a passeata.

A marcha vai partir às 14h da praça da Nation (leste) em direção à République (centro).

"Coletes amarelos" e a crise da representação democrática

Iniciado há cerca de um mês, o movimento dos "coletes amarelos" nasceu sem lideranças, formado por moradores de zonas rurais que se reuniram em grupos fechados no Facebook, por região geográfica, para protestar contra a introdução de um imposto ecológico no litro do diesel e da gasolina.

Com salários muito baixos, sem poder aquisitivo para pagar aluguel nos centros urbanos e ainda dependentes do carro para trabalhar, por falta de transporte público regional, esses franceses – estimados em 4 milhões de habitantes – se rebelaram. Eles compõem uma parcela da população que não se sente representada nas instâncias políticas e agora decidiu enfrentar as elites.

A taxa dos combustíveis foi cancelada pelo governo nesta semana, após 20 dias de intensa mobilização, mas a decisão veio tarde demais. Nesse meio tempo, a lista de reivindicações cresceu e está focada agora no reajuste do salário mínimo e numa revisão completa do sistema tributário francês, considerado injusto com os mais pobres e a classe média. Muitos "coletes amarelos" são aposentados revoltados com o fato de Macron ter aumentado os encargos sociais nas aposentadorias.

Manifestantes radicalizados

A demora do governo em reagir às reivindicações acabou radicalizando uma parcela dos manifestantes. Uma ala de "coletes amarelos" que se autoproclamam "livres" quer dialogar com Macron, outra não. Nesta sexta-feira (7), dois fundadores do movimento, Jacline Mouraud e Benjamin Cauchy, pediram aos militantes pacifistas para não participar do protesto em Paris. Eles dizem que se houver novo quebra-quebra, o movimento vai perder credibilidade.

Desde o início, a imprensa e a polícia identificaram participantes ultrarradicais, tanto de extrema direita, quanto de extrema esquerda e anarquistas, dispostos a usar a violência para desestabilizar o governo. Com o passar das semanas e o erro político de Macron, de ignorar a insatisfação social, apostando num esvaziamento do movimento, o governo perdeu o controle da situação. Os "coletes amarelos" continuaram firmes, embalados por mensagens de ódio e as "fake news" abundantes nas redes sociais.

Os partidos de oposição, ostracizados por Macron, aproveitaram para tirar uma revanche sobre o presidente, acusado de fazer reformas sem dialogar com os opositores e a sociedade. Adversários políticos, inclusive o ex-presidente François Hollande, que se sentiu traído por Macron, passaram a adubar os "coletes amarelos". Eles só não calcularam o potencial de violência embutido nas manifestações.

Tentativa de derrubar o governo

 

O quebra-quebra nas ruas, as quatro mortes e mais de mil feridos nos protestos, além dos ataques a repartições públicas já são interpretados pelas autoridades como um estágio de "pré-insurreição" popular. Nos grupos fechados de "coletes amarelos" no Facebook, que reúnem mais de 200 mil pessoas, alguns mais exaltados sugerem a invasão do Palácio do Eliseu e o assassinato de Macron. Também pregam a morte de policiais e a destruição de monumentos republicanos.

A adesão de estudantes do ensino médio e universitários, insatisfeitos com as reformas no sistema de ingresso no ensino superior e a cobrança de anuidades mais caras para estrangeiros nas faculdades públicas, agrava o quadro de contestação.

Diante desse desafio à ordem pública, o Ministério do Interior decidiu mobilizar 89 mil policiais e militares para fazer a segurança dos protestos em todo o país. Paris terá blindados nas ruas para destruir barricadas. Os hospitais reforçaram as equipes de plantonistas. Ninguém consegue prever se a França vai sair amarela ou vermelha desta manifestação.

O ministro do Interior, Christophe Castaner, disse que black blocs vindos do exterior podem se infiltrar entre os manifestantes. Na semana passada, policiais teriam identificado indivíduos violentos falando português e alemão em meio aos "coletes amarelos".


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