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França

Alzheimer: "doença ou envelhecimento natural"?

media Capa do jornal Libération destaca o dia mundial de conscientização do Alzheimer e lança o debate sobre qual o diagnóstico correto, 21 de setembro de 2018 Fotomontagem RFI

Há 24 anos, o dia 21 de setembro se tornava o marco da luta contra o Alzheimer. Considerada a “doença do século” e objeto de projeções catastróficas – apesar da diminuição no aparecimento de novos casos - este mal continua sem cura. O jornal Libération desta sexta-feira (21) destaca a dificuldade em obter um diagnóstico correto. Para alguns, o Alzheimer deve continuar sendo tratado como doença mas, para outros, não passa de uma consequência natural do envelhecimento.

“Hoje, não existe nenhum tratamento para curar essa doença que conta com 225 mil novos casos todos os anos na França”, afirma a Fundação de Pesquisa Sobre o Alzheimer (FPSA) do país. Nunca se falou tanto sobre essa condição, mas famílias e pacientes continuam obtendo respostas evasivas dos médicos.

A publicação lembra que este ano foi marcado pela decisão da ministra da Saúde, Agnès Buzyn, de interromper o subsídio dos remédios para o Alzheimer, criados nos anos 1980 e cuja ineficácia foi comprovada. Mas, segundo o Libé, o debate não gira somente em torno da medicação. A discussão agora é como avaliar os sintomas. “Seria o Alzheimer uma doença no sentido mais restrito do termo, ou um declínio cognitivo inevitável do processo de envelhecimento? ”, questiona a jornalista Catherine Mallaval.

O diário dedicou nesta sexta-feira uma página inteira para opor dois grandes peritos em gerontologia.

O declínio cognitivo faz parte da vida

Para o gerontologista Olivier Saint Jean, do Hospital Europeu Georges Pompidou, o declínio cognitivo faz parte da vida e defende a ideia que o Alzheimer não seria uma doença. “As lesões observadas no cérebro durante o processo de envelhecimento ou no que chamamos de Alzheimer são as mesmas, então porque não conseguimos admitir que o órgão mais complexo de nosso corpo possa ser vítima de uma obsolescência programada? ”, avalia Saint Jean.

“Falar de envelhecimento em vez de Alzheimer muda totalmente a leitura do problema em nossa sociedade. Usando a palavra doença, criamos um paciente, automaticamente isolado em sua condição de doente, mas quando falamos de envelhecimento, é algo que corresponde a todos”, conclui o médico.

Absurdo não chamar de doença

Já para o neurologista Bruno Dubois, do Hospital Salpétrière, a demência e a doença de Alzheimer possuem especificidades bem distintas. “O Alzheimer é uma doença. Hoje, temos 20 mil pessoas de menos de 65 anos que sofrem com isso, que tinham vidas normais, com crianças pequenas. Dizer a estas pessoas que essa doença não existe é pior que um erro, é um absurdo total”, afirma o especialista.

“As lesões no cérebro observadas em casos de Alzheimer são muito mais importantes e atingem quase todo o cérebro, quando no envelhecimento natural, a degeneração dos neurônios fica localizada na região do lobo temporal”, ressalta Dubois.

O chefe da redação do jornal Libération, Laurent Joffrin, lembra que doença ou não, a sociedade precisa planejar como financiar a “quarta idade”. “É um dos maiores desafios do século que ainda não está sendo levado a sério”, conclui Joffrin.

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