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França

"Coletes amarelos" bloqueiam depósitos de petróleo e enfraquecem Macron

media Imagem edificante de uma cadeirante da região de Bordeaux participando do bloqueio da rodovia A-10 no último sábado (17). NICOLAS TUCAT / AFP

A mobilização dos "coletes amarelos", franceses que manifestam desde sábado contra o aumento dos impostos nos combustíveis – e globalmente contra a queda de poder aquisitivo dos trabalhadores com baixos salários –, entrou no quarto dia. Manifestantes bloqueavam nesta terça-feira (20) depósitos de combustíveis e estradas em várias regiões do país.

O ministro do Interior, Christophe Castaner, denunciou hoje uma "deriva total" e a "radicalização" do movimento, que já deixou 528 feridos, 17 deles em estado grave. O ministro da Economia, Bruno Le Maire, reafirmou de sua parte que a suspensão da tributação ecológica contestada pelos manifestantes está fora de cogitação.

O tráfego permaneceu interrompido na manhã dessa terça-feira em vários pontos da malha rodoviária francesa. A polícia interveio para liberar o bloqueio ao porto de Fos-sur-Mer (sul), que também impedia o acesso à refinaria Total de La Mède. O depósito de petróleo de Vers-sur-Seiche, perto de Rennes (oeste), foi liberado pela polícia de forma pacífica. Outros dois depósitos de combustíveis enfrentavam cerco de manifestantes.

O ministro do Interior reafirmou que os depósitos petroleiros serão "sistematicamente" liberados por questão de segurança. Segundo Castaner, as reivindicações dos "coletes amarelos", que se organizaram pelas redes sociais num movimento semelhante ao dos caminhoneiros no Brasil, "não são mais consistentes". "Há pessoas que são muito pacíficas entre os 'coletes amarelos', mas hoje, na minha opinião, elas são influenciadas por aqueles que são mais radicais", disse Castaner.

Incidentes homofóbicos

O ministro da Economia destacou que a liberdade de circulação não é "negociável em uma democracia". Le Maire também chamou a atenção para "uma série de desvios nas manifestações", que registraram incidentes homofóbicos e racistas. No sábado (17), um vereador de Bourg-en-Bresse, na região sudeste, foi violentamente agredido por um manifestante quando ia ao supermercado ao lado de seu companheiro. "Houve violência e isso não é aceitável", reagiu Bruno Le Maire.

A oposição tira proveito da mobilização popular para condenar as políticas do presidente Emmanuel Macron. "Temos a impressão de que este governo é surdo, e a única coisa que ele sabe fazer contra essas pessoas corajosas é usar a matraca", disse o deputado de extrema-direita Louis Alliot, marido de Marine Le Pen. Já a presidente do partido Agrupamento Nacional (antiga Frente Nacional), Marine Le Pen, acusou o governo de "inverter as responsabilidades" ao acusar os manifestantes de radicalização.

Macron perde o controle da situação

Macron não tem conseguido desvincular sua imagem de "presidente dos ricos" e de ser um dirigente arrogante, que ignora as dificuldades dos mais pobres. Durante os três primeiros dias de mobilização, o presidente não deu declarações sobre os protestos. Mas nessa terça, em visita à Bélgica, Macron declarou que era preciso "superar a contestação pelo diálogo" e explicar à população o que o governo tem feito para os mais necessitados.

"A estratégia [de tributação ecológica] foi votada de maneira clara e transparente no início do meu mandato e estamos adotando várias medidas de acompanhamento para as famílias mais modestas", disse Macron durante um encontro com estudantes belgas.

Na semana passada, o primeiro-ministro, Edouard Philippe, anunciou um "cheque energia" para ajudar os franceses de baixa renda a pagar as contas de gás e eletricidade e maior subsídio do governo para a troca por um carro menos poluente, novo ou usado.

Partidos extremistas crescem

A seis meses das eleições para a renovação do Parlamento Europeu, a primeira votação intermediária de seu mandato de 5 anos, Macron enfrenta um descontentamento sem precedentes em relação à melhora do poder aquisitivo dos franceses. Por falta de resposta à altura das expectativas do eleitorado, institutos de pesquisas já sinalizam o aumento das intenções de voto nos partidos radicais, principalmente na legenda de Marine Le Pen (RN).

"O movimento dos 'coletes amarelos' mostra de maneira dramática o fosso crescente entre a França popular e o governo, que parece despreparado para reagir", observa Jerome Fourquet, diretor do departamento de opinião do instituto Ifop. "Ao mesmo tempo, estamos registrando um aumento regular nas intenções de voto a favor do partido de Marine Le Pen, que se recupera e parte para a ofensiva se apropriando dessa revolta", acrescenta.

Oito em cada dez franceses (79%) não confiam no chefe de Estado e no governo para melhorar seu poder aquisitivo, nove pontos a mais do que em fevereiro. A desconfiança aumentou especialmente entre os franceses com nível superior completo (+18 pontos, 63%) e os eleitores de Macron (+18 pontos, 51%).

Para o presidente do instituto Elabe, Bernard Sananès, Macron, vitorioso contra Le Pen em maio de 2017, "enfrenta um segundo turno ao contrário". "Ele foi eleito com dois terços dos votos em maio do ano passado e enfrenta hoje uma desconfiança idêntica, ou mesmo
superior", disse o pesquisador.

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