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França

Na França, professor defende diversidade social como arma contra a violência escolar

media Vista aérea de Marselha, na França, cuja zona norte concentra pobreza e um baixo índice de desenvolvimento humano. Wikimedia Commons / Denis Lebougnat

Para professor de zona periférica na França, a única maneira de minimizar a violência escolar é trazendo mais diversidade sócio-econômica para as escolas. A declaração se deu nesta terça-feira (23), após o episódio do aluno que ameaçou a sua professora com um revólver falso em Créteil, na região metropolitana parisiense, gerando reações tanto do governo quanto do meio escolar.

O vídeo do aluno ameaçando a professora com a arma viralizou na internet, gerando manifestações do presidente Emmanuel Macron e dos ministros da Educação e do Interior. Em seguida, os professores franceses criaram a hashtag irônica #PasdeVague (sem alarde, em tradução livre) para denunciar as agressões de que são vítimas no exercício de sua profissão e também o fato de serem estimulados por seus superiores a ficarem calados, em vez de denunciar. .

A RFI conversou com um deles. Étienne Sauvage é professor da Édouard Manet, escola pública situada numa zona periférica na parte norte de Marselha, classificada entre as mais “complicadas” da França, devido às grandes dificuldades sócio-econômicas do local.

Os estabelecimentos de ensino da França que ficam em bairros com mais dificuldades econômicas são chamados de REP (Rede de Educação Prioritária) e, dentro desta rede, há os ainda mais prioritários (REP +), por fazerem parte de bairros onde há muita pobreza, desemprego, tráfico de drogas etc. É o caso do colégio Édouard Manet, um REP +.

“As escolas REP + têm mais casos de ameaças, mais problemas de violência, que estão ligados à grande dificuldade escolar e social dos alunos”, diz Sauvage, cuja escola atende a crianças e adolescentes entre 11 e 15 anos.

“Eu sou professor de um colégio bastante complicado, porque ele concentra alunos que têm extrema dificuldade com a língua francesa, são em sua maioria de origem estrangeira e passam por muitas dificuldades sócio-econômicas”, descreve Sauvage.

Concentração de todas as dificuldades

“Nestes bairros há uma concentração de todas as dificuldades. Não é que os alunos sejam piores ou menos gentis, mas, como eles passam por todas estas dificuldades, a maneira que reagem, infelizmente, é pela violência, verbal ou física”, situa o professor, que dá aulas para turmas de alunos entre 12 e 13 anos.

Segundo ele, as punições para os alunos violentos variam muito. “Normalmente há um protocolo na instituição em função da gravidade do caso. Em geral, os casos variam de 1 a 3 dias de suspensão, mas a depender da gravidade, um conselho de disciplina pode decidir pela expulsão do aluno”, conta.

Na França, cada estabelecimento tem autonomia de decidir qual é o protocolo a seguir. “Cada escola, de maneira colegiada, estabelece um protocolo, com uma hierarquização da gravidade dos atos e, em função desta hierarquização, aplica sanções mais ou menos pesadas.”

Mas uma coisa é certa, para o professor, a condição sócio-econômica dos alunos influencia seus comportamentos.

“Quando se concentram as piores condições sócio-econômicas em um lugar onde não há suficiente diversidade social e escolar, temos de ser honestos, há mais possibilidade de acontecerem violências verbais e físicas”, admite.

Mais diversidade social nas escolas

“O governo investe bastantes recursos nas escolas destas zonas, o que é positivo, porém, falta uma redistribuição das zonas educativas, para que nestes colégios haja mais diversidade social e escolar”, diz o professor, para quem a única maneira de amenizar o problema é trazendo mais diversidade para as escolas das zonas desfavorecidas.

Segundo ele, mesmo com todos os meios (financeiros), não é possível combater o problema da violência e do baixo rendimento escolar sem alterar o mapa de distribuição de alunos por escola.

“Há tantos problemas nestas zonas que é preciso muito mais mistura para que os alunos de melhor nível sócio- económico possam impulsionar os alunos de condições mais frágeis, para que a minirrepública que constitui a classe possa colocar em prática o seu papel de elevador social”, defende.   

Abandonados à própria sorte

Para exemplificar, Sauvage descreve o bairro onde fica a sua escola:

“Os bairros do norte de Marselha são abandonados à própria sorte, o metrô não chega lá, há muito mais sujeira, não há coleta de lixo regular. O que não impede que as pessoas que morem lá sejam muito calorosas e gentis, mas há um alto nível de violência nesta área, pois o nível de desemprego é alto (de cerca de 40%), o que conduz, infelizmente, muitas pessoas ao tráfico de drogas”, relata.

O professor destaca ainda que, juntando estes problemas sociais ao período de começo da adolescência dos alunos, “com muitas transformações no plano psicológico que exacerbam a raiva e a violência internas, ligadas frequentemente às condições de vida muito difíceis”, o prejuízo para alunos e professores destas escolas é grande.

“Eles não têm espaço para estudar, vivem em espaços mínimos, são muitas pessoas em casa… A solução é criar a diversidade social e cultural, é promover uma mistura de alunos de classes diferentes dentro do mesmo colégio”, insiste.  

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