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França

Após caos em protestos dos coletes amarelos, França pode instaurar estado de emergência

media Carros queimados pelos "coletes amarelos" na Avenida Kléber, no oeste Paris. REUTERS/Charles Platiau

Depois de um sábado caótico em Paris e em várias outras cidades francesas, que foram palco as manifestações contra o aumento do preço dos combustíveis, o presidente Emmanuel Macron convocou para este domingo (2) uma reunião de emergência com o primeiro-ministro, Edouard Philippe e o ministro do Interior, Christophe Castaner. Segundo o porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, a instauração de um estado de emergência é uma opção considerada.

"Todas as opções devem ser estudadas", afirmou Griveaux à rádio Europe 1 neste domingo. "É preciso refletir sobre as medidas que podemos tomar para evitar que esse tipo grave de manifestação da violência nas ruas não se reproduza", indicou.

Macron chegou nesta manhã à Paris, de volta da cúpula do G20, em Buenos Aires. Antes de embarcar de volta à França, no sábado, ele afirmou que jamais aceitará a violência dos protestos.

"Nenhuma causa justifica que as forças de ordem sejam atacadas, que lojas sejam saqueadas, que pedestres ou jornalistas sejam ameaçados, que o Arco do Triunfo seja pichado", criticou. Segundo ele, "os responsáveis por esta violência não querem mudanças, não querem melhorar nada, querem o caos. Traem as causas a que pretendem servir e que manipulam", reiterou. 

Danos em Paris

As autoridades ainda avaliam os prejuízos dos protestos dos coletes amarelos pela França no sábado. Em Paris, dezenas de carros e restaurantes foram incediados, prédios foram degradados, lojas tiveram suas vitrines quebradas e supermercados saqueados.

O Arco do Triunfo, monumento na avenida Champs-Elysées, foi alvo de inúmeras pichações e degradações até mesmo em seu interior, invadido por manifestantes. Uma parte do portão do Jardim das Tulherias, perto do Museu do Louvre, foi arrancado.

Em muitos pontos da capital francesa, as ruas se tornaram palco de uma verdadeira guerrilha. Policiais tentavam conter a revolta com jatos d'água e bombas de gás lacrimogênio, enquanto diversos manifestantes não desistiam das degradações.

No Boulevard Haussmann, centro comercial da capital, lojas foram alvo de incêndios e até mesmo as calçadas da avenida foram destruídas. As famosas Galerias Lafayette e Printemps tiveram que ser esvaziadas e fechadas rapidamente.

Nas avenidas Friedland e Kléber, diversas agências bancárias foram alvo dos vândalos e um hotel foi incendiado. Na Rua de Rivoli, lojas de luxo foram roubadas. Imagens da televisão francesa mostram manifestantes fugindo das lojas carregando produtos. Em diversos supermercados parisienses, funcionários foram ameaçados por manifestantes e não conseguiram conter o roubo de bebidas alcoólicas. 

Além das destruições e saques, militantes armaram barricadas nas ruas, para impedir que a polícia ou os bombeiros conseguissem passar. Muitos foram agredidos por manifestantes. Um policial foi linchado no Arco do Triunfo. Um jornalista do Le Monde foi derrubada e afirmou ter visto militantes com bolas de boliche. Um carro de polícia foi vandalizado e um fuzil foi roubado.

Cenas de violência também foram registradas em diversas outras cidades francesas, como Marselha, Bordeaux, Charleville-Mézières e Puy-en-Velay, no sudeste da França, onde a prefeitura foi incendiada. 

Detenções e feridos

Em Paris, foram contabilizados 133 feridos, entre eles, 23 policiais. No total, 412 pessoas foram detidas e 378 continuam presas para interrogatório neste domingo. Segundo as autoridades, 8 mil pessoas participaram dos protestos em Paris; 106 mil em toda a França. 

O governo francês atribui as violências à grupos de extremistas e vândalos, entre os quais cerca de 200 pessoas identificadas em Paris como integrantes a grupos de extrema-direita. O executivo também é criticado por lideranças políticas por ter subestimado a amplitude das manifestações e não ter preparado um dispositivo de segurança mais forte.

Em uma coluna publicada na edição de 2 de dezembro do Journal du Dimanche, os porta-vozes do movimento dos coletes amarelos condenam "todas as formas de violência" e se dizem prontos para discutir uma saída para a crise. 

Algumas rodovias e estradas continuam bloqueadas nesta manhã pelos manifestantes, entre elas, a estrada A6, no norte de Lyon. Em Narbonne, no sul da França, um prédio da Polícia Civil e veículos de uma empresa que gerencia pedágios foi incendiados nesta manhã. 

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