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França

Violência urbana deixa bombeiros franceses à beira de um ataque de nervos

media A revolta dos bombeiros franceses após a morte de um cabo de 27 anos esfaqueado durante resgate é destaque do jornal Le Figaro desta quarta-feira, 12 de setembro Fotomontagem RFI

Eles se tornaram um último recurso em uma sociedade cada vez mais frágil. Quando médicos e policiais não conseguem atender todas as chamadas, são os bombeiros que sempre estão de prontidão. Mas desde o dia 4 de setembro, quando um jovem cabo de 27 anos foi morto esfaqueado por um homem em crise de demência na periferia de Paris, a corporação deu um sinal de alerta. Com situações cada vez mais violentas, eles exigem o auxílio da polícia em alguns atendimentos.

O jornal Le Figaro desta quarta-feira (12) destaca o sentimento de revolta dos bombeiros franceses após a morte de Geoffroy Henry, assassinado por aquele que tentava ajudar. Mesmo sendo um acontecimento raro, o caso de Henry é revelador de um ambiente cada vez mais agressivo vivido pela corporação.

“A luta contra o fogo passou a ser algo secundário, desde que os bombeiros precisaram atender chamados que as outras instituições não conseguem mais assumir”, afirma a chefe de redação do Le Figaro, Laurence de Charette. “Já faz tempo que eles precisaram aprender a se proteger de objetos como peças de máquina de lavar e tijolos, jogados de prédios em violentas periferias de Paris, bairros onde a aversão a farda e a lei já não surpreende mais ninguém”, completou Laurence.

Parte dos atendimentos deveria ser feito pela polícia

Só em 2018 foram registrados 150 violências verbais, 105 projéteis lançados, 250 agressões simples e 49 ameaças com arma. André Goretti, presidente da Federação Autônoma dos Bombeiros Franceses afirma que o fato de atribuir o atendimento de chamadas que são de responsabilidade da polícia aos bombeiros, os coloca em situações cada vez mais perigosas. “Pessoas, por exemplo, com comportamento violento em via pública por causa do excesso de álcool deveriam ser detidas pela polícia, o que não acontece”.

Yves Lefebvre, diretor do principal sindicato de polícia de Paris, diz que entende as reclamações dos bombeiros. “Eles estão certos de exigir auxilio das forças de segurança, mas hoje não temos como responder de forma favorável”, lamenta Lefebvre.

Inglaterra quer política de tolerância zero

O problema vivido na França também acontece na Inglaterra, onde além da violência há também um grande sentimento de impunidade. “Muitas vezes vimos pessoas agredirem bombeiros e não serem condenadas”, diz o deputado Chris Bryant, autor de um texto de lei que prona a tolerância zero no caso de agressões contra socorristas.

“A morte do jovem bombeiro francês ilustra a triste decadência de uma sociedade onde já não há solidariedade e onde o enfraquecimento da autoridade do Estado é cada vez mais notável”, conclui Laurence de Charette.

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