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França

Atos antissemitas têm aumento de 69% na França em 2018

media Manifestação contra as violências antissemitas na França, em 28 de março de 2018. REUTERS/Gonzalo Fuentes

Depois de uma diminuição registrada durante dois anos consecutivos, os atos antissemitas tiveram um aumento de 69% nos nove primeiros meses de 2018 na França. O assunto é abordado pelo primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, em uma tribuna publicada no Facebook nesta sexta-feira (9).

"Cada agressão perpetrada contra nossos cidadãos porque ele é judeu soa como um cristal sendo quebrado", afirma o chefe de governo neste texto publicado no aniversário de 80 anos da trágica Noite dos Cristais, uma onda de violência contra judeus que ocorreu em várias regiões da Alemanha e da Áustria em novembro de 1938.

"Por que lembrar, em 2018, deste triste episódio? Porque estamos muito longe do fim do antissemitismo", diz Philippe, evocando números sobre violências contra judeus na França, que classifica de "implacáveis". Depois do atentado de Pittsburgh, no final de outubro, contra uma sinagoga da cidade americana, o premiê ratifica sua determinação de "não deixar passar nada" em termos de antissemitismo na França.

Na coluna, o chefe de governo promete mudanças drásticas na legislação francesa para combater esse tipo de violência, como a criação de um dispositivo para identificar e retirar conteúdos de disseminação de ódio na internet. Além da formação de uma equipe, dentro do Ministério da Educação, para apoiar professores que se deparem com casos de antissemitismo nas escolas da França.

Antissemitismo arraigado

Para o Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (Crif), os números indicados por Edouard Philippe "não são uma surpresa". "O antissemitismo está profundamente arraigado no nosso país. Chegamos a níveis insuportáveis", afirmou Francis Kalifat, presidente da organização.

Para Kalifat, o problema não pode ser considerado uma espécie de preconceito comum. Segundo ele, é preciso "combater o antissemitismo de uma maneira individual, não como uma luta contra o conjunto de ódios".

Macron se envolve em polêmica

A publicação da coluna do primeiro-ministro condenando atos de violência contra judeus acontece na mesma semana em que o presidente francês, Emmanuel Macron, se viu no meio de uma polêmica que gerou forte indignação da comunidade judaica. Na quarta-feira (7), o chefe de Estado, disse ser “legítimo” homenagear o Marechal Philippe Pétain, um dos grandes nomes do primeiro conflito mundial, mas que, ao se tornar chefe de Estado em 1940, se aliou à Alemanha e acabou julgado por traição no fim da Segunda Guerra. A declaração foi feita em Charleville-Mézières, no nordeste da França, durante uma visita de antigos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial.

Francis Kalifat disse que ficou "chocado" com os comentários de Macron e lembrou que Pétain foi julgado por "alta traição"."Pétain é um traidor e um antissemita", tuitou Jean-Luc Mélenchon, do partido de extrema esquerda França Insubmissa, fazendo eco de várias mensagens furiosas.

O Palácio do Eliseu resolveu abafar a polêmica emitindo um comunicado na quinta-feira (8) em que garante que as comemorações do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial, nesta semana, não preveem nenhuma homenagem a Pétain. Já Macron se justificou e classificou o episódio como "falsa polêmica". "É preciso reconhecer a verdade da História, mas manter nosso dever de memória, e as consequências da falta de dignidade que foi reconhecida", declarou o presidente francês na quinta-feira.

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