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Fórum da Paz: somente cooperação global poderá conter a ameaça climática

Fórum da Paz: somente cooperação global poderá conter a ameaça climática
 
Fórum da Paz reuniu em Paris chefes de Estado e representantes de organizações internacionais. REUTERS/Gonzalo Fuentes

O meio ambiente e as mudanças climáticas foram alguns dos assuntos tratados no Fórum da Paz, evento que reuniu essa semana, em Paris, cerca de 60 chefes de Estado e representantes de organizações internacionais de 105 países. O encontro fez parte das comemorações do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial.

Durante o evento, foi apresentado o novo pacto global, como explica o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittll, convidado pelo governo francês para participar de alguns dos mais de 80 debates que aconteceram entre os dias 11 e 13 de novembro.

“O ex-ministro francês, Laurent Fabius, que já havia presidido a Cop 21, apresentou a proposta de um novo pacto global em prol do meio ambiente, uma iniciativa que já conta com a adesão de alguns países e que, espera-se, tenha um caráter mais abrangente no que se refere ao meio ambiente do que o próprio Acordo de Paris”, diz. “Não trata apenas da questão de clima, mas da conservação de ecossistemas, da poluição do ar, da conservação de biodiversidade, da questão dos oceanos, e se espera que evolua para um novo patamar de compromisso de países e com expectativa de que tenha engajamento crescente”, completa Rittll.

Engajamento dos jovens

Lideranças mundiais, intelectuais, Ongs e cidadãos acompanharam apresentações de mais de uma centena de projetos. Entre os grupos que representaram o Brasil, está o Engajamundo. A organização acredita que os jovens são peça fundamental para a solução dos desafios ambientais.

“O ponto positivo do fórum foi que ele não ficou só numa conferência, em que as que autoridades e os governos participam um pouco e depois vão embora. Inclusive dez projetos foram selecionados e terão apoio até o ano que vem para se desenvolverem”, conta Tawanna Lima, do Engajamundo. “Um projeto que me chamou atenção é o Youth Climate Leaders, que começou esse ano, e é um dos exemplos de novas iniciativas que já estão participando do fórum. É um projeto que realiza formações. Esse ano, aconteceu aqui em Paris e eles levaram os jovens líderes, justamente os que estão engajados com as mudanças climáticas, para ver a prática no Quênia”, completa a ativista.

Tawanna Lima, ativista do Engajamundo. Divulgação

Três anos após a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, aumenta a pressão internacional pelo cumprimento das metas estabelecidas no Acordo de Paris, assinado por 195 países. “O Acordo de Paris não deve ser visto como algo que ficou para trás, muito pelo contrário, a gente vai entrar numa fase de implementação plena a partir do ano que vem. As regras estão sendo discutidas agora”, explica Carlos Rittll. “O chamado de urgência que o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) trouxe, com o seu relatório mais recente, mostra que o impacto de mudanças climáticas acima de um grau e meio, que é o objetivo ótimo do Acordo de Paris, vai custar muito caro para as pessoas, para os ecossistemas e inclusive para a economia mundial”, conclui.

Macron alerta para avanço do nacionalismo

As discussões aconteceram num momento em que o presidente da França, Emmanuel Macron, alerta para o risco provocado pelo avanço do nacionalismo em certos países. Reforçar o multilateralismo e a cooperação internacional é um dos maiores desafios, com o objetivo de encontrar iniciativas concretas para problemas globais.

“Esse estímulo ao multilateralismo em diferentes esferas reforça a necessidade de que, para problemas de escala global, como são as mudanças climáticas, só mesmo a colaboração e a coordenação de esforços podem fazer com que a gente seja bem-sucedido e evitar os piores cenários do aquecimento global e suas consequências”, afirma o secretário-executivo do Observatório do Clima. “Se houver um aquecimento global acima de um grau e meio, teremos maiores danos aos ecossistemas, com mais pessoas afetadas pelos eventos climáticos extremos e pela variação média da temperatura da Terra, tornando regiões onde chove pouco, mais áridas”, completa Rittll.

França sai na frente

Pesquisas de opinião mostram que o desafio climático vai se tornando a principal preocupação dos franceses, a frente de questões como emprego e renda. Depois de um verão infernal, seguido de incêndios e de recentes inundações, a população acredita que o aquecimento global é um problema crucial para a humanidade.

“Eu vejo que os franceses são muito engajados nessa pauta de mudanças climáticas, e agora com o preço do combustível, eles estão preocupados se é mais importante pagarem mais caro por outras fontes de energias alternativas, que gerem menos dano ao meio ambiente, ou pagar mais barato por algo que faça danos ao meio ambiente”, observa Tawanna Lima.

Para a ativista brasileira, que vive em Grenoble, o caso francês é um exemplo a ser seguido. “Eu vejo que os franceses em geral estão muito preocupados, não só as pessoas que lidam diretamente com o assunto, mas os cidadãos comuns estão atentos à essa pauta. Eu vejo essas conversas em vários contextos, na rua, é algo muito importante. Olhando para o Brasil, eu vejo que a gente ainda tem muito o que avançar nesse sentido”, completa.


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