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França

Show de rapper muçulmano no Bataclan é cancelado após protestos da extrema-direita

media O rapper francês e muçulmano Médine © Pierre Terdjman

No meio de uma forte polêmica, o rapper francês Médine, acusado de propagar ideais extremistas ligados ao Islã, acabou cancelando seus dois shows marcados para meados de outubro no Bataclan. Em 2015, a casa de shows foi vítima de um ataque jihadista que chocou a França e o mundo.

A decisão foi tomada, segundo o Bataclan, "em respeito às vítimas dos atentados de 13 de novembro de 2015 e suas famílias" e por "um desejo de apaziguamento das tensões". Movimentos franceses de extrema-direita e parentes de vítimas do Bataclan convocaram manifestações em frente à lendária sala de concertos, onde 90 pessoas foram mortas.

"Alguns grupos de extrema-direita planejam organizar manifestações cujo objetivo é dividir, sem hesitar em manipular e reacender a dor das famílias das vítimas", disse o rapper Médine, de 35 anos, nesta sexta-feira (21) em sua conta no Facebook. "Por respeito a essas mesmas famílias e para garantir a segurança do meu público, os concertos não serão mantidos", disse ele, evocando uma "dolorosa decisão". Ambas as datas estavam cheias, com todos os ingressos comprados.

"Tudo o que eu queria fazer era um show no Bataclan", escreveu Médine nas redes sociais. Para os fãs, uma compensação: o rapper dará uma entrevista no dia 9 de fevereiro no Zenith, uma sala gigante para onde os dois concertos foram reprogramados.

"Esta provocação não terá lugar nesta sala, dada a sua dolorosa história", disse no Twitter a líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, elogiando "uma vitória para todas as vítimas do terrorismo islâmico". Na web, os defensores da hashtag #PasdeMedineauBataclan (“Não a Médine no Bataclan”) e parentes das vítimas também expressaram sua satisfação.

Um deles, Patrick Jardin, pai de Nathalie, morta em 13 de novembro de 2015, agradeceu ao rapper e à sala de concertos, que ele chama de "santuário", por ter concordado em transferir o show para outro lugar. "Eu não sou fascista, mas eu me recuso a aceitar que Médine venha pisar no cadáver de minha filha e de outras vítimas de Bataclan", escreveu Jardin no início de setembro no Twitter.

Sala de concertos ou santuário?

O show do rapper muçulmano no Bataclan foi denunciado em junho pelos políticos de direita e extrema-direita. Eles afirmam que canções antigas de Médine, como "Jihad" ou "Não Laico", estariam em consonância com as ideias de grupos terroristas.

Nesta última música, lançada em janeiro de 2015, uma semana antes do ataque do Charlie Hebdo, Médine atacou a laicidade francesa com frases como "Crucifiquemos os laicos" ou "Eu serro a árvore da laicidade antes de derrubá-la".

Ao ver a polêmica com seu nome crescer na França, ele recuou em meados de junho. "Já se passaram 15 anos desde que eu lutei contra todas as formas de radicalismo em meus álbuns", assegurou, antes de atacar a extrema-direita. "Vamos deixar essa coisa ditar a programação de nossas salas de shows ou, pior, limitar nossa liberdade de expressão?", questionou Médine.

O advogado Philippe de Veulle disse ter encaminhado na quinta-feira (20) "um pedido de investigação preliminar" à Promotoria de Paris alegando "incitação ao ódio, violência e discriminação" nos textos do rapper. De Veulle é defensor de duas pessoas de nacionalidade italiana, uma deles baleada durante os ataques ao Bataclan. Após o cancelamento de dois concertos de Médine, o advogado saudou "uma primeira vitória para o sofrimento das vítimas e seus direitos, mas isso não remove as observações ultrajantes [do rapper], que são violentas e discriminatórias".

Toda a controvérsia levanta a questão do status do Bataclan: seria uma casa de shows como as outras ou uma espécie de santuário? Em todo caso, durante sua reabertura, um ano após o ataque, seus donos expressaram a intenção de não fazer um "mausoléu" do lugar.

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