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Cemitérios parisienses são ricos em história, cultura e biodiversidade

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Cemitérios parisienses são ricos em história, cultura e biodiversidade
 
Túmulo de Allan Kardec, um dos mais visitados no cemitério Père-Lachaise. Wikipédia

Os franceses celebram em 2 de novembro o dia de Finados, mas a data não é um feriado. De todos os países da União Europeia, hoje só é feriado nacional na Estônia. Mas é um ritual entre os católicos franceses praticantes ou mesmo entre aqueles que não são religiosos visitar o cemitério nesta época em memória de parentes falecidos ou simplesmente para ver um túmulo famoso.

Os cemitérios franceses entraram há muito tempo no circuito turístico das cidades. Em Paris, os cemitérios Père-Lachaise, de Montmartre e do bairro de Montparnasse são referências em túmulos de personalidades.

O Père-Lachaise, no 20° distrito da capital, é o maior da cidade, com 69 mil túmulos e mais de 1 milhão de pessoas ali sepultadas. Inaugurado em 1804, com 13 túmulos, o Père-Lachaise está saturado desde 1950, só acolhe mortos de famílias proprietárias de jazigos e mesmo assim em circunstâncias excepcionais.

O local se tornou um ponto turístico de Paris que recebe mais de 3,5 milhões de visitantes por ano. Um dos túmulos mais apreciados é o do cantor de rock americano Jim Morrison, um dos fundadores do grupo The Doors. Ele morreu em Paris em 1971, em circunstâncias consideradas mal esclarecidas, e pela força de sua história pessoal seu túmulo virou ponto de romaria.

Adeptos do espiritismo também vão ao Père Lachaise visitar o túmulo de Allan Kardec, considerado o codificador da doutrina espírita. Allan Kardec é um pseudônimo, na verdade, do professor, escritor e tradutor Hippolyte Léon Dénizard Rivail, nascido em Lyon no ano da inauguração do cemitério parisiense.

O Pére-Lachaise é uma viagem através da história e da cultura francesas. Ali estãos os túmulos de escritores como Molière, Jean de La Fontaine, Honoré de Balzac, Guillaume Apollinaire, Paul Eluard, Oscar Wilde, Jean Racine, Alphonse Daudet e Marcel Proust.

Músicos, cantores e compositores como Frédéric Chopin, Maria Callas, Edith Piaf e Henri Salvador; atores e atrizes como o casal Yves Montand e Simone Signoret, Marie Trintignant, a filha de Jean-Louis Trintignant – uma história trágica de feminicídio protagonizada pelo roqueiro Bertrand Cantat. Enfim, o cemitério na zona nordeste de Paris é um lugar simbólico da cultura francesa.

Visita guiada gratuita

No Père-Lachaise existem visitas guiadas nos fins de semana, um programa aliás gratuito. Em Montmartre, onde estão enterrados os escritores Stendhal, Emile Zola, Alexandre Dumas ou o cineasta François Truffaut, um dos fundadores da Nouvelle Vague, a entrada é gratuita, mas não há visitas programadas, apenas com guia particular.

Em Montparnasse, que também vale um passeio pelas alamedas arborizadas, não há visita guiada. As atrações são os túmulos de grandes escritores como Charles Baudelaire, Guy de Maupassant, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir.

A prefeitura de Paris, responsável pela gestão desses espaços na cidade, gosta de enfatizar que, além de sossegados, os cemitérios parisienses são áreas verdes bem cuidadas, mantidas sem pesticidas e com uma fauna e flora remarcáveis, com várias espécies de pássaros, corujas, esquilos, porcos-espinho e até a raposa vermelha que voltou a Paris depois que a prefeitura baniu os agrotóxicos.

Escassez de vagas provoca alta nos preços

Nos últimos 15 anos, dobrou o preço de uma vaga nos cemitérios de Paris – 14 ao todo no espaço chamado intramuros. Dois metros quadrados custam atualmente € 15 mil euros, quase R$ 64 mil. Por causa desse valor exorbitante, no ano passado foram vendidas apenas 171 vagas nos cemitérios da capital.

O Tribunal de Contas já alertou a prefeitura de Paris sobre o problema. A tendência é a situação piorar com o envelhecimento da população. Os trâmites judiciais para liberar jazigos levam vários anos.

Desde 2007, Paris não vende mais concessões antes do dia do falecimento. Se no dia da morte da pessoa nenhum espaço estiver disponível, não resta nenhuma opção a não ser o enterro fora da capital. Foi o que aconteceu no ano passado com quase cinco mil enterros.

O jazigo não é o único gasto. Além do túmulo, o custo médio de um sepultamento é de € 4.500 (R$ 19.000) e de € 3.500 por uma cremação (R$ 14.500). Por essa razão, a venda de seguro funerário aumentou nos últimos anos. Muita gente prefere pagar em média € 4 por mês (R$ 16) em um plano de assistência funerária do que causar um problema a mais à família na hora da morte.

Cada vez mais franceses preferem a cremação ao enterro. Segundo uma pesquisa recente, 63% preferem a cremação e 36% não querem homenagens. No ano passado, o índice de cremação chegou a 34% dos falecimentos e deve ultrapassar 50% em 2030, segundo a associação nacional de funerárias.


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