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França

Mulheres vão às ruas contra Bolsonaro em movimento histórico, diz uma das iniciadoras

media Manifestações contra o candidato extremista de direita do PSL estão programadas neste sábado (29) em dez países. DR

Milhares de mulheres simpatizantes do movimento #elenão vão sair às ruas neste sábado, 29 de setembro, contra a eleição do candidato da extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) na presidência. Estão programadas manifestações em cerca de 80 cidades de 24 estados, além do Distrito Federal, e também no exterior, em pelo menos 10 países. Em Paris, o protesto das brasileiras está programado para amanhã, às 15h, na praça da República (Place de la République).

A manifestação em Salvador, cidade onde vive a publicitária Ludmilla Teixeira, iniciadora da página no Facebook “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, terá proteção especial da polícia. Até a manhã desta sexta-feira (28), a página contava com mais de 3,8 milhões de mulheres inscritas. Devido à violência e às ameaças de partidários do candidato contra várias administradoras, policiais irão garantir a segurança dos protestos em outras localidades.

Ludmilla tem deixado claro em vídeos que a ideia da mobilização nasceu nas discussões do grupo, mas de forma espontânea, sem que as administradoras sejam responsáveis pelas manifestações.

Hackeamento e violência

Há 15 dias, a baiana Maíra Motta, professora de Filosofia residente em Vitória da Conquista (BA), foi a primeira administradora a ser hackeada por partidários de Bolsonaro. Ela trabalhava no recrutamento de moderadoras e colaborava na comunicação da página quando teve seu número de celular e contatos no Whatsapp sequestrados e resgatados em outra linha telefônica.

Em entrevista à RFI, a filósofa contou que teve sua senha no Facebook hackeada diversas vezes, quando então se deu conta do que estava acontecendo. “Fiquei sem comunicação, foi um susto, fiquei em pânico em Vitória da Conquista, estava há pouco tempo na cidade e não conhecia muitas pessoas”, explica. A direção da rede social foi alertada e passou a dar assistência às administradoras para evitar novos transtornos.

Depois de contatar advogados, reunir provas do hackeamento, protocolar queixa na delegacia local da Polícia Civil, Maíra e outras administradoras também deram entrada, na semana passada, com pedido de investigação na Polícia Federal por crime eleitoral da parte da campanha de Bolsonaro.

Movimento suprapartidário

A rapidez de mobilização das mulheres em todo o país e no exterior surpreendeu Maíra.

“Pelo que ele [Bolsonaro] representa para as mulheres no Brasil, eu esperava que o grupo fosse ter grande adesão. Mas o número de mulheres que alcançamos nessa luta me surpreendeu, principalmente porque foi num período curto de tempo, em poucos dias. Nunca pensei que conseguiríamos reunir tantas mulheres numa causa. O nosso movimento não é partidário. Cada uma tem sua escolha, sua opção. O que unifica a gente é este combate à misoginia, ao discurso de ódio desse candidato. Ouvimos relatos de mulheres que nos agradecem por estar sendo representadas nesse processo. É emocionante ver essa união tomar conta do mundo”, destaca.

As administradoras têm reforçado com frequência em seus comunicados que se trata de um movimento suprapartidário. “Abraçamos democraticamente todos os posicionamentos políticos, ideologias diversas e temos membras de diferentes partidos políticos, desde que sejam contra o Inominável e seu discurso misógino, racista e homofóbico”, afirmam.

Segundo Maíra, a força do movimento representa “um fato histórico”. “Nós, mulheres, temos o poder em nossas mãos para contribuir para a mudança do nosso país”, diz emocionada. “Ver mulheres se posicionando no grupo contra maridos machistas que votam em Bolsonaro e ouvi-las dizendo que não vão se calar; vê-las vencendo o medo e se posicionando no mundo para defender seus direitos e exigir respeito, é fantástico”, descreve a filósofa.

Em entrevista gravada para a rádio Jovem Pan, na segunda-feira (24), o candidato do PSL disse que nunca pregou o ódio, declaração imediatamente contestada.

 

“Eu fui violentada. Quando hackearam meu telefone, chamaram professores baianos de um de meus grupos de macumbeiros. Eles propagam preconceito, misoginia, racismo, homofobia, o tempo todo. Bolsonaro dizer que não tem discurso de ódio é uma coisa triste. Afirmar que a última filha dele foi uma ‘fraquejada’ e enaltecer um torturador são práticas lamentáveis. Não é só isso: a campanha dele está sendo produzida com fake news, fotos de arquivo e vídeos de outras campanhas”, destaca a professora baiana. Maíra afirma que um dos filhos do candidato mantém em uma rede social a imagem do grupo hackeado, com a frase trocada ‘‘mulheres com Bolsonaro”. “Eles nunca fizeram uma retratação pública sobre isso”, deplora.

 

As administradoras do movimento, que utiliza as hashtags #elenão, #elenunca, #elejamais, #MUCBvive, #quase4milhoes, #mulheresunidascontrabolsonaro, esperam que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investigue o hackeamento como um crime eleitoral cometido pela campanha de Bolsonaro.

 
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