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França

Seguindo grandes nomes da moda, Gaultier decide abandonar o uso de peles nas passarelas

media Jean-Paul Gaultier usou peles naturais em várias de suas criações nos últimos anos, mas pretende abolir a prática REUTERS/Stephane Mahe

O estilista Jean-Paul Gaultier anunciou neste fim de semana que pretende abandonar o uso de peles em suas criações de alta-costura. Com a decisão, o francês engrossa o time dos grandes nomes da moda que aboliram a prática criticada por ecologistas. 

Em um programa da televisão francesa desse sábado (10), uma jornalista perguntou ao estilista se ele pretende continuar usando couro e outras peles naturais em suas coleções. “Usei muito no início da minha carreira, muitas vezes reciclando peles antigas, mas quero remediar isso”, respondeu Gaultier.

“É verdade que os casacos de pele são mais sensuais que as peles falsas. Mas acho que podemos usar peles falsas, além de encontrar outras maneiras de se esquentar. Talvez isso nos permitirá avançar do ponto de vista criativo”, disse ainda, lembrando que o principal problema é que “a maneira como os animais são mortos é deplorável”.

Mesmo se desde 2014 o estilista não produz mais prêt-à-porter e se concentra apenas nos desfiles de alta-costura e nas lucrativas linhas de perfume, a declaração foi bem recebida pelas associações de defesa dos animais. Para a PETA, “essa foi uma excelente notícia”. Em um comunicado, a entidade lembrou que Gaultier já havia sido criticado por seu uso de peles naturais, inclusive com militantes invadindo um de seus desfiles em 2002. Em 2006, a própria fundadora da PETA, Ingrid Newkirk, dirigiu um protesto dentro de uma das lojas do estilista.

Habituado a usar peles em suas criações, Gaultier abandona a prática por causa da forma como os animais são mortos. Reuters

“Estamos muito satisfeitos”, declarou Marion Giroud, porta-voz da Confederação francesa de defesa dos animais. “Foi um sinal forte, pois Jean-Paul Gaultier é internacionalmente conhecido”, completou. Mesmo tom do lado da SPA (Sociedade protetora dos animais), que espera que o exemplo do estilista seja seguido por outras marcas. Já a fundação da atriz Brigitte Bardot saudou a decisão de Gaultier e lembrou que “já vinha pedindo uma atitude do costureiro há 12 anos”.

A associação Fourrure Française, que representa a indústria de peles animais na França, criticou a decisão do estilista, alegando que ele se baseou em informações falsas ao condenar a prática. “Estamos dispostos a mostrar para Jean-Paul Gaultier que as técnicas de cativeiro e de abatedouro respeitam todas as regulamentações europeias e francesas sobre o tratamento correto dos animais”, declarou a entidade em um comunicado, antes de agradecer o estilista por “todas as suas maravilhosas criações, que ajudaram a revolucionar o uso de peles naturais nos últimos vinte anos”.

Várias marcas estão se mobilizando

Gaultier não é o primeiro a abrir mão do uso de peles verdadeiras nas passarelas. Apenas este ano marcas como Gucci, Givenchy, Donna Karan, Armani, Coach, Hugo Boss, Michael Kors, Ralph Lauren, Tom Ford ou ainda Burberry aboliram a prática. Sem esquecer a britânica Stella McCartney, que construiu toda sua história como estilista propondo não apenas peças com peles sintéticas, inclusive com a criação de uma etiqueta "Fur-Free Fur", mas também uma abordagem vegana em suas criações.

As grifes britânicas, aliás, têm se mostrado pioneiras na luta por uma moda mais consciente. Em setembro deste ano, Marco Gobbetti, que dirige a Burberry, anunciou que a marca iria abandonar as peles naturais, mas também a política de destruição de peças encalhadas – outra prática “ecologicamente incorreta”. Segundo o executivo, “o luxo moderno significa ser responsável socialmente e de ponto de vista ambiental”.

No mesmo mês, durante a semana de desfiles das coleções primavera-verão 2019, o British Fashion Council (BFC), que organiza o evento, também se engajou, anunciado que “nenhuma pele animal seria usada na Fashion Week de Londres”. A medida foi uma resposta às inúmeras manifestações de militantes pelos direitos dos animais, principalmente da associação PETA, que invadiram vários desfiles ou atacaram os convidados.

O abandono das peles é para essas marcas uma forma de aderir a uma moda cada vez mais engajada, respondendo a uma expectativa de parte dos consumidores, que se questionam sobre a origem do que vestem e a forma como as roupas e acessórios são produzidos. Mas para algumas grifes, a moda do “Fur-Free” é também uma ferramenta de comunicação, com pouco impacto em suas vendas.

O próprio presidente da americana Coach, Joshua Schulman, disse, ao anunciar o abandono das peles naturais em outubro deste ano, que "a marca deveria se posicionar sobre a questão”, mas que essas peças representam menos de 1% das atividades do prêt-à-porter feminino da empresa. O que talvez explique que uma marca como Fendi, que construiu toda a sua história a partir do artesanato nas peles naturais, não tenha aderido ao grupo.

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