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França

Francesas desafiam tabu da maternidade tardia com gravidez após 45 anos

media Mais de 2 mil mulheres a cada ano na França dão início a uma gravidez "muito tarde", ou seja, depois de 45 anos. Flickr

Reportagem da imprensa francesa deste domingo (9) mostra como, apesar dos riscos, muitos fatores fazem com que as mulheres engravidem aos 45 anos de idade ou mais na França. Cerca de 2 mil francesas engravidam depois desta idade, e o número de mães “tardias” quintuplicou desde a década de 1980 no país.

No último mês de janeiro, a francesa Lynda, de 45 anos, achou que havia dado início a seu processo de menopausa, detectando um atraso na menstruação. Alerta falso: na verdade ela estava grávida, como relatou ao site de FranceInfo, em matéria publicada neste domingo (9). Como mais de 2 mil mulheres a cada ano na França, ela iniciou uma gravidez "muito tarde", ou seja, depois de 45 anos.

Um fenômeno que não é tão raro e é regularmente destacado pelos casos relatados na mídia francesa. “O mais recente? Adriana Karembeu, 46 anos, apresentou aos telespectadores, nesta quarta-feira (5), sua filha Nina, que nasceu em 17 de agosto de 2018, durante o programa 'Os poderes extraordinários do corpo humano' no canal de TV France 2”, lembra a reportagem.

“No começo, tive medo”, relatou Lynda a FranceInfo. “Eu me perguntava se o bebê ia aguentar até o fim. Se, na minha idade, eu não teria um aborto espontâneo. Se tudo isso não era completamente maluco”, lembra a francesa. "É um presente da vida", completou, em seu relato. Em 8 de julho, Lynda finalmente deu à luz a Elisa, depois de uma gravidez inesperada. Mãe de um menino, essa professora parisiense havia anteriormente abandonado a ideia de engravidar novamente.

"Há alguns meses, eu estava até planejando colocar um DIU", disse ela ao site francês. "Conheci meu marido tarde e só comecei a pensar em maternidade por volta dos 38 anos". Um desejo tardio, que "não é surpreendente" para Jean-Marc Ayoubi, chefe do departamento de ginecologia do hospital Foch, em Suresnes, na região parisiense, entrevistado por FranceInfo. "Os métodos contraceptivos são muito melhor utilizados hoje do que há vinte anos, as mulheres estudam mais e esperam antes de ter seu primeiro filho", analisa.

Mães tardias, cada vez mais frequentes na França

Jean-Marc Ayoubi atesta que, desde o início da década de 2000, esse tipo de paciente mostra um forte crescimento. Nos últimos dez anos, seu departamento vem realizando um estudo sobre esse tipo de gravidez. A descoberta é clara: em 1980, apenas 8.000 bebês nasceram de mães com 40 anos ou mais. "Em 2016, esse número foi multiplicado por 5, com cerca de 43 mil nascimentos", diz o professor.

Muitas mulheres agora consideram essas gestações com serenidade, como Sylvie, que engravidou naturalmente aos 48 anos, ou Michèle, que deu à luz seu terceiro filho aos 45 anos. Mas as consequências podem ser perigosas, tanto para a mãe quanto para a criança", alerta Jean-Marc Ayoubi à reportagem.

Riscos reais

"Quando avisei meu ginecologista, ele imediatamente me avisou que eu precisaria me cuidar e que eu seria monitorada de perto", lembra Lynda. Ela realizou exames regulares de hemoglobina, assim como checava semanalmente a pressão arterial, além de exames de urina constantes. Lynda afirmou aos jornalistas franceses que logo percebeu que os riscos eram reais.

"Os pacientes com mais de 45 anos aumentam significativamente o risco de diabetes, pressão arterial e cesariana", afirma Jean-Marc Ayoubi na reportagem. Segundo o ginecologista, 3,7% das gestantes com mais de 45 anos têm pressão alta, em comparação com 1,3% das pessoas entre 25 e 35 anos. A diabetes afeta 20% destas mulheres no final da gravidez, em comparação com apenas 11% das mulheres mais jovens. Finalmente, metade dessas mulheres realizará cesarianas, em comparação com apenas 32% das mulheres com menos de 40 anos de idade. "Isso se explica pelo envelhecimento do corpo: a idade dos vasos aumenta, eles não têm mais a mesma elasticidade, nem a mesma fisiopatologia", explicou o médico.

Mas o feto também pode apresentar problemas, segundo os especialistas franceses. Joëlle Belaïsch, chefe do departamento de ginecologia do Hospital de Quatre-Villes, em Sèvres, na região parisiense, declarou que a gravidez de "alto risco" pode ser "perigosa" para o bebê. "Casos de prematuridade e aborto espontâneo são mais comuns em mulheres com mais de 45 anos. Os riscos do parto também estão presentes, com o potencial de morte in utero para a criança, além do risco de morte materna, que aumenta", declarou em entrevista à FranceInfo. O ginecologista Jean-Marc Ayoubi, no entanto, contemporiza: "Durante 10 anos, presenciamos no hospital Foch cerca 1.300 casos de gravidez tardia, e apenas dez pacientes foram internados em terapia intensiva", concluiu.

"É preciso mudar a visão da sociedade sobre o tema"

Segundo Karine, francesa de 45 anos e grávida de quatro meses, entrevistada pela reportagem, concorda com o médico. Hoje em dia, a gravidez tardia se tornou quase um clássico e sentimos isso quando vamos ao médico. A maioria deles te trata como o que você realmente é: apenas uma mãe”.

A matéria de FranceInfo lembra ainda que é necessário parar de culpar ou pressionar as mães durante uma gravidez tardia. “Além da visão puramente científica da profissão médica, a gravidez tardia também pode ser estressante para as mulheres, forçada a enfrentar o julgamento das pessoas que as cercam”, afirma a reportagem.

Sylvie, francesa de 55 anos, diz que "Quando eu vou buscar meu filho na escola, eu vejo mães de 23 ou 24 anos. As pessoas ficam hesitantes nas lojas, imaginando se eu sou a mãe ou a avó", relatou. Lynda, que deu à luz há alguns meses, também teve que enfrentar várias reações de seus parentes. "Muito rapidamente, minhas irmãs me disseram que era irresponsável. No entanto, nunca me senti uma velha!", concluiu a paciente, que afirma que “o olhar da sociedade tem que mudar imperativamente sobre esse tema”.

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