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França

Macron evoca colaborador nazista e revolta políticos e judeus na França

media O presidente francês, Emmanuel Macron, em Douaumont, no leste da França, durante cerimônia que faz parte das comemorações do centenário do fim da Primeira Guerra mundial, 6/11/2018 Etienne Laurent/Pool via REUTERS

Uma fala polêmica do presidente francês Emmanuel Macron voltou a agitar o cenário político do país nesta quarta-feira (7). Durante uma turnê pela França às vésperas das comemorações do Centenário do fim da Primeira Guerra, o chefe de Estado disse considerar “legítimo” homenagear o Marechal Pétain. Considerado por muitos como um colaborador nazista, Philippe Pétain foi um dos grandes nomes do primeiro conflito mundial, mas, ao se tornar chefe de Estado em 1940, se aliou a Alemanha e acabou julgado por traição no fim da Segunda Guerra. Diversos políticos e instituições judaicas se revoltaram com a declaração de Macron.

“O Marechal Pétain foi, durante a Primeira Guerra Mundial, um grande soldado”, afirmou Macron, apesar de ressaltar que, nos anos 1940, ele também acabou levando o país a “escolhas desastrosas”. “Sempre olhei a história do nosso país de frente. (...) Não escondo nenhuma página da história”, explicou o chefe de Estado.

Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de extrema esquerda A França Insubmissa, reagiu pelo Twitter. “Os crimes que ele cometeu e sua traição não prescrevem. Macron desta vez você foi longe demais. A história da França não é seu brinquedo”, disse o político. O socialista Benoît Hamon, ex-ministro da Economia Social e Solidária no governo de François Hollande, também criticou o presidente. “O périplo memorial de Emmanuel Macron é na verdade um incrível desvario ético e moral”, afirmou.

“Apenas devemos lembrar que ele foi um traidor”

O conselho representativo das instituições judaicas da França, o CRIF, se disse “chocado” pelas declarações de Macron. “A única coisa que nós lembraremos é que Pétain foi julgado em julho de 1945 pela Alta Corte de Justiça por ter traído seu próprio país”, afirmou Francis Kalifat, presidente do CRIF.

Em resposta, Macron voltou a falar à imprensa e assegurou que “não perdoa, nem apaga nada” da história. “Pétain participou de grandes feitos de guerra, mas se perdeu na Segunda Guerra mundial”, finalizou.

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